Datafolha
TV é a principal fonte de informação dos eleitores
Postado em 28/07/2010 às 07:00 Atualizada em 28/07/2010 às 06:58


TV é a mídia preferida para obter informações para 65% das pessoas; jornais têm 12%, e rádio e internet, 7% cada um.

A televisão é o principal meio de comunicação utilizado pelos eleitores brasileiros para se informar sobre os candidatos que disputam as eleições neste ano.
Segundo o Datafolha, 65% dos entrevistados afirmam que a TV é a mídia preferida para obter informações.
Os jornais aparecem em segundo lugar, com 12% de preferência, e a internet e o rádio vêm em terceiro, com 7% cada um. Conversas com amigos ou familiares são apontadas por 6%.

INTERNET

Nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, em 2008, segundo informações do Pew Research Center, instituto de pesquisa americano, a internet era a principal fonte de informação de um quinto do eleitorado do país.
No Brasil, a popularidade da rede é baixa mesmo quando o Datafolha pede para os entrevistados citarem três meios de comunicação usados para se informar: 27% mencionam a internet, que fica atrás de conversas com amigos e familiares (32%).
A TV é lembrada por 88% e continua em primeiro lugar. Em segundo vêm os jornais, com 54%, e rádio aparece em terceiro, com 52%.
O Datafolha ouviu 10.905 eleitores em 379 municípios de todo o país (exceto Roraima). A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais.

SEGMENTOS

Entre os principais candidatos à Presidência, a internet tem maior penetração entre os eleitores de Marina Silva (PV): 11% dizem que a rede mundial de computadores é a principal fonte de informação, contra 7% dos que têm intenção de votar em José Serra (PSDB) e 7% dos que afirmam querer votar em Dilma Rousseff (PT).
Acima da média nacional, 70% dos nordestinos afirmam que a TV é a principal fonte de informação sobre os candidatos, e os moradores do Sudeste são os que menos preferem essa mídia (60%).
A TV é também o veículo mais citado pelos mais pobres: 68% entre os que têm renda familiar mensal acima de dois salários mínimos, em contraposição aos 47% dos que ganham acima de dez salários mínimos.
O jornal, por sua vez, tem maior penetração entre os mais ricos: 24% dos que têm renda familiar mensal acima de dez mínimos.
O melhor desempenho da internet ocorre entre os mais escolarizados (20% entre os que têm ensino superior), os mais ricos (18%) e os mais jovens (14% dos que têm de 16 a 24 anos).

(UIRÁ MACHADO - FOLHA DE SÃO PAULO)

CineSesc Arsenal
“Amantes” finaliza Ciclo Cassavetes do Imagens em Pauta
Postado em 26/07/2010 às 10:14 Atualizada em 26/07/2010 às 10:08

Os desencantos afetivos de um homem que se refugia na solidão e de uma mulher que transborda emoções são atração nesta terça-feira, 27 de julho, às 19:00, no CineSesc Arsenal. “Amantes” (Love Streams, EUA, 1984) é o último filme do Ciclo Cassavetes do Imagens em Pauta, que reuniu oito obras filmadas entre as décadas de 1950 e 1980 por John Cassavetes (1929-1989), precursor do cinema independente norte-americano.
 
O ciclo teve curadoria dos produtores culturais Diego Baraldi e Juliana Curvo, em colaboração com Ana Maria de Souza, socióloga e professora do Curso de Comunicação Social do Unirondon (vide texto de apresentação à obra de Cassavetes). O projeto “Imagens em Pauta” é realizado pelo Sesc Mato Grosso em parceria com a Pró-reitoria de Cultura, Extensão e Vivência e com o Curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Mato Grosso.
 
Com entrada gratuita e promovendo o hábito de assistir a e saber mais sobre filmes de diferentes estéticas e cinematografias, o “Imagens em Pauta”, juntamente com a programação do CineSesc Arsenal vem, desde 2007, formando plateias para o cinema que está distante das salas de exibição comerciais de Cuiabá. Através do projeto é estimulada a prática social de frequentar uma sala de cinema, como atividade que agrega e integra pessoas em torno do hábito de apreciar e pensar filmes.
 
Sobre o filme
 
Urso de Ouro e Prêmio da Crítica no Festival de Berlim de 1984, “Amantes” justapõe os tropeços de um homem e de uma mulher que enfrentam desajeitadamente os desencantos amorosos do cotidiano. Sarah (Gena Rowlands, esposa de Cassavetes, aqui no último de sete filmes do cineasta nos quais colaborou como atriz) e Robert (o próprio Cassavetes) são irmãos, ambos na casa dos quarenta anos. Ele, divorciado, tem um filho que mora com a mãe. Ela, divorciada, tem uma filha que mora com o pai. Vivem sozinhos, e não sabem o que fazer para recompor o equilíbrio emocional perdido. Ele faz de conta que a emoção não conta: se agarra à solidão e evita qualquer relação afetiva que vá além da superfície. Ela faz de conta que só a emoção conta: se agarra à idéia de reorganizar a família e se envolve profundamente em suas relações interpessoais.
 
Novo Ciclo
 
A partir de agosto, o “Imagens em Pauta” concentra-se na obra do cineasta japonês Yasujiro Ozu (1903-1963 ). Na próxima semana (03/08), como introdução à filmografia de Ozu, será apresentado o filme “Tokyo-Ga” (Alemanha/EUA. 1985. 85 min), de Win Wenders, cineasta expoente do novo cinema alemão, que, nos anos 1980, viaja à Tóquio globalizada em busca de resquícios do Japão apresentado nos filmes de Ozu. Imperdível!
 
Sobre o CineSesc
 
O CineSesc é climatizado, conta com 65 lugares e projeção multimídia. Está localizado no Sesc Arsenal, centro cultural que possui vários espaços de cultura, arte e entretenimento. Confira as atividades que o Sesc oferece através do site www.sescmatogrosso.com.br ou pelo telefone 3611 0550.
 
A programação do CineSesc é gratuita e direcionada aos curiosos e interessados em cinema. Endereço: Rua Treze de Junho, s/nº, bairro Porto (amplo e seguro estacionamento com entrada pela rua lateral). Se você deseja ser avisado sobre as exibições semanais do “Imagens em Pauta”, envie um email para imagensempauta@gmail.com com a informação “Cadastrar e-mail”.
 
Serviço
O quê: Amantes (Love Streams, EUA, 1984)
Direção: John Cassavetes
Quando: Terça-feira (27/07), às 19:00.
Onde: CineSesc Arsenal.
Classificação Indicativa: 18 anos
Entrada Gratuita 
 
John Cassavetes: O corpo em cena
por Ana Maria de Souza*
 
“Improvisar é ir ao encontro do mundo, ou confundir-se com ele”
(Gilles Deleuze e Félix Guattari)
 
Pouco conhecido no Brasil (seus principais filmes foram recentemente lançados em DVD pela Cinemax), o cineasta John Cassavetes (1929-1989) é considerado a principal referência do cinema independente norte-americano dos anos 60 e 70. Distintos da conformidade artificial do drama burguês, seus filmes exprimem, com fina ironia, um universo de resistências aos códigos pré-estabelecidos.
 
O improviso, traço marcante ao longo de sua carreira como diretor, confere aos seus filmes a impressão de autenticidade. Embora não prescindisse dos roteiros cuidadosamente escritos e trabalhados, dava aos atores liberdade na criação das personagens. Acreditava que é no instante da filmagem que a inspiração vem à tona. Nesse sentido considerava que o ator era a força criativa fundamental de seus filmes. Dizia: “se o trabalho do ator é bom, o filme é bom”.
 
Por trabalhar sempre com uma equipe de atores fiéis (incluindo sua talentosa esposa Gena Rowlands) e privilegiar o momento da filmagem, ele soube flagrar instantes, nuance das falas, movimentos de corpos, expressões faciais, gestos preciosos. Assim é com Mabel, personagem vivida por Gena Rowlands em “Uma mulher sob influência” (1974), que transgride os códigos e as convenções sociais que estabelecem o papel da esposa. Mabel é simultaneamente dançarina, criança, mãe, amante, dona de casa. Quer dançar com as pessoas, canta, chora, brinca, implora, provoca, ora fala como criança, ora imita a linguagem dos adultos. Inventa mundos possíveis. Numa das primeiras cenas do filme Nick (Peter Falk) tenta dizer aos operários que sua mulher (Mabel) não é louca e sim “incomum”. Uma mulher incomum, um filme incomum.
 
Outra característica do cinema de Cassavetes: valorizar a capacidade expressiva dos afetos mediante as atitudes e as posturas do corpo. Em uma das cenas mais intensas de “Noite de estréia” (1978), Myrtle (Gena Rowlands) interpreta de forma magistral e incomparável uma mulher bêbada. Longe dos clichês que retratam a imagem da bebedeira, somos envolvidos na conquista de uma postura do corpo, e da alma, na qual o verdadeiro alcoólatra “agüenta firme”.
 
Um traço notável no estilo de Cassavetes é a utilização do primeiro plano — close. Um exemplo é o filme “Faces” (1968) abordando os conflitos de um casal burguês em crise. Aqui, os rostos dos atores aparecem em closes capazes de apreender a emoção brotando da pele: pequenos movimentos dos olhos, lábios, tom das vozes, um olho de ódio, um gesto de boca enraivecido, um nariz empinado, um olho apaixonado. Pura intensidade.
 
Se a arte possibilita criar novas maneiras de ver, de ouvir, de sentir e de pensar, os filmes de Cassavetes nos proporcionam uma experimentação ética da arte: fazer da vida uma obra de arte. 

*Ana Maria de Souza é socióloga e mestre em história pela UFMT. Professora do Curso de Comunicação Social e Ciência da Computação no UNIRONDON. Publicou o livro "Relatos da Cidade: nomadismos, territorialidades urbanas e imprensa - Cuiabá, MT: segunda metade do século XX" (Entrelinhas/EdUFMT, 2007).

Da Assessoria

Teach for America
Ex-aluno de faculdade top dará aula em escola carente
Postado em 25/07/2010 às 07:09 Atualizada em 25/07/2010 às 07:06

Projeto começa no Rio e depois vai para outras cidades brasileiras.

Primeira etapa da versão brasileira do "Teach for America", presente em 13 países, será lançada amanhã

Jovens recém-formados em cursos universitários disputados serão convidados a dar aulas por dois anos em escolas públicas de baixo desempenho, em comunidades carentes do Rio de Janeiro.
Esta será a primeira etapa do programa Ensina!, que será lançado amanhã. Trata-se de uma versão brasileira do "Teach for America", programa criado na década de 1990 nos EUA que recruta jovens de elite para ensinar em comunidades pobres.
O programa está presente hoje em 13 países, por meio do braço internacional "Teach for All".
No Brasil, o projeto piloto começará no Rio, com 40 recém-formados que darão aulas a partir de 2011 de português, matemática, ciências e inglês. A ideia é expandir o programa depois para outras cidades, como São Paulo.
Ao contrário do que ocorre nos EUA, onde recém-formados substituem professores, no Brasil eles darão aulas de reforço em escolas que já trabalham em regime integral. Cada participante terá um "professor-padrinho" para trocar experiências.
O salário para uma carga de 40 horas semanais ficará entre R$ 2.300 e R$ 2.500.
Antes de entrar em sala de aula, cada jovem passará por um processo de treinamento intensivo durante cinco semanas. A prática continua durante todo o período de trabalho.
Nos países em que foi implementado, uma das características do programa é o rigor no processo de seleção, que inclui análise de currículo, dinâmica de grupo e entrevistas. Nos EUA, por exemplo, o programa recebeu no ano passado 35 mil inscrições para 4.100 vagas.

MERCADO DE TRABALHO

O programa está em contato com grandes empresas, como Oi, Natura, PDG, Instituto Unibanco, Intel, Itaú e Odebrecht, para que elas reconheçam o trabalho como um diferencial no currículo.
"Estes jovens aprenderão a ter manejo de uma sala de aula, a planejar atividades e a superar obstáculos, lidando com a diversidade e exercendo um papel de liderança. Terão ainda que trabalhar em equipe para atingir metas, habilidades valorizadas no mercado de trabalho", explica Maíra Pimentel, diretora-executiva do Ensina!.
A secretária municipal de Educação do Rio, Claudia Costin, diz que a experiência da rede com o trabalho de voluntários mostra que eles são bem recebidos pelos professores.
"As escolas que optaram por trabalhar com voluntários relatam que a troca de experiências foi boa para todos. Acreditamos que o mesmo acontecerá com os jovens que chegarão pelo Ensina!".
O custo do programa na primeira fase é R$ 3,7 milhões, sendo que a maior parte vem da iniciativa privada.

(JANAINA LAGE ANTÔNIO GOIS - FOLHA DE SÃO PAULO) 


Brasil
1 em cada 5 eleitores não foi à escola ou é analfabeto
Postado em 22/07/2010 às 07:21 Atualizada em 22/07/2010 às 07:20

8 milhões de eleitores dizem que não sabem ler nem escrever, e 27 milhões nunca tiveram aula.

Nordeste é a região em que há mais eleitores em uma das situações, 35%; no Sudeste, eles somam 12% do total.


A cada cinco pessoas aptas a votar neste ano, uma é analfabeta ou nunca frequentou uma escola.
São, ao todo, 27 milhões de eleitores nessa situação no cadastro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Desses, 8 milhões são analfabetos e 19 milhões declararam saber ler e escrever, mas nunca estiveram numa sala de aula. No total, há 135,8 milhões de eleitores no país em 2010.
A pior situação é no Nordeste: enquadram-se em um desses grupos 35% dos eleitores. No Sudeste, são 12%.
Os dados de escolaridade do TSE são uma estimativa, já que são fornecidos pelos eleitores no momento em que eles vão tirar o título e só atualizados caso ocorra uma revisão do cadastro.
O percentual de eleitores que nunca frequentaram a escola caiu de 23,5% na última eleição presidencial, em 2006, para 20,5% neste ano.
O voto das pessoas com menos instrução e menos informação tende a ter menos ideologia e mais personalismo, diz o cientista político Fábio Wanderley Reis, professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais.
Por isso, diz, Dilma Rousseff (PT) é quem tem mais condições de angariar votos desse grupo, uma vez que se beneficia da associação com a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Reis ressalva, por outro lado, que também têm grande influência os programas sociais e o aumento da renda dos mais pobres.
Por ora, o quadro ainda é homogêneo entre os candidatos. Na última pesquisa Datafolha, há três semanas, a petista tinha 20% das intenções de voto entre os eleitores com escolaridade até o ensino fundamental, contra 16% de José Serra (PSDB).
O tucano, por sua vez, tinha três pontos de vantagem entre aqueles com nível superior. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

CANDIDATOS

Nas eleições deste ano, o analfabetismo não é exclusividade dos eleitores. Saber ler e escrever é uma exigência da Justiça para disputar a eleição, mas, ainda assim, cinco candidatos declararam ao TSE serem analfabetos.
Até 2004, os que se diziam analfabetos faziam uma prova para ter o grau de instrução avaliado. A partir de 2006, eles são chamados a fazer, no tribunal, declaração de próprio punho, afirmando que sabem ler e escrever.

(ANGELA PINHO E FERNANDA ODILLA - FOLHA DE SÃO PAULO)

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