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Sábado, 27 de Março de 2021, 08h:00 | - A | + A

PANDEMIA NO BRASIL

Negacionismo virou catástrofe anunciada

Carlos Veggi Atala

Ao atingirmos a marca de 300 mil mortes ocasionadas pela covid-19, consequentemente elevando o Brasil à triste marca de primeira posição no mundo em mortes diárias por esta doença, se faz necessário tecer algumas reflexões.

 

1. Nunca foi uma gripezinha ou resfriadinho, nem tampouco nós estaríamos protegidos por sermos um país tropical, ou termos um histórico de atleta, muito menos atingiria apenas nossos velhinhos, que tinham que morrer, segundo o maior mandatário da nação.

 

2. Negar a ciência foi o maior erro. Apostar em teorias da conspiração tornou-se uma catástrofe anunciada.

 

3. Apostar em protocolos de tratamento precoce, com cloroquina, vermífugos e antibióticos, talvez com a finalidade de encorajar as pessoas a saírem em busca do seu sustento, desta feita contaminando-se, assim provocando a tal da “imunização de rebanho”. Foi uma aposta macabra, já que a letalidade dessa doença é de aproximadamente 5% dos infectados, sendo que para atingir a imunização de rebanho, seria necessário

infectar 70% da população de 212 milhões, que seria algo em torno de 150 milhões, desses, 5% viriam a óbito, nada menos do que 7 milhões de mortos, um verdadeiro genocídio.

 

4. Mesmo após todas as evidências de que a única saída era seguir as orientações da ciência, nossa diplomacia, que é altamente ideológica, não entrou na busca antecipada das vacinas, preferiu buscar spray milagroso, nosso Ministério de Ciência e Tecnologia não investiu em produção de vacinas próprias, também mergulhou no “milagre” do vermífugo Annita (Nitazoxanida).

 

5. Juntou-se à negação da ciência, as teorias conspiratórias, de que o vírus é chinês para quebrar a economia mundial, e que as vacinas viriam com nanochip, que alterariam o DNA das pessoas transformando-as em jacarés. Com estas tolices, o Brasil ficou fora da compra de vacinas e corremos atrás dos prejuízos. Para completar essa tragédia, tivemos a dança das cadeiras no Ministério da Saúde. Claro que esse troca, troca de

ministros, tem tudo a ver com o alinhamento ao obscurantismo, “conspiracionismo” e o próprio negacionismo que assola o Brasil.

 

Por fim, para finalizar, mesmo após todas estas constatações e um ano após a instalação da pandemia, o Brasil engatinha na formação de um comitê de crise, para conduzir as ações com a finalidade de conter a mortandade

crescente. Governadores e prefeitos agem cada qual por sua conta e risco, a nação não tem um comando, não tem um líder, não tem um estadista. O que mais se vê hoje é a procura frenética em aumentar o número de UTIs, garantir oxigênio e fármacos para intubação. Digamos que se amplie o dobro das UTIs existentes, se garanta o oxigênio e os fármacos para intubação. Estaremos aliviados? Mesmo tendo conhecimento do estudo da UFMG de que quase 50% dos intubados vem a óbito?

 

A Ciência grita e apela para que se apliquem medidas preventivas e não intervencionistas no tratamento da covid. A imunização é o caminho que preservaria vidas, vidas estas que poderiam ser as responsáveis por alavancar a economia. Sem elas não há economia.

 

Diante do quadro estarrecedor, com mortes crescentes, e a cada dia o MS anuncia um número de imunizantes e logo reduz esse número, ao novo ministro da Saúde, se não quiser carregar nas costas o colapso na saúde e pior ainda, o colapso funerário como advertiu Miguel Nicolelis, e duplicar o número de vidas perdida, lhe resta costurar um isolamento social efetivo como única alternativa para frear o avanço. Isolamento com renda digna para que os trabalhadores fiquem em casa, com a garantia de se alimentar nesses 27 dias mínimos que requer a situação atual.

 

Siga o exemplo da China, Vietnam, Austrália, Cuba, Nova Zelândia, que mesmo sem ter imunizado sua população vivem aliviados dos efeitos dessa pandemia.

 

Carlos Veggi Atala é professor e ex-diretor do Procon Municipal de Cuiabá

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