Artigos Segunda-Feira, 26 de Agosto de 2019, 16h:21 | - A | + A

CENÁRIO ELEITORAL

Ao ignorar o vídeo do paletó, Emanuel enterra sua reeleição

Amauri Teixeira

Os estudos de avaliação administrativa e projeção eleitoral do instituto Avaliar Pesquisa nos municípios de Cuiabá e Várzea Grande apresentam cenários muito diferentes. Enquanto a avaliação do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) é negativa, a prefeita Lucimar Campos (DEM) navega confortavelmente com a bandeira verde da aprovação hasteada. Essa diferença de opiniões ocorre num contexto semelhante, pois os desafios das duas administrações são os mesmos – saúde, segurança e educação são os principais problemas apontados pelos moradores das duas cidades ouvidos na pesquisa.

 

A prefeita de Várzea Grande, com a fotografia captada pelo estudo e sem o surgimento de turbulências, pode caminhar para a conclusão do seu segundo mandato  de forma tranquila e sob os aplausos da população. Já o prefeito Emanuel Pinheiro sofre com a desconfiança dos cuiabanos e tem sua reeleição ameaçada pelo escândalo do paletó, fato que marcou sua gestão já nos primeiros meses.

 

Passados dois anos da denúncia, embora as investigações não tenham andado, o cuiabano ainda tem o episódio vivo na memória. É relevante que 84% dos entrevistados afirmem conhecer o vídeo no qual Emanuel aparece colocando maços de notas nos bolsos. Isso indica que a lembrança do episódio é alta. Em razão do que viram no vídeo, 52% dos eleitores afirmam que não votam em Emanuel de jeito nenhum, mesmo que sua gestão tenha um bom desempenho.

 

Esse contingente reforça de forma substancial os 64% que afirmam que o prefeito não merece ser reeleito, uma posição que impossibilitaria completamente a continuidade do prefeito no cargo, caso a eleição fosse hoje. 

A mais de um ano do pleito, a publicação de um estudo isento, sem as digitais de bajuladores, evidencia a necessidade de o prefeito se posicionar, pois é inegável que um fato dessa dimensão será tema da campanha. Ignorar o caso do paletó é o pior que Emanuel pode fazer. Se quer disputar a reeleição com alguma chance de vitória, ele precisa apresentar uma resposta aos eleitores. 

 

O estudo realizado pelo Avaliar mostra que a rejeição do prefeito Emanuel, quando desvinculada do caso do paletó, não seria um obstáculo intransponível para sua reeleição. O percentual de 36% de cuiabanos que afirma hoje que não votaria em Emanuel de jeito nenhum é semelhante à rejeição do então candidato Emanuel Pinheiro. Uma pesquisa realizada a apenas cinco dias do segundo turno, em 2016, mostrou o futuro prefeito de Cuiabá com uma rejeição de 35,9%. Segundo a mesma pesquisa, , 53,3% dos eleitores afirmavam que não votariam de jeito nenhum em  Wilson Santos (PSDB).

 

A rejeição foi uma variável importante no último pleito cuiabano. Patrono da candidatura do PSDB, o então governador Pedro Taques cometeu um erro estratégico grave. Desfrutando de boa avaliação naquele momento, Taques poderia obter um resultado diferente se optasse por um nome que sofresse menos resistência do eleitorado. O governador superestimou sua força ao escolher Wilson Santos e, no embate de rejeições, Emanuel levou a melhor.

 

É improvável que o eleitor se torne mais tolerante com as questões éticas até a campanha do próximo ano. Portanto, se encontrar uma explicação aceitável para o escândalo do paletó, Emanuel poderá sonhar em chegar ao segundo turno e, quem sabe, na eventual disputa com um adversário mais rejeitado, consiga repetir o feito de 2016.

 

 

* Amauri Teixeira é colaborador do PNB Online, consultor de marketing político e diretor do Avaliar Pesquisa.

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