Economia Terça-Feira, 05 de Novembro de 2019, 16h:29 | - A | + A

EXPECTATIVA DO SETOR

Acrimat acredita na abertura do mercado americano

O estado exporta para mais de 80 países e a rentabilidade em 2019 aumentou quase 20%

Suzi Bonfim

da Redação

Agência Brasil

carne

 

A Associação de Criadores de Gado de Mato Grosso (Acrimat) acredita que o Brasil vai viabilizar a liberação das exportações para os Estados Unidos depois que o governo americano realizar uma auditoria in loco, em plantas frigoríficas brasileiras. Em nota à imprensa, a entidade manifestou o apoio à condução das negociações realizadas pelo governo federal. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, viaja no dia 17 de novembro para os EUA onde se encontra com o secretário de Agricultura norte-americano, Sonny Perdue, para tratar do assunto.

 

O porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, informou nesta terça-feira (5),  a decisão do governo americano em manter o embargo decretado, em março de 2017, com base no resultado de uma inspeção técnica realizada pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) em unidades brasileiras de produção de carne. O relatório foi entregue ao Ministério da Agricultura e Abastecimento do Brasil na última quinta-feira (30)

 

A diretora executiva da Acrimat, Daniela Bueno, considera que as chances de convencer os americanos são grandes. “Depois do caso da Carne fraca o Brasil definiu mudanças na inspeção dos frigoríficos que garantiram mais credibilidade ao setor. O Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal-  RIISPOA foi aperfeiçoado”, apontou a diretora executiva. 

 

De acordo com a Acrimat, o Brasil é o maior exportador global de carne bovina in natura. O volume em outubro, deste ano, totalizou 160,10 mil toneladas, quebrando o recorde mensal anterior, de 150,7 mil toneladas registrado em setembro de 2018, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Em receita, os embarques do mês passado alcançaram US$ 716,08 milhões.

 

Mato Grosso, em outubro, contribuiu com a exportação de  46.01 mil toneladas, que representam  US$ 154 milhões. Este ano, o total comercializado pelo estado no mercado internacional teve um aumento de 19,68%, com 334,67 mil toneladas exportadas e um rendimento de US$ 1.010,82  bilhão.

 

A pecuária de corte mato-grossense foi impulsionada com ampliação do mercado chinês que, desde de setembro, passou a comprar a produção de mais seis frigoríficos. Agora, são sete plantas exportando para a China que é a primeira em volume, mais de 20 mil toneladas, e o segundo em valores, US$ 45,81 milhões, em comercializados, outubro deste ano, de acordo com o Boletim do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Em primeiro esta a União Européia  com  a aquisição de mais de US$ 79 milhões de carne in natura de Mato Grosso.

 

A Acrimat não tem uma estimativa de quanto o mercado americano pode representar em volume de exportação para o Brasil, mas, com certeza, vender para o país governado por Trump poder abrir muitas portas para a carne brasileira. “Um país como os EUA que não vacina, comprar carne in natura do Brasil que realiza a vacinação do rebanho  é uma referência de confiabilidade em relação ao produto. Além disso, é um país que remunera muito bem”, constatou Daniela Bueno assegurando que Mato Grosso está apto a exportar para os americanos. Hoje o estado exporta para 80 países:  China e Hong Kong e Rússia e para a União Européia e Oriente Médio.

 

Carne Fraca

 

Segundo a Agência Brasil, a Polícia Federal , na Operação Carne Fraca,  desarticulou um esquema de corrupção envolvendo fiscais agropecuários a serviço do Ministério da Agricultura e donos de frigoríficos nos estados do Paraná, de Minas Gerais e Goiás. De acordo com a PF os fiscais investigados na operação recebiam propina das empresas para emitir certificados sanitários sem fiscalização efetiva da carne e que o esquema permitia que produtos com prazo de validade vencido e com composição adulterada chegassem a ser comercializados.

 

De acordo com a operação, eram usados substâncias para “maquiar” a carne vencida. Ao todo, foram expedidos 27 mandados judiciais de prisão preventiva, 11 de prisão temporária, 77 de condução coercitiva e 194 de busca e apreensão. Ao todo, 21 frigoríficos foram investigados na operação. Além disso, o Ministério da Agricultura afastou 33 fiscais de suas atividades. Na época, o então ministro da Agricultura Blairo Maggi teve um papel fundamental na negociação com o mercado internacional para recuperar a credibilidade da carne brasileira. 

 

 

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