Artigos Segunda-Feira, 20 de Julho de 2020, 09h:12 | - A | + A

ELEIÇÕES REITORIA

Após 50 anos a UFMT continua convivendo com polvos guerrilheiros camuflados de cientistas intelectuais

Ailton José Terezo

Não há dúvidas de que a Universidade Federal de Mato Grosso cumpre um grande papel e é um orgulho para todos nós do Mato Grosso. Após meio século de história, lutas e contribuições de muitos pioneiros, ela ocupa a 33a posição no RUF (Ranking Universitário da Folha). Isso nos conforta. Isolados no Centro-Oeste, nossa UFMT consegue se destacar. Poderíamos estar em melhor posição? Sim, e bastaria que tivéssemos conseguido acompanhar o desenvolvimento do nosso Estado.

 

Houve um momento histórico que a UFMT se voltou contra esse desenvolvimento, pois nós, na maioria, somos seres utópicos, sonhando uma revolução social-comunista que já se mostrou ser um pesadelo para várias nações. Não conseguimos apontar caminhos viáveis e concretos para a sustentabilidade ambiental, econômica e social que preconizamos, na forma de um modelo ideal, quase que ideológico.

 

Eu penso que esse momento tenha sido capitaneado por esses guerrilheiros. Eles são os tentáculos de um polvo camuflado, que há muito tempo está entrincheirado no comando da nossa Universidade. Assim como o polvo, quando se sentem ameaçados, esses guerrilheiros soltam uma tinta preta de melanina, fogem e se camuflam em outra trincheira. Porém, de lá, continuam à espreita esperando o momento exato para dar o bote com seus tentáculos maquiavélicos. 

 

Isso se torna evidente de quatro em quatro anos na UFMT. Os polvos saíram de algumas trincheiras, ainda meio camuflados, mas estão à caça. A maioria de nós, docentes, discentes e técnicos administrativos, somos presas fáceis para o terrível molusco. Ele possui tentáculos fortes e com suas ventosas político-partidárias, inescrupulosas, imobilizam suas presas, uma de cada vez.

 

Nas últimas décadas, a UFMT, como a maioria das Universidades Públicas, foi sendo infestada. Bem alimentado o bicho se reproduziu e cavou inúmeras trincheiras. Enquanto o Presidente Lula, o Molusco-Mor, e sua turma, mandava dinheiro até fazer vazar pelo ladrão, tudo era fácil, vivíamos felizes, sonhando com uma revolução que parecia iminente. Eis que então, para desespero total, aparece o Bozo. Diante do terrível palhaço e sua trupe, o polvo soltou sua tinta, desprendeu alguns tentáculos, se escondeu nas trincheiras, abandonando suas presas à própria sorte lutando contra a trupe do mal, instalada no governo Federal.

 

Depois desta metáfora, para justificar o título do artigo, manifesto minha opinião sobre o momento decisivo de eleição que passaremos nessa semana na UFMT, até a votação on-line no dia 24/07, próximo. São três chapas concorrendo, com alguns tentáculos que já estão visíveis. Não nomearei todos, mas vou mostrar as ventosas agarradas na administração, segurando a UFMT no fundo do oceano, sufocando-a.

 

Assim, percorrerei alguns polvos e tentáculos com quem convivo desde 2005, às vezes correndo para tentar não ser devorado. Naquela época um grande Reitor (2000-2008), reeleito, manteve alguns tentáculos de outras administrações. Alguns pró-reitores, daquele Reitor, permaneceram no poder, como tentáculos, na administração da Reitora filhote, Maria Lúcia Cavalli Neder (2008-2016). Aquele grande Reitor? Soltou tinta e sumiu de Mato Grosso, um partido político providenciou trincheiras para ele ocupar em Brasília, no Ceará e depois no exterior. A Reitora filhote tocou seu mandato até o fim, com tentáculos como o Prof. Paulo Teixeira, que foi Pró-reitor do grande Reitor e depois Secretário de Relações Internacionais da Profa. Maria Lúcia, que teve o Prof. Sérgio Allemand Motta como Presidente da Uniselva e a Profa. Myriam Thereza Serra, que foi Pró-reitora de Graduação do grande Reitor, e manteve-se agarrada como Pró-Reitora de Assistência Estudantil da Reitora filhote. A Profa. Maria Lúcia cavou novas trincheiras: As Secretarias. Na SARI, Secretaria de Articulação e Relações Institucionais aconchegou o Prof. Sérgio Allemand, ex-Presidente da Fundação Uniselva, que mais tarde foi candidato junto com o Prof. Paulo Teixeira, ambos já com seus próprios tentáculos. A Profa. Maria Lúcia também cavou a STI (Secretaria de Tecnologia da Informação) e colocou ali um pequeno tentáculo, que mais tarde recebeu uma nova trincheira a SETEC (Secretaria de Tecnologias Educacionais) e continua lá até hoje.

 

Da administração da Reitora filhote, surgiu uma eleição emblemática na UFMT em 2016. O seu vice-reitor, Prof. João Carlos Maia, a Pró-reitora de Assistência Estudantil, Profa. Myriam Serra, e o Secretário de Relações Internacionais, Prof. Paulo Teixeira, que nesta altura já se comportava como polvo, alimentado pelo grande Reitor. Estes três foram os principais candidatos, juntamente com o Prof. Sérgio de Paula, do Instituto de Física, à época uma presa. A Reitora filhote tinha um projeto maior: ser candidata ao Senado Federal. Para isso usou a nossa UFMT, tomando muitas decisões com esse projeto político-partidário em mente. Deixou o desenvolvimento científico ao esforço dos bravos docentes, técnicos administrativos e discentes.

 

Em 2016, foi eleita a Profa. Myriam Serra e o vice-reitor Evandro Soares, que mantiveram inúmeros polvos e tentáculos na Administração Superior. Eu acompanhei aquela campanha de dentro de uma trincheira. Parecendo o Nemo em busca de uma anémona. A Profa. Myriam venceu, assumiu com vários tentáculos, e depois renunciou ao mandato, sob a justificativa de questões de natureza pessoal, mas vários moluscos já estavam confortavelmente em suas trincheiras, preparados para a nova temporada de caça que já se aproximava.

 

Agora em 2020, passadas duas décadas do grande Reitor, estamos novamente para decidir o nosso futuro, pelos próximos quatro anos, ou mais. O que temos? Corajosos docentes candidatos a Reitor(a) e Vice-Reitor(a), pelas chapas 1, 2 e 3. Nestes dias decisivos da eleição, o polvo guerrilheiro está ávido por suas presas. Liberou seus tentáculos e, de dentro das trincheiras, lançou botes certeiros, manifestando apoio e grudando suas ventosas partidárias nas chapas 1 e 2. Ainda sob camuflagem existem vários tentáculos apontados para a chapa 3. Alguns já ensaiam o bote nas presas que restam. Impossível não ser atacado.

 

Apesar de ser tudo farinha do mesmo saco, no meio de todo esse joio pode haver trigo. É preciso esperar a ceifa para só assim separá-los. Há outra citação bíblica, singela e cheia do conformismo cristão, que diz: “Porém, muitos primeiros serão os últimos, e muitos últimos serão os primeiros”. Esperar para ver o quê vai acontecer com a lista tríplice.

 

Estamos literalmente em um momento histórico ímpar. De alguma forma a UFMT precisa se libertar, emergir, respirar, buscar um novo fôlego e se renovar. Não tenhamos medo e sim muita coragem, fé, esperança e discernimento. Boa sorte a todos. Os mato-grossenses, desde os povos tradicionais aos mais favorecidos, sem exceção, não podem esperar mais 50 anos para encontrar novos caminhos.

 

Prof. Dr. Ailton José Terezo é docente titular do Departamento de Química da UFMT 

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