Artigos Segunda-Feira, 11 de Maio de 2020, 08h:52 | - A | + A

COMUNICAÇÃO

Podcast: as baratas Jedi na comunicação corporativa

Daniela Lepinsk Romio

A bela voz de Freddie Mercury já cantava o amor pelo rádio em 1984, embalando noites adolescentes com a deliciosa Radio Ga Ga. Mais de 35 anos atrás, até o Queen  se preocupava com a possibilidade de que o rádio fosse engolido pelo vídeo e se extinguisse como meio de comunicação. 

 

Mas o rádio é como as baratas: diz a lenda que elas sobreviveriam a uma hecatombe nuclear e dominariam o mundo – o que pode ser pura fake news, mas me aterroriza a cada vez que uma delas aparece na minha frente tentando me matar e eu não tenho um frasco de veneno à mão. 

 

Não que o rádio me aterrorize. Porém, sempre foi um fator de frustração em minha vida nunca ter feito rádio. Sou jornalista formada no impresso e forjada em comunicação corporativa. Cuido de crises de imagem, escrevo artigos, dou media training. Não faço as coisas divertidas. Portanto, depois de 20 anos de profissão, a descoberta do podcast como ferramenta de trabalho acabou se transformando em uma válvula de escape duplamente valorosa para mim – afinal, podcast é rádio na essência, no formato e no jeito de ouvir. Só muda a plataforma. 

 

E o rádio mais uma vez dá um chapéu darwiniano nos descrentes e cresce, a despeito de todos os prognósticos de soterramento e morte das últimas décadas. As próprias emissoras se apropriaram também do podcast e disponibilizam seus programas para 'ouvir depois' no site (e se alguém da minha geração nunca gravou um programa de rádio quando adolescente, sorry, mas nem pode dizer que viveu direito).

 

Voltando à seriedade que o tema requer: há três meses temos vivido e experiência de gravar o podcast Indústria Presente, no Sistema Fiemt. De tanto escrever e reescrever o projeto e esperar o momento ideal, quando já tivéssemos uma sala com isolamento acústico e o equipamento todo comprado e funcionando, decidimos deixar a teoria de lado e simplesmente começamos.

 

Eu e o jornalista Eduardo Cardoso (um curinga que sabe tudo de rádio, podcasts, locução e outros paranauês do jornalismo, além de ter um texto excelente), com o apoio do nosso presidente Gustavo de Oliveira (que encampou a ideia e deixou a equipe livre e solta pra criar), desenhamos as primeiras pautas e temos levado aos industriais, toda semana, um novo episódio, sempre tratando de temas relacionados a algum aspecto da industrialização de Mato Grosso. 

 

O programa ainda é embrionário, temos muitos ajustes em andamento, nem sempre a semana tem dias suficientes para materializar nossas ideias mirabolantes – mas tem futuro. Podcast pode ser ouvido em qualquer lugar, fazendo outras coisas. Vira um vício! E é uma tremenda ferramenta de comunicação corporativa. 

 

O maior pavor de quem trabalha com comunicação – no meu caso, o segundo maior, porque o primeiro são as baratas – é sua excelência, o ruído. E hoje a realidade das redes sociais, com destaque honorário ao Whatsapp, é a alta disseminação de ruído amplificado. Umberto Eco já disse que as redes deram o direito à palavra a uma "legião de imbecis" e que a internet "promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade". 

 

Controverso, afinal a democratização do acesso à fala trazida pela rede não pode ser considerada de todo negativa. Mas o fato é que a quantidade de bobagens, absurdos, teorias da conspiração, textos anti-científicos, orações, gifs de bom-dia-boa-tarde-boa-noite e artigos mal escritos sobre assuntos aleatórios falsamente assinados por famosos dominam os espaços virtuais. Nesse espinheiro de ruído, garimpar informações úteis, relevantes e confiáveis é trabalhoso, cansativo e pouco eficiente. 

 

A existência do podcast ajuda a trazer foco. As plataformas já fazem alguma curadoria dos materiais, ajudando a direcionar o ouvinte aos temas que lhe interessam mais. Como podem ser ouvidos enquanto se faz outra coisa, não consomem tanto o pacote de dados e não demandem que se baixe arquivos, os programas vão ganhando cada vez mais espaço na rotina das pessoas.

 

Essa possibilidade de falar de forma segmentada, diretamente para o seu público de interesse, com custo e tempo de edição muito menores do que os necessários para produção de vídeo, fazem do podcast um canal extremamente interessante para a comunicação corporativa. Na Fiemt, estamos no início: ainda erramos bastante e não chegamos nem perto do que temos potencial para entregar. Vamos começar a pesquisar a percepção do nosso público, pois temos muitas dúvidas sobre o melhor modo de fazer o canal chegar às pessoas certas e despertar o interesse genuíno delas. 

 

Mas eu não tenho dúvidas quanto à relevância do formato: se o rádio é como as baratas, o podcast será algo como baratas Jedi. Já me decidi até a comprar os equipamentos e aprender a produzir. Quem sabe possa me aventurar para além dos temas industriais. Afinal, tenho muito tempo livre da meia-noite às 6h – e não abandono o microfone nunca mais. 

 

 

Daniela Lepinsk Romio, Jornalista, Gerente de Comunicação do Sistema Fiemt

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