Artigos Quarta-Feira, 16 de Outubro de 2019, 09h:30 | - A | + A

MERCADO DE TRABALHO

Desenvolvimento profissional: uma via de mão dupla

Douglas Souza

Tem sido um desafio encontrar, no ambiente corporativo, quem não compartilha uma certa visão quase que apocalíptica sobre como as automações e novas tecnologias tomarão o lugar de algumas vagas de trabalho. Apesar de parecer uma visão empírica, tais opiniões têm fundamentos muito bem embasados. Segundo pesquisa da Bain & Company, o processo de automação pode eliminar até 25% dos empregos nos EUA até 2030. Já um estudo do McKinsey Institute aponta que cerca de 375 milhões de trabalhadores deverão mudar suas categorias de ocupação nos próximos 10 anos - isso representa 14% da população global de trabalhadores.

 

Segundo o Fórum Econômico Mundial, o chamado skill gap, definido como a diferença entre o que as instituições de ensino ensinam e o que o mercado de trabalho requer, tende a afetar os estudantes, sendo este, portanto, um dos grandes desafios do meio corporativo atualmente. 

 

Alguns fatos podem render bons insights de como nos preparar para tais transformações. O primeiro deles é aprender a reaprender - humildade e reconhecimento são palavras-chaves para isso. Na sequência, há a aprendizagem com disciplina, ler, buscar cursos e acessar toda a informação disponível. Por último, deve-se experimentar e testar rapidamente, ou seja, exercitar o skin in the game: se jogar nas oportunidades - afinal, precisamos de pessoas empreendedoras e corajosas que elaborem novos padrões a partir de seus conhecimentos. 

 

O cenário configura também um desafio para as empresas. Segundo a Indeed, quase 42% dos funcionários mudariam de empresa para melhorar suas habilidades, caso o local atual não fornecesse um espaço apropriado para isso. A pergunta que move, portanto, alguns gestores atuais é como reter os talentos enquanto os preparo para oportunidades futuras?

 

Parte dessa resposta está na maneira como se constrói a jornada de desenvolvimento desses talentos nas organizações. Muitos já não olham apenas uma jornada vertical mas, também, as oportunidades de aprendizagem transversalmente dentro da organização. Para se manter competitivas, as empresas precisam também ressignificar os mecanismos de aprendizagem corporativa, substituindo os programas tradicionais por ambientes de troca e contínuos feedbacks. 

 

Práticas como o Suporte da Liderança estão no ambiente corporativo para reforçar essa tese. Assim, os líderes mostram comprometimento pelo desenvolvimento profissional e pessoal da equipe; Há, ainda, o método Onboarding, processo fundamental de acolhida e treinamento inicial dos novos profissionais - muitas vezes deixado de lado; Por último, a Proficiência, onde oportunidades para aprendizagem contínua são construídas. 

 

Assim, concluímos que o processo de desenvolvimento profissional não é uma via de mão única. Então, dica: funcionários, mostrem sua proatividade e adaptabilidade; organizações, desenvolvam ambientes que permitam e favoreçam que esse aprendizado aconteça de maneira prática e constante. 

 

Douglas Souza, CEO da Eureca - consultoria especializada em conectar jovens ao mercado de trabalho

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