Política Domingo, 11 de Março de 2018, 10h:08 | - A | + A

"EM PÉ DE GUERRA"

Promotor sai de grupo após críticas ao Judiciário vazar

Na conversa, o membro do MP assinalou que "Judiciário aqui é bem abaixo da média"

SÍLVIA DEVAUX

DA REDAÇÃO

 

O promotor César Danilo Novais, do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), deixou o grupo do aplicativo de mensagens após vazamento da conversa em que criticou o Judiciário: “o Ministério Público é bem maior que o Judiciário, moral e intelectualmente (Aliás, o Judiciário aqui é bem abaixo da média)".

 

Por meio de nota, ele esclareceu que "nunca tive a intenção de desprestigiar o Poder Judiciário e seus membros junto à sociedade, a manifestação se limitou a um comentário interno devido uma manifestação do Tribunal de Justiça que na minha interpretação criticava o fato de estar recebendo tratamento isonômico com o Ministério Público".

 

O grupo de promotores estaria discutindo a retenção de 20% do duodécimo dos Poderes, proposto há cerca de 30 dias pelo governador Pedro Taques (PSDB) que não foi aceito pelo presidente do TJ, desembargador Rui Ramos, enquanto o chefe do MP, Mauro Curvo, concordou com o contingenciamento que deveria ocorrer nos primeiros meses deste ano.

 

O desembargadror Rui Ramos, que repudiu as declarações do membro do Ministério Público, vê o vazamento da conversa de um grupo privado como uma forma de pôr os dois poderes "em pé de guerra".

 

“É lamentável que se pronuncie um integrante do Ministério Público, que tanto nos honra de forma a macular o Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso, uma instituição centenária, formada por 256 magistrados e mais de 4,5 mil servidores que trabalham diuturnamente em prol da sociedade e, ainda o faça em ambiente onde não se impeça a publicidade de desairosa opinião”, assinalouo presidente do TJMT.

 

(Foto: Reprodução)

conversa promotor

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Segue abaixo a nota do promotor:

 

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Um texto fora do contexto gera pretexto para interpretações equivocadas.

A má interpretação de minha manifestação ocorrida há mais de 30 dias, em grupo privado da Associação do Ministério Público em aplicativo de comunicação instantânea, que foi leviana e covardemente vazada, desconsidera todo o contexto acerca da discussão de assunto específico entre o público interno, composto por promotores e procuradores de Justiça.

 

Nunca tive a intenção de desprestigiar o Poder Judiciário e seus membros junto à sociedade, a manifestação se limitou a um comentário interno devido uma manifestação do Tribunal de Justiça que na minha interpretação criticava o fato de estar recebendo tratamento isonômico com o Ministério Público.

 

O odioso vazamento tardio, ao que tudo indica, pode atender a inúmeros interesses inescrupulosos, porém, em nada coopera para a informação, defesa e implemento dos direitos da sociedade, que é a empregadora e razão de ser de todo agente público.

 

Em 14 anos atuando como promotor de Justiça, tenho trabalhado com juízes extremamente preparados para a judicatura que utilizam a caneta e toga para diminuir a injustiça social.

 

Por último, cumpre registrar que o sucesso do combate ao crime organizado e concretização dos direitos da sociedade tem relação direta com a harmonia e o respeito entre Ministério Público e Poder Judiciário.

 

Cuiabá, 10 de março de 2018.

César Danilo Ribeiro de Novais
Promotor de Justiça

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