Caldeirão Político Quinta-Feira, 31 de Outubro de 2019, 06h:36 | - A | + A

CULTURA & POLÍTICA

A lição que todo político precisa aprender

Da Redação

 

Nesta quinta-feira, dia 31 de outubro, o país comemora o aniversário de nascimento do maior poeta brasileiro: Carlos Drummond de Andrade. Mineiro de Itabira, nasceu em 31 de outubro de 1902 e faleceu no dia 17 de agosto de 1987. Drumond foi o poeta mais influente do século 20 no Brasil, referência para as novas gerações.

 

A comemoração do aniversário do poeta está aqui, na coluna de política, para chamar a atenção do que anda faltando ao país dos radicalismos de direita e esquerda, o respeito ao Outro. A poesia que supera a ignorância e ensina a amar.

 

Carolina Marcello, mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes, analisa um dos mais belos poemas de Drummond: Amar

 

“Apresentando o ser humano como um ser social, que existe em comunicação com o outro, nesta composição o sujeito defende que o seu destino é amar, estabelecer relações, criar laços.

 

Descreve as várias dimensões do amor como perecíveis, cíclicas e mutáveis ("amar, desamar, amar"), transmitindo também as ideias de esperança e renovação. Sugere que mesmo perante a morte do sentimento, é preciso acreditar no seu renascimento e não desistir.

 

Apontado como "ser amoroso", sempre "sozinho" no mundo, o sujeito defende que a salvação, o único propósito do ser humano está na relação com o outro.

 

Amar

Que pode uma criatura senão,

entre criaturas, amar?

amar e esquecer, amar e malamar,

amar, desamar, amar?

sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,

sozinho, em rotação universal,

senão rodar também, e amar?

amar o que o mar traz à praia,

o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,

é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,

o que é entrega ou adoração expectante,

e amar o inóspito, o cru,

um vaso sem flor, um chão de ferro,

e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e

uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,

distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,

doação ilimitada a uma completa ingratidão,

e na concha vazia do amor a procura medrosa,

paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor,

e na secura nossa amar a água implícita,

e o beijo tácito, e a sede infinita.

(Carlos Drummond de Andrade)

 

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