Caldeirão Político Quarta-Feira, 20 de Maio de 2020, 07h:56 | - A | + A

PIADA DE MAU GOSTO

Um presidente prisioneiro do deboche, a marca do seu caráter

Pedro Pinto de Oliveira

Com Agência Estado

 

O presidente da República, Jair Bolsonaro, é prisioneiro do que há de pior no seu caráter: o deboche. Uma força irresistível que controla a sua performance na maioria das sua aparições midiáticas. Debochar, de alguém ou de alguma coisa, é o que lhe dá prazer, a razão de ser do sujeito que é. Politicamente, esse jeito de ser, é preciso admitir, lhe aproxima do sujeito comum, alimenta seu populismo. E fica confortável por ser absolutamente natural: o jeito tosco é real.

 

Bolsonaro fez mais uma piada de mau gosto em meio à escalada de mortes de brasileiros vítimas da Covid-19. A piada de agora tem o ingrediente de fortalecer o embate ideológico que alimenta seus cães digitais, a tensão entre o "nós x eles".

 

O presidente da República brindou os brasileiros com este novo deboche raso:

 

'Quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda, Tubaína', diz Bolsonaro

 

Em entrevista ao jornalista Magno Martins, o presidente fez piada com o tema, alvo de divergências devido aos possíveis efeitos colaterais. As diretrizes do governo sobre o medicamento também provocaram o pedido de demissão do ex-ministro da Saúde, Nelson Teich. "Quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda, Tubaína", repetiu várias vezes ao fazer piada com o assunto.

 

"O que é a democracia? Você não quer? Você não faz. Você não é obrigado a tomar cloroquina, agora, quem quiser tomar que tome", disse.

 

Recorde de mortes

 

As declarações de Bolsonaro sobre o assunto ocorrem no mesmo dia em que o País bateu recordes em números de mortes e novos casos de coronavírus. Foram mais de mil óbitos decorrentes da doença em apenas 24 horas, totalizando quase 18 mil vítimas fatais. Além disso, com 17,4 mil diagnósticos em apenas um dia, o Brasil chegou a cerca de 270 mil casos registrados de covid-19 nesta terça-feira (19).

 

Estratégia comunicativa

 

O presidente Bolsonaro deu, depois, uma declaração para a Imprensa lamentando as novas mortes. Mas novamente usando a sua estratégia comunicativa: nas redes sociais promove o escárnio, na imprensa pede desculpas. Ele não usa, na maioria das vezes, as suas redes sociais para se desculpar, aquele espaço público é reservado majoritariamente para atiçar a sanha dos seus cães digitais.

 

 

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