Cidades Terça-Feira, 14 de Maio de 2019, 16h:52 | - A | + A

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Casos de feminicídio continuam chocando o país

Corpos de duas mulheres encontrados no quintal de uma residência em Cuiabá se somam aos alarmantes dados de violência contra a mulher no Brasil

Safira Campos

DA REDAÇÃO

Ontem (13), o estado de Mato Grosso foi surpreendido pela informação de que a  Polícia Civil teria encontrado no quintal de uma casa a ossada de uma mulher e de que mais um corpo teria sido enterrado no local. O morador da residência, Adilson Pinto da Fonseca, confirmou ter matado e enterrado sua então namorada, Talissa Oliveira Ormond, de 22 anos, e de sua ex-esposa Benildes Batista de Almeida, de 40 anos. As vítimas estavam desaparecidas desde 2013, quando teria acontecido o assassinato. As motivações dos crimes ainda estão sendo investigadas.

 

Assim como com Talissa e Benildes, a maior parte dos casos de violência contra mulher partem dos companheiros ou ex-companheiros das vítimas, segundo dados da Central de Atendimento à Mulher. Só no primeiro semestre de 2018, foram registrados mais de 3 mil casos de feminicídios ou tentativas do crime, sendo a maioria cometida por pessoas próximas.

 

Em Mato Grosso, a primeira vez que a Secretaria de Segurança do Estado fez um levantamento a esse respeito foi no ano passado, 2018, quando 38 casos foram registrados. Nas ocorrências de homicídios de mulheres, 46% são feminicídios, ou seja, as vítimas são mortas pelo simples fato de serem mulheres.

 

Reprodução

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Para a defensora pública e coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher do Estado de Mato Grosso, Rosana Leite,  chantagens e ameaças costumam ser os primeiros sinais de violência. Segundo Rosana, muitos casos ocorrem pelo fato das vítimas não saberem os seus direitos, o que as limita de reconhecer as primeiras situações de perigo: “é preciso disseminar na sociedade os direitos femininos. Muitas não conhecem os direitos humanos das mulheres, ou conhecem superficialmente. É preciso trabalhar para que elas reconheçam situações cotidianas de perigo, fora e dentro de casa”.

 

Atualmente, a Associação Mato-grossense das Defensoras e Defensores Públicos integra Campanha Nacional de Direitos das Mulheres, esse ano denominada de “Em defesa delas”. Segundo o presidente do Colégio Nacional de Defensores Públicos Gerais (Condege), Pedro Paulo Coelho o foco da campanha é apresentar, por meio de ações em vários estados, os direitos das mulheres: “o foco será a educação em direitos, ou seja, o necessário trabalho de conscientização da sociedade e também dos agressores através de palestras, cursos e rodas de conversa com o objetivo de quebrar o ciclo da violência e cooperar para a redução da desigualdade de gênero", afirmou.

 

COMBATE AO CRIME

 

Em 2015 o Brasil sancionou a Lei 13.104/2015, que introduz uma qualificadora que aumenta a pena para autores de crimes de homicídio praticado contra mulheres. A aplicação da qualificadora eleva a pena mínima deste crime de 6 para 12 anos e a máxima, de 20 para 30. Houve, entretanto, de 2017 para 2018, aumento nos casos de feminicídios em12%, segundo Monitor da Violência, uma parceria do G1 com o Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

 

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