Artigos Quinta-Feira, 03 de Setembro de 2020, 17h:00 | - A | + A

ECONOMIA

Lobo-guará, o que anuncias?

Diogo Botelho

Se o lobo-guará não atendeu as expectativas estéticas de boa parte dos brasileiros, mal sabem a tragédia que anuncia a veiculação desta nova cédula. 

 

Em termos práticos, é importante compreendermos que, muito embora, nossa renda, salário e dinheiros sejam pagos em reais, a verdade é que tudo que consumimos é em dólar! Isto porque, o brasileiro acorda para a vida com um despertador fabricado na China; toma seu banho num chuveiro elétrico, também, fabricado na China; enxuga-se numa toalha tecida na Indonésia, prepara seu café numa cafeteira cujas peças são japonesas, e morde seu primeiro pedaço de pão, que é trigo, e que é importado da Argentina. Acessa seu celular de tecnologia norte-americana, fabricado na Coréia do Sul e montado na China. Vai para o trabalho com combustível refinado no Oriente Médio, liga seu computador com programas e softwares vindos de fora do Brasil, tudo para ao final do expediente, correr até a farmácia mais próxima para comprar um medicamento com composto químico que, em boa parte, não é fabricado no Brasil. Ao final do dia, abre um vinho chileno ou argentino para, enfim, descansar...

 

Veja, portanto, que desde o pão nosso de cada dia até o vinho que suaviza nosso paladar depois de um dia indigesto, dependem, diretamente do mercado internacional. E a moeda oficial de negociação é o dólar! Não se vende, não se compra, não se negocia senão pelo, e através, do dólar!

 

Assim, não precisa ser um expert em economia para compreender que moeda forte em relação ao dólar é o que mantém a higidez inflacionária e, principalmente, o poder de compra do brasileiro. Moeda fraca é sintoma de pressão inflacionária e pobreza generalizada. 

 

A título de exemplo, há cinco anos, em agosto de 2015, com a cotação média do dólar a U$ 3,13, os R$ 200,00 equivalia ao poder de compra do brasileiro de U$ 63,89! Agora, na semana da pátria de 2020, o nosso lobo-guará equivale a U$ 37,45! Traduzindo em miúdos, o brasileiro ficou 58% mais pobre! Ficou mais caro adquirir o pão, o café, o remédio, a toalha, ou seja, todos os itens básicos para a mínima condição de vida.  

 

A tragédia que o lobo-guará anuncia é esta! A nossa velha onça pintada já não é suficiente para fazer a feira. Também, a nossa garoupa não consegue comprar àqueles itens indispensáveis, tudo em virtude da grave desvalorização da moeda! 

Essa realidade me lembra à infância, quando, antes da implantação do plano real em 1 de julho de 1994, minha carteira, aquela de velcro, era recheada de notas, ou como diz nosso povo, estufada de papel moeda, porém, sem nenhum valor, afinal, mal dava para comprar figurinhas para meu álbum que nunca completei...

 

Diogo Botelho é advogado.

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