Artigos Segunda-Feira, 12 de Agosto de 2019, 15h:20 | - A | + A

SOJA

Como fazer a safra perfeita

Elizana Baldissera Paranhos

Com o aumento do custo de produção, a busca por altas produtividades tem sido constante pelos agricultores. Mas para isso é necessário ter em mãos o diagnóstico das áreas e conhecer com detalhes as limitações de cada gleba. Imagens de satélite, mapas de colheita, de textura, de fertilidade, de nematóides e resistência à penetração são ferramentas essenciais para definirmos com mais exatidão os ambientes de produção.

 

Na agricultura não podemos pensar em uma lavoura isoladamente e sim no sistema como um todo, para que seja sustentável, longevo e rentável.

 

Hoje muito se fala a respeito de yield gap, ou seja, quebra de produtividade. Mas como isso poderia ser minimizado?

 

Os efeitos do clima relacionado à temperatura, radiação solar e déficit ou excesso hídrico estão fora do nosso controle. Mas temos uma ação direta sobre outros fatores muito relevantes como SOLO, PLANTA e MANEJO.

 

O potencial produtivo de uma lavoura está expresso na genética da planta, mas para atingirmos a máxima eficiência agrícola devemos considerar os seguintes pontos:

 

SOLO

 

Altas produtividades podem ser alcançadas mesmo em anos de veranicos, se a capacidade de retenção de água do solo for alta. Isso se dá quando há condições favoráveis ao crescimento de raízes.

 

- Perfil do Solo: Solos corrigidos com ausência de alumínio e cálcio em profundidade.

 

- Rotação de Culturas: ciclagem de nutrientes, microbiota diversificada, supressão de patógenos, diminuição de perdas por danos ocultos, pois ao melhorar a biologia do solo há uma diminuição de doenças de solo como fusarium, rizoctonia, macrophomina etc.

 

- Plantas de Cobertura (solo sempre coberto): a palhada diminui a temperatura do solo, o que ajuda a preservar os nódulos e a atividade biológica. Diminui, ainda, a incidência de doenças e reduz plantas daninhas. Também oferece um aporte de matéria seca, aumento de matéria orgânica e formação de biopóros.

 

-  Compactação: causa perda de nutrientes por lixiviação, impede o crescimento de raízes que somente crescem onde há oxigênio, em solos bem drenados.

 

- Adubação: levando em conta a extração da planta para altas produtividades e o modo de aplicação (lanço x sulco). O equilíbrio nutricional é fundamental para se ter um bom pegamento de flores e menor incidência de doenças.

 

PLANTA

 

-  População e espaçamento adequado: plantas bem distribuídas para se ter um bom índice de área foliar e máxima interceptação de luz e evitar a competição intraespecífica.

 

- Escolha do cultivar por ambiente de produção: levando em consideração o cultivar, o ciclo e os diferentes tipos de ambientes

 

- Semente de qualidade com alto vigor e germinação: sementes com menor qualidade darão plantas de baixa capacidade fisiológica. A soja não compensa uma falha vizinha.

 

- Janela de semeadura correta: muitas vezes, pensando na segunda safra, planta-se materiais em épocas erradas.

 

MANEJO

 

- Plantio bem feito: a qualidade do leito e a velocidade de plantio abaixo de 6 km/hora são fundamentais para uma boa instalação da lavoura.

 

- Treinamento de pessoal para que o operacional seja bem executado: semeadoras e colheitadeira bem reguladas, volume de calda e tamanho de gota adequado para cada alvo (ferrugem, lagartas etc.).

 

- Timing de aplicação: a manutenção das folhas do baixeiro é muito importante, pois elas representam 35% do enchimento de grãos.

 

- Dessecação antecipada: limita o fluxo de fotoassimilados das folhas para as vagens.

 

- Avaliação da lavoura: a planta é nossa unidade produtiva e temos que saber avaliá-la quanto à arquitetura, número de nós reprodutivos, número de vagens, número de grãos e peso desses grãos.

 

Com um bom diagnóstico é possível saber quais são os fatores limitantes de cada talhão e tratá-los de modo diferenciado. A estabilidade de produção está em se fazer o básico bem feito e com precisão. Para definirmos uma boa estratégia devemos fazer a seguinte pergunta: em quais fatores preciso melhorar? Qual é o principal fator limitante?

 

Não adianta termos a melhor genética se colocamos essa semente em solo compactado e em época de semeadura não recomendada. Não adianta pagar caro num bom fungicida se ele não vai auxiliar a atingir o alvo.

 

A eficiência agrícola está relacionada a um bom planejamento do sistema de produção, pois as tecnologias estão à disposição do produtor. Mas ganhará em produtividade, ou até se tornar um campeão do Desafio de Máxima Produtividade de Soja do Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB), aquele que tiver um olhar mais detalhista, que tiver amor pelo que faz e principalmente capricho nas operações.

 

 

 

*Elizana Baldissera Paranhos, engenheira agrônoma, Mestre pela Universidade de Tecnologia de Agricultura de Tóquio, produtora em Capão Bonito (SP). Ganhadora do Desafio de Máxima Produtividade CESB/Sudeste Safra 14/15 com 122,99 sc/ha.

 

Sobre o CESB:

 

O CESB é uma entidade sem fins lucrativos, formada por profissionais e pesquisadores de diversas áreas, que se uniram para trabalhar estrategicamente e utilizar os conhecimentos adquiridos nas suas respectivas carreiras e vivências, em prol da sojicultura brasileira. O CESB é qualificado como uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), nos termos da Lei n° 9.790, de 23 de março de 1999, conforme decisão proferida pelo Ministério da Justiça, publicada no Diário Oficial da União de 04 de dezembro de 2009.  Atualmente, o CESB é composto por 23 membros e 25 entidades patrocinadoras: Syngenta, BASF, Bayer, Mosaic, SuperBAC, Jacto, Agrichem, Aprosoja, Corteva, Instituto Phytus, Monsanto, Brandt, Compass Minerals, ATTO Adriana, Stoller, UPL, Timac Agro, Brasmax, FMC, Albaugh, DataFarm, Kuhlmann, Orion, Calcário Itaú e SOMAR Serviços Agro.

 

*Elizana Baldissera Paranhos, engenheira agrônoma e membro do Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB)

 

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