Artigos Quinta-Feira, 23 de Maio de 2019, 10h:47 | - A | + A

FÁBIO DE OLIVEIRA

O abandono de Poconé

Fábio de Oliveira

Há alguns anos, a grande maioria população brasileira teve que modificar por completo seus hábitos de consumo. Com a crise econômica instalada, crise esta que gerou 14 milhões de desempregados em todo o país, o sentimento geral é o de desesperança. Todo este caos poderia ser bem menor se o Brasil compreendesse o papel do turismo no desenvolvimento econômico, com investimentos no setor. Uma estimativa bastante razoável aponta que o setor poderia gerar no mínimo 2 milhões de empregos diretos em um curto espaço de tempo. Mas o cenário atual está muito distante disso e temos exemplos bem próximos de nós para comprovar isso.

 

Localizada a cerca de 100 quilômetros de Cuiabá, a cidade de Poconé é considerada a porta de entrada do Pantanal, um bioma único, uma dádiva de Deus ao povo de Mato Grosso. No entanto, o município sofre com o abandono, com a falta de estrutura e condições para receber os turistas que, nem mesmo as paisagens mais exuberantes, como a florada dos ipês, por exemplo, conseguem apagar a má impressão deixada em quem chega à cidade.

 

O cenário para quem chega é simplesmente desolador. Casas abandonadas, obras incompletas, vias esburacadas, prédios históricos sob o risco de desmoronamento, enfim, toda a sorte de problemas gerados por um Poder Público – em todas as suas esferas – ineficiente. A situação é tão caótica que a região poderia pegar para si a alcunha de “Vale dos Esquecidos”, usada pela população do Araguaia – outro ponto que poderia ser melhor explorado turisticamente – quando trata de seus problemas.

 

Claro que estes problemas não afligem apenas quem vai a passeio ao Pantanal, maior planície alagada do mundo. Eles afetam os cerca de 30 mil habitantes que ali vivem, que ali criam seus filhos e netos, que dali tiram seu sustento. Ao conversar com aquelas pessoas, a sensação que elas nos passam é a de que foram completamente esquecidas, deixadas à própria sorte, vivendo em meio ao abandono tendo ao lado um dos maiores tesouros da natureza.

 

Para se ter uma ideia do potencial que toda a região tem de desenvolvimento, é preciso lembrar que o turismo é responsável por nada mais, nada menos, do que 10% de toda a riqueza gerada no mundo. Imaginem quanto destes recursos poderiam estar em circulação em Mato Grosso se tivéssemos condições de receber melhor nossos turistas, sobretudo porque em nenhum outro lugar do planeta há algo sequer parecido com o Pantanal.

 

Investir em turismo para o Pantanal, especificamente em Poconé, não é algo que demande uma montanha de dinheiro. Basta ao Poder Público fazer a sua parte, tirar aquela gente do abandono que certamente a iniciativa privada fará sua parte e poderemos tirar deste presente da natureza todo o potencial que ele tem.

 

 

*Fábio de Oliveira é advogado, contador e mestre em ciências contábeis

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