Caldeirão Político Quarta-Feira, 20 de Maio de 2020, 16h:14 | - A | + A

PESQUISA XP IPESPE

Avaliação do governo Bolsonaro piora e atinge patamar mais baixo desde a posse

Segundo pesquisa, 58% reprovam atuação do presidente contra a Covid-19

Amauri Teixeira

Correspondente em Lisboa

A mais recente pesquisa de opinião realizada pelo fundo de investimento XP e pelo instituto Ipespe mostra que a avaliação do governo de Jair Bolsonaro permanece em queda. No intervalo de dois meses, a avaliação negativa do governo cresceu 14 pontos percentuais. 

 

Segundo a pesquisa divulgada nesta quarta-feira, 20 de maio, 50% dos brasileiros consideram o governo Bolsonaro ruim ou péssimo, enquanto 25% avaliam o governo como ótimo ou bom. Entre os entrevistados, 23% afirmam que o governo é regular. A diferença entre a soma das avaliações negativas e a soma das avaliações positivas é de 25 pontos percentuais, o pior resultado já registrado pelo governo. Há 20 dias, o estudo XP/Ipespe registrou que 49% consideravam o governo ruim ou péssimo, 27% o avaliaram como ótimo ou bom e outros 24% classificaram o governo como regular. 

 

Desde os primeiros casos de Covid-19, Bolsonaro tem defendido medidas que contrariam as recomendações da Organização Mundial da Saúde e de estudos científicos, demitiu dois ministros da Saúde e ainda passou a enfrentar as consequência do pedido de demissão de Sérgio Moro do ministério da Justiça. O presidente já chamou a Covid-19 de gripezinha, passeou de jet ski no dia em que mais de 400 pessoas morreram por causa do coronavírus e participou de manifestações desobedecendo a recomendação de distanciamento social.

 

O conjunto de inconsequências de Bolsonaro se reflete na avaliação de seu governo. A queda no prestígio do governo acelera à medida que cresce a reprovação à atuação de Bolsonaro no combate ao coronavírus. Neste momento, 58% avaliam como ruim ou péssima a atuação do presidente no combate à doença, contra apenas 21% que a consideram ótima ou boa e 19% que a consideram regular. Na rodada de 20 março, 18% avaliavam a atuação de Bolsonaro no combate à doença como ruim ou péssima, 41% aprovavam sua atuação e 33% a consideravam regular.

 

A pesquisa mostra ainda uma piora na expectativa dos brasileiros para o restante do mandato presidencial: 48% afirmam que o restante do mandato de Bolsonaro será ruim ou péssimo (eram 46% há 20 dias) e 27% afirmam que será ótimo ou bom (30% na rodada passada). Após a posse, em janeiro de 2019, 63% acreditavam que o governo seria ótimo ou bom e 15% diziam que seria ruim ou péssimo.

 

A avaliação do governo Bolsonaro é majoritariamente negativa em quase todos os estratos sociais investigados. O saldo de avaliação só permanece positivo entre os eleitores que se declararam evangélicos (37% de ótimo e bom contra 32% de ruim e péssimo). Em outros segmentos que usualmente tinham opinião mais favorável em relação ao governo, as menções negativas superaram as positivas. Isso pode ser observado, por exemplo, entre os homens (33% de ótimo e bom contra 44% de ruim e péssimo) e nos eleitores da região Sul (31% de ótimo e bom contra 41% de ruim e péssimo) e da região Norte/Centro Oeste (27% de ótimo e bom contra 48% de ruim e péssimo).

 

As piores avaliações do governo Bolsonaro são observadas na região Nordeste (16% de ótimo e bom contra 60% de ruim e péssimo); no eleitorado feminino (18% de ótimo e bom contra 56% de ruim e péssimo); nas capitais (19% de ótimo e bom e 59% de ruim e péssimo) e entre os mais jovens (22% de ótimo e com e 56% de ruim e péssimo).

 

Ao apontar pela segunda rodada consecutiva uma avaliação positiva abaixo de 30%, a pesquisa XP/Ipespe desmonta o argumento, defendido por analistas políticos, que Bolsonaro manteria uma base de apoio popular próxima a um terço do eleitorado.

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