Artigos Domingo, 19 de Julho de 2020, 09h:48 | - A | + A

LEGITIMIDADE

Eleição na UFMT não é golpe

Carlos Oliveira

O processo eleitoral em andamento na Universidade Federal de Mato Grosso é legítimo e não é golpe, como as entidades representativas dos docentes (Adufmat), técnicos (Sintuf) e discentes (DCE) querem nos fazer acreditar. Não concordar com as regras de um processo não é o suficiente para tachá-lo de golpe. O processo democrático está justamente na convivência com as diferenças. O que for diferente disso, sim, é golpe. Você pode criticá-lo, não participar, mas não pode deslegitima-lo somente porque não é da forma que você queria.

 

A eleição na UFMT, tradicionalmente, é conduzida por essas entidades que hoje tentam deslegitimar o processo eleitoral acusando de haver um golpe na universidade. Esse processo, que hoje está em andamento, é resultado da inércia dessas entidades que não convocaram seus representantes para formar uma comissão eleitoral e conduzir esta eleição. Nos meses de novembro e dezembro, uma das pré-candidatas à reitoria alertou sobre a demora em iniciar o processo, porém as entidades ignoraram o alerta e nada fizeram. Em fevereiro a então reitora Myrian Serra convocou os órgãos colegiados para formar a comissão eleitoral, mas essas entidades foram veementemente contrárias e convenceram a maioria a votarem contra a proposta da reitora de iniciar o processo eleitoral naquele momento. Em maio, em live, a Adufmat, o Sintuf e o DCE propuseram, mesmo contrariando todo arcabouço legal, a prorrogação do mandato do reitor, sem ao menos consultar seus representantes. 

 

Essas entidades sempre foram contra dar início ao processo eleitoral e agora quando os órgãos colegiados, que também têm legitimidade para fazer isso, conduzem o processo, elas se posicionam contra as regras e acusam de golpe. Golpe seria se o processo estivesse ferindo alguma resolução da universidade ou indo contra as leis, que orientam a definição da lista tríplice, em vigor. O processo em andamento não contraria em nada as leis vigentes, então por que acusá-lo de golpe?

 

O processo eleitoral é legítimo, assim eu como servidor da UFMT irei votar no(a) candidato(a) que eu julgar melhor para esse momento que a universidade está atravessando e convoco os professores, técnicos e discentes nessa sexta feira (24/07) também votarem pensando na universidade. Vamos votar pra impedir o golpe.

 

Carlos Oliveira é técnico administrativo formado em Comunicação Social pela UFMT.

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COMENTÁRIOS

Antônio Carlos Maximo - 19/07/2020

Na verdade, depois da imensa derrota da classe trabalhadora frente ao capitalismo, desde a derrocada do socialismo real, todas as organizações da classe trabalhadora vêm perdendo discurso. Desse modo, elas buscam reconquistar as suas bandeiras, seu discurso, seus modos de ação. Do ponto de vista das organizações, dentro da UFMT, seria interessante uma intervenção na reitoria. Combatê-la fortemente, discurso arrojado, luta corpo a corpo, ocupações, tudo isto daria destaque às entidades. Por isso elas flertam com a possibilidade do pior. O que vai desapontá-las, certamente, é o fato do atual processo eleitoral ocorrer dentro de uma normalidade, chegar a um resultado relevante - em que pese as condições atuais. Só há um caminho para as entidades voltarem a ganhar força: a reinvenção. Mas isso elas não querem porque a consideram um produto capitalista. Querem combater nos dias de hoje com as armas de antanho.

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