Artigo/Folha de São Paulo
O jornalismo delinquente
Postado em 09/03/2010 às 07:54 Atualizada em 09/03/2010 às 07:52

DEMÉTRIO MAGNOLI


Demóstenes disse o que está nos registros históricos. Os repórteres a serviço de uma doutrina tentam fazer da história um escândalo


As  pessoas,  inclusive os jornalistas, podem ser contrárias ou favoráveis à introdução de leis raciais no ordenamento constitucional brasileiro. Não é necessário, contudo, falsear deliberadamente a história como faz o panfleto disfarçado de reportagem publicado nesta Folha sob as assinaturas de Laura Capriglione e Lucas Ferraz ("DEM corresponsabiliza negros pela escravidão", Cotidiano, 4/3).
A invectiva dos repórteres engajados contra o pronunciamento do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) na audiência do STF sobre cotas raciais inscreve no título a chave operacional da peça manipuladora.
O senador referiu-se aos reinos africanos, mas os militantes fantasiados de repórteres substituíram "africanos" por "negros", convertendo uma explanação factual sobre história política numa leitura racializada da história.
Não: ninguém disse que a "raça negra" carrega responsabilidades pela escravidão. Mas se entende o impulso que fabrica a mentira: os arautos mais inescrupulosos das políticas de raça atribuem à "raça branca" a responsabilidade pela escravidão.
Num passado recente, ainda se narrava essa história sem embrulhá-la na imaginação racial. Dizia-se o seguinte: o tráfico atlântico articulou os interesses de traficantes europeus e americanos aos dos reinos negreiros africanos. Isso não era segredo ou novidade antes da deflagração do empreendimento de uma revisão racial da história humana com a finalidade bem atual de sustentar leis de divisão das pessoas em grupos raciais oficiais.
Demóstenes Torres disse o que está nos registros históricos. Os repórteres a serviço de uma doutrina tentam fazer da história um escândalo.
O jornalismo que abomina os fatos precisa de ajuda. O instituto da escravidão existia na África (como em tantos outros lugares) bem antes do início do tráfico atlântico. Inimigos derrotados, pessoas endividadas e condenados por crimes diversos eram escravizados. A inexistência de um interdito moral à escravidão propiciou a aliança entre reinos africanos e os traficantes que faziam a rota do Atlântico. Os empórios do tráfico, implantados no litoral da África, eram fortalezas de propriedade dos reinos africanos, alugadas aos traficantes.
O historiador Luiz Felipe de Alencastro, convocado para envernizar a delinquência histórica dos repórteres ("África não organizou tráfico, diz historiador"), conhece a participação logística crucial dos reinos africanos no negócio do tráfico. Mas sofreu de uma forma aguda e providencial de amnésia ideológica ao afirmar, referindo-se ao tráfico, que "toda a logística e o mercado eram uma operação dos ocidentais".
Os grandes reinos negreiros africanos controlavam redes escravistas extensas, capilarizadas, que se ramificavam para o interior do continente e abrangiam parceiros comerciais estatais e mercadores autônomos. No mais das vezes, a captura e a escravização dos infelizes que passaram pelas fortalezas litorâneas eram realizadas por africanos.
Num livro publicado em Londres, que está entre os documentos essenciais da história do tráfico, o antigo escravo Quobna Cugoano relatou sua experiência na fortaleza de Cape Coast: "Devo admitir que, para a vergonha dos homens de meu próprio país, fui raptado e traído por alguém de minha própria cor". Laura e Lucas, na linha da delinquência, já têm o título para uma nova reportagem: "Negros corresponsabilizam negros pela escravidão".
O tráfico e a escravidão interna articulavam-se estreitamente. No reino do Ndongo, estabelecido na atual Angola no século 16, o poder do rei e da aristocracia apoiava-se no domínio sobre uma ampla classe de escravos.
No Congo, a população escrava chegou a representar cerca de metade do total. O reino Ashanti, que dominou a Costa do Ouro por três séculos, tinha na exportação de escravos sua maior fonte de renda. Os chefes do Daomé tentaram incorporar seu reino ao império do Brasil para vender escravos sob a proteção de d. Pedro 1º.
Em 1840, o rei Gezo, do Daomé, declarou que "o tráfico de escravos tem sido a fonte da nossa glória e riqueza".
Em 1872, bem depois da abolição do tráfico, o rei ashanti dirigiu uma carta ao monarca britânico solicitando a retomada do comércio de gente.
O providencial esquecimento de Alencastro é um fenômeno disseminado na África. "Não discutimos a escravidão", afirma Barima Nkye 12, chefe supremo do povoado ganês de Assin Mauso, cuja elite descende da aristocracia escravista ashanti. Yaw Bedwa, da Universidade de Gana, diagnostica uma "amnésia geral sobre a escravidão".
Amnésia lá, falsificação, manipulação e mentira aqui. Sempre em nome de poderosos interesses atuais.


DEMÉTRIO MAGNOLI, sociólogo, é autor de "Uma Gota de Sangue - História do Pensamento Racial" (SP, Contexto, 2009).

Buracos da gestão
Blairo: fim do mito de bom gerente
Postado em 08/03/2010 às 07:41 Atualizada em 08/03/2010 às 07:39

O fracasso da gestão do governo Blairo Maggi (PR)é comprovado por números indefensáveis pela turma da botina. O governo que adora mega eventos, mega ações, mega solenidades, tem diversos números contra, números de mega vergonha:

1)Entrará para a história da administração de Mato Grosso como o governo que concedeu mais incentivos fiscais para um grupo de empresários do que investiu em segurança e saúde.

Um governo de negócios, de conflito de interesses entre o público e o privado, com evidente prejuízo para o lado fraco, o público. O contribuinte paga impostos e não recebe os devidos serviços do governo na segurança, saúde, educação.

2)O jornal A Gazeta, em sua edição deste domingo, traz mais um mega número que expõe a fragilidade do administrador público Blairo Maggi. A região sul de Cuiabá é refém da falta de segurança. Na manchete de A Gazeta, o número do fiasco do estado: “Cresce 75% o número de assaltos em 6 anos”.

Blairo cuida de si.

Ele aprovou na Assembléia a Lei da Mordomia da Segurança, garantindo segurança particular paga com dinheiro público. Como ex-governador, Maggi terá à disposição 6 PMs por sete anos e três meses, retirados da tropa só para servi-lo, pagos com o dinheiro do contribuinte.

Uma conta que passará dos R$ 2 milhões no período.

Ciente do desgaste político, o governador vai dispensar a mordomia no período da eleição. Um estelionato eleitoral.

Se a lei fosse tão necessária, o ex-governador Blairo Maggi deveria deixar o Palácio já cercado pelos seus 6 policiais públicos pagos pelo povo.

Fim do mito de bom gerente: ruim para a Amaggi, ruim para o povo.

Os erros de administração se acumulam ao longo do seu mandato. Blairo gestor público e Blairo gestor privado são a mesma coisa, mais propaganda do que eficiência prática comprovada.

No setor privado é mais fácil. O conselho de administração da Amaggi parece preferir Blairo longe, ocupado com a política.

As suas empresas particulares tiveram lucros espetaculares nos últimos sete anos, com ele fora do comando direto.

No setor público é mais difícil. As perdas sociais são irrecuperáveis.

Os números que aparecem agora no final do governo Blairo Maggi comprovam: é o começo do fim do mito de bom gerente.

 

 

Eleição errada
Silval e Mendes: atrás das grades do palácio
Postado em 06/03/2010 às 07:25 Atualizada em 06/03/2010 às 07:39

O vice-governador Silval Barbosa (PMDB) faz campanha ao governo atacando o prefeito da Capital, o prefeito Wilson Santos (PSDB), um dos seus prováveis adversários da oposição além do senador Jayme Campos (DEM).

O erro  de Silval, o mesmo aliás de Mauro Mendes (PSB),  é menosprezar a sabedoria popular e do próprio governador Blairo Maggi (PR) sobre o significado de uma eleição.

Maggi diz que na eleição o governo mostra o que fez e a oposição mostra o que não foi feito. O eleitor decide.

A eleição da vez, pelo calendário eleitoral,  é para o governo de Mato Grosso. Eleição de prefeito, só em 2012.

Erros e acertos serão analisados pelo eleitor mato-grossense em relação às ações e  às  omissões  do governo Maggi.

Silval e Mendes insistem em ferir a inteligência do cidadão, presunção equivocada.

Conforme os jornais, Silval “por onde anda, embora não seja oficial, pelo discurso do governo como um todo, o peemedebista deixa a entender que as mudanças na sua gestão de continuidade acontecerão nas áreas de Saúde, Educação e Segurança Pública”.

Silval tenta se equilibrar na linha tênue de novidade sendo apenas o que é na verdade: mais do mesmo.

Espera-se uma exibição de contorcionismo político de Silval depois que assumir o seu mandato de governador. Como  Silval vai apresentar  “mudanças” sem criticar a gestão de Blairo Maggi, da qual aliás faz parte neste segundo mandato?

A estratégia eleitoral de Silval é mesmo, conforme informações de bastidores da organização da sua campanha,  lançar um programa de ações em Cuiabá nas áreas essenciais, em especial na Saúde.

A lógica torta  da ação  eleitoral  se desmancha no ar: fará  para dizer que a prefeitura não fez,  fazendo aquilo que o governo  do estado  deveria ter feito antes e nunca fez pelos cuiabanos.

As “mudanças” de Silval são o maior atestado político do fiasco da gestão do governo atual, que fracassou na gestão das políticas públicas das áreas sociais. Silval “mudando” faz o trabalho de oposição,  desvelando  implicitamente  o que Maggi deixou de fazer.

As mudanças na sua gestão de continuidade, mote contraditório do candidato governista, são movidas pela intenção eleitoral de fazer um contraponto político em Cuiabá.

O eleitor agradece qualquer melhoria, mas registra: o governo só agora pensou em melhorar as condições de atendimento dos cuiabanos, na véspera da eleição. Deboche, fraqueza e oportunismo. 

Silval ou Mendes não representam mudança nem no discurso, absolutamente incapazes de articular a mínima crítica  pública ao governante e ao governo da vez que  estarão   sendo  avaliados   pela  população de Mato Grosso nesta eleição: Blairo Maggi e o seu governo.

Até as grades do Palácio Paiaguás sabem disso.  

Ambos candidatos de Blairo, Silval Barbosa e Mauro Mendes estão atrás das grades do palácio, impotentes para articular um discurso de mudança  sem expor  a  fraqueza  do  governo  Maggi,  o governo em julgamento popular.  

São Paulo
PSDB antecipa propaganda para data de anúncio da candidatura de Serra
Postado em 05/03/2010 às 18:44 Atualizada em 05/03/2010 às 18:43

 

O PSDB de São Paulo concentrou para o final deste mês a propaganda partidária que estava programada para ser exibida ao longo de março e maio. As inserções acontecerão no momento que será anunciada oficialmente a pré-candidatura à Presidência do governador de São Paulo, José Serra (PSDB).

"A estratégia de campanha está definida. No momento, a preocupação de Serra é governar o Estado. Março é um mês complicado. A partir de abril, começa a pré-campanha", afirmou o presidente do PSDB paulista, deputado Antonio Mendes Thame. O governador tem que sair do cargo no dia 3 de abril para ser candidato.

O partido tem direito a dez minutos de propaganda este mês e mais dez em junho. Em fevereiro, o diretório do partido pediu ao TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral) de São Paulo a concentração das inserções para os dias 24, 26, 29 e 31. A ideia do partido é mostrar um balanço de governo, com Serra como estrela da propaganda.

Depois de sair do cargo, Serra deve aproveitar o pré-campanha para visitar outros Estados além de São Paulo. Segundo Mendes Thame, o governador irá aceitar os convites já recebidos de políticos de outros Estados para palestras e debates, mas dos quais não atende por estar preso ao governo paulista.

"Qualquer lugar que esteja, ele é um fato político", afirmou. Para o deputado, o momento da pré-campanha é ideal para discutir princípios e valores.

Segundo o deputado, o Diretório Estadual do partido também procura uma nova sede para alugar na cidade de São Paulo, que deve servir de comitê central da campanha de Serra.

(Folha Online)

Copyright 2007 - 2009 PnB Online - Todos os direitos reservados
Powered by Federal Solutions TI