Esportes Quarta-Feira, 08 de Agosto de 2018, 09h:29 | - A | + A

PAN-PACÍFICO

De olho em Tóquio-2020, natação do Brasil faz testes no Pan-Pacífico

Sem os nadadores mais experientes, a seleção entrou automaticamente num processo de renovação, que chegou a surpreender a CBDA

ESTADÃO CONTEÚDO

 

Faltando menos de dois anos para os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020, a seleção brasileira de natação vai iniciar seus testes dentro e fora das piscinas a partir desta quarta-feira no Pan-Pacífico, competição mais importante da temporada, que será disputada justamente na capital japonesa. Com uma equipe renovada, o Brasil terá jovens apostas e nadadores mais experientes na tentativa de repetir o bom desempenho das últimas edições do campeonato, realizado a cada quatro anos.

Dentro da piscina, o maior teste será para os atletas mais novos, que estão renovando a seleção. Numa comparação com a edição de 2014 da competição, o País terá no grupo uma redução de seis anos na média de idade. "Muitos destes atletas estão se apresentando ao mundo pela primeira vez", disse ao Estado o diretor-geral de esportes da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Renato Cordani.

É o caso de Pedro Spajari, que nadará os 50m e os 100m livre, além do revezamento 4x100 metros livre. Aos 21 anos, fará sua estreia pela seleção brasileira adulta num torneio desta importância, disputado em piscina de 50 metros. Outras apostas são Gabriel Santos, de 22 anos, Fernando Scheffer, de 20, e Vinícius Lanza, de 21 anos.

Eles vão dividir as atenções com "veteranos" como João Gomes Júnior, de 32 anos, e Marcelo Chierighini e Leonardo de Deus, ambos com 27. Entre os mais famosos, Cesar Cielo, Bruno Fratus, Nicholas Santos e Etiene Medeiros não vão competir por opção ou questões físicas.

Sem os nadadores mais experientes, a seleção entrou automaticamente num processo de renovação, que chegou a surpreender a CBDA. "Essa redução de média de idade é muito expressiva, não foi uma renovação lenta e gradual. Foi brusca. Por isso, será um grande teste para esse pessoal numa competição de nível internacional", afirmou Cordani, que também é o chefe da seleção em Tóquio.

O teste tem como objetivo, claro, a Olimpíada de 2020. "Nossa aposta para os Jogos Olímpicos é, sim, esta garotada. Mas também os mais experientes. E é bom que seja assim porque os mais velhos vão ter que continuar trabalhando para superar os que acabaram de chegar. É um duelo de gerações bem vivo, o que aumenta a competitividade da seleção."

Por conta da falta de experiência do time, a CBDA evita apontar uma meta de medalhas no Pan-Pacífico. O número reduzido de brasileiros competindo em comparação às duas últimas edições do torneio também deixou a entidade mais cautelosa. Neste ano, a seleção terá apenas 16 atletas. Foram 19 há quatro anos, quando Fratus brilhou e passou a despontar mundialmente, e 44 em 2010, época em que Cielo era a maior referência da equipe.

"Imaginamos que todos têm chances de entrar em finais e brigar por medalhas. Não colocamos uma meta, mas existe um sentimento de que a equipe é forte o suficiente para buscar finais em todas as provas", projetou Cordani.

Fora das piscinas, serão dois testes para a seleção. O primeiro será enfrentado pela própria CBDA, cuja nova gestão terá pela frente sua primeira grande competição internacional. Para tanto, a gestão encabeçada por Miguel Cagnoni, empossada em junho do ano passado, terá a ajuda do Comitê Olímpico do Brasil (COB), que bancou a aclimatação da seleção na cidade de Sagamihara, a 70 km de Tóquio.

O local sediará também a preparação do time brasileiro às vésperas da Olimpíada, em 2020. Por isso, o Pan-Pacífico é considerado o grande foco da seleção na temporada. "Vai ser uma simulação para os Jogos Olímpicos. Será bom para os nadadores se ambientarem tanto na cidade quanto na piscina. São muitas dificuldades: uma grande distância geográfica, 12 horas de fuso, limitações na comunicação. Queremos evitar o choque no momento mais importante, que é a Olimpíada", explicou Cordani. Em 2019, a seleção ainda terá nova passagem por Sagamihara, na aclimatação para o Mundial da Coreia do Sul.

ALTO NÍVEL - Disputado a cada quatro anos, o Pan-Pacífico costuma reunir todos os países do mundo, com exceção dos europeus, que disputam competição continental nesta mesma época do ano. E, desta vez, as principais potências prometeram força máxima em Tóquio, a começar pela própria equipe da casa. Estados Unidos e Austrália também garantiram seus melhores nadadores no torneio, como Caeleb Dressel. Considerado um dos melhores da atualidade, o norte-americano é dono de duas medalhas de ouro no Rio-2016.

O Pan-Pacífico terá início nesta quarta pelo horário de Brasília (manhã de quinta, pelo horário local) e será disputado até a próxima terça, dia 14. As eliminatórias das provas vão começar sempre às 22 horas (de Brasília) e as finais estão marcadas para as 5h30.

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