Economia Quarta-Feira, 14 de Outubro de 2020, 13h:12 | - A | + A

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Com devastação recorde, especialistas discutem retomada econômica no Pantanal

Sudeco estuda formas de facilitar linhas de crédito para produtores da região.

Safira Campos

Da Redação

Christiano Antonucci / Secom-MT

Pantanal

 

A primeira quinzena do mês de outubro não trouxe o alívio esperado nas queimadas que têm devastado o Pantanal brasileiro. Apenas entre 1 e 14 de outubro deste ano, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inpe), registrou 2.291 focos de calor no bioma. No mesmo período do ano ano passado, os satélites apontaram para apenas 388. No acomulado de janeiro a outubro deste ano já foram 20.550 focos, o que representa um aumento de 221% até o momento. 

 

A incalculável perda não afeta apenas a biodiversidade. Moradores e pequenos empresários, que têm sua vida financeira baseada em atividades pecuárias e turísticas na região, contabilizam as perdas das pastagens e de infraestrutura. Mesmo aqueles que conseguiram salvar o gado, tiveram os gastos multiplicados com pastagens alugadas, compra de ração, confinamentos, etc.

 

A situação tem sido discutida por especialistas que têm estudado soluções para a retomada da economia do Pantanal, bem como nas ações de preservação do bioma. Recentemente, a Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) divulgou que vem avaliando formas de facilitar a concessão de linhas de crédito para produtores da região. 

 

“Estamos consultando as instituições financeiras e as federações para avaliarmos o volume de crédito concedido à região pantaneira. Desta forma, podemos avaliar os prejuízos causados e ver que tipo de ação nós podemos adotar para conceder prazos maiores a esses financiamentos, socorrendo os produtores nesse momento grave”, afirmou superintendente da Sudeco, Nelson Fraga em audiência pública promovida pelo Senado. 

 

Também há a intenção de criar normas de proteção do meio ambiente alinhadas ao desenvolvimento econômico da região. Comissões tanto do Senado, quando da Câmara dos Deputados, têm discutido as melhores formas de trabalhar pela preservação do bioma. Representantes de instituições como Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) e Serviço Social do Comércio (SESC) têm sido ouvidos na elaboração de um plano. 

 

Para Fraga, há a necessidade de promover projetos que possam contribuir para a recuperação de áreas como as das bacias do alto, médio e baixo Taquari. Ele argumenta que não há como produzir com qualidade sem que a preservação seja carro-chefe do trabalho. “Nós já temos no estado a biodiversidade; já temos o selo da ONU, que destaca o Pantanal como o terceiro maior bioma do mundo, e não estamos sabendo aproveitar isso para agregar valor e estimular o produtor do pantanal a continuar produzindo com qualidade e conservando aquela região”, disse ao Senado.

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