Economia Quinta-Feira, 23 de Julho de 2020, 13h:30 | - A | + A

SEM CRISE NA PANDEMIA

Contrariando expectativas, setor imobiliário de MT registra alta em negociações

Com muito tempo dentro de casa, as pessoas começaram a notar que queriam algo diferente do que tinham, isso de certa forma fomentou o setor.

Ana Adélia Jácomo

Da Redação

Frio em Cuiabá

 

Cerca de quatro meses após o início da pandemia do novo coronavírus em Mato Grosso, o setor imobiliário respira aliviado e comemora o fato de a crise mundial não ter inviabilizado as atividades. Ao contrário. O mercado de compra, venda e locação de imóveis tem se desenvolvido e surpreendeu com um melhor desempenho durante o momento de isolamento social.

 

Imóveis comerciais, no entanto, apresentaram uma certa redução de rentabilidade. Uns foram desocupados temporariamente por conta das restrições nas atividades comerciais, outros acabaram fechando as portas ou abrindo falência, e há ainda os que estavam iniciando os atendimentos e decidiram recuar antes de terem maiores prejuízos financeiros. A pandemia, além de desestimular quem estava pensando em montar algo, ainda quebrou muitos. Isso vai fazer com que a oferta aumente e o preço diminua em breve.

 

Contudo, as vendas e locações do setor residencial cresceram bastante em Mato Grosso, tanto que os valores dos imóveis sofreram reajustes e passaram a ser mais caros no Estado. Em rápida busca por sites especializados é possível perceber um aumento nos valores que chegam a 30%.

 

O fenômeno se dá pela alta procura. Com muito tempo dentro de casa, as pessoas começaram a notar que queriam algo diferente do que tinham, isso de certa forma fomentou o setor. A demanda por locação de chácaras, sítios e condomínios também apresentou forte demanda, pois são locais onde as pessoas tendem a se sentir menos presas ou solitárias.

 

"Por incrível que pareça, a pandemia não judiou muito do setor imobiliário em Mato Grosso. Nós estamos conseguindo fazer negócios, respeitando os protocolos de biossegurança"

Um outro movimento inusitado no mercado foi o ‘downgrade’, que é quando as pessoas se mudam para algo menor. Por conta do convívio muito intenso durante a pandemia, o número de casais que se separaram aumentou, e cada um deles vai para um imóvel menor.

 

Diretor do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Mato Grosso (Creci-MT), Marcos Vinícius Pinto Biancardini afirmou ao PNB Online que no início da pandemia o setor temeu pelas graves consequências econômicas possíveis, no entanto, no decorrer dos meses percebeu-se que os especuladores (pessoas sem real interesse de compra) foram os únicos que desapareceram.

 

“Por incrível que pareça, a pandemia não judiou muito do setor imobiliário em Mato Grosso. Nós estamos conseguindo fazer negócios, respeitando os protocolos de biossegurança. O que aconteceu é que sumiram do mercado os especuladores. Aqueles que estavam começando a jornada de compra de um imóvel, que dura em torno de 180 dias. Eles começavam olhando como uma espécie de diversão, marcavam com corretores para ver imóveis e estudavam todas as possibilidades. Esse pessoal parou”.

 

Mayke Toscano/Secom-MT

Cuiabá

 

“Quem está saindo de casa é porque tem real interesse de compra, ele já especulou tudo que tinha na internet e separa de três a cinco imóveis. Vai só conferir se é realmente como ele viu na internet. O processo foi abreviado talvez pela disponibilidade de tempo que as pessoas estão tendo para ficar pesquisando imóveis na internet e a gente se adequou e melhoramos a exposição dos imóveis nos sites”, disse ele.

 

Sobre o reajuste nos valores, Biancardini afirma que no início do ano o mercado imobiliário vinha em uma retomada muito forte, então houve de fato correções nos preços, até porque, segundo ele, os valores ficaram congelados por quase cinco anos.

 

O que houve foi alguma inadimplência mas os locatários entraram em um entendimento por uma maior flexibilização. “Todo mundo reconheceu a situação atípica e fizeram acordos. Uns flexibilizaram 10%, outros 20%, 50% e outros deram 90 dias de carência, foi caso a caso. Não existe uma regra de mercado”, completou.

 

Biancardini observou que neste ano as construtoras de Mato Grosso apresentaram mais sucesso nas vendas dos imóveis novos. A Caixa Econômica Federal (CEF) bateu recorde de concessão de crédito imobiliário neste ano, com a liberação de R$ 5 bilhões. A meta para o ano é de R$ 17,4 bilhões.

 

“A gente tinha medo no começo da pandemia mas, por exemplo, mês passado teve uma grande construtora aqui no Estado que bateu recorde de vendas da história. A Caixa Econômica também bateu recorde de financiamento imobiliário. Tem muitos corretores que falam brincando: eu gostaria que a pandemia durasse mais uns dois anos, evidente que sem matar ninguém. Porque está todo mundo conseguindo fechar negócios, o que tem no mercado está sendo vendido, comercializado, aluguel continua se mantendo e está sendo interessante. Não estou dizendo que está tudo lindo e ótimo, mas não foi tão sofrido como imaginávamos”, disse ele.

VOLTAR IMPRIMIR

COMENTÁRIOS

Copyright 2018 PNB ONLINE - Todos os direitos reservados. Logo Trinix Internet