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Quarta-Feira, 17 de Março de 2021, 09h:21 | - A | + A

ECONOMIA

Fiemt: Brasil pode virar roça do mundo por obsessão de exportar commodities

Ao PNB Online, presidente da Fiemt fez uma alarmante projeção de crise econômica para o ano de 2021.

Ana Adélia Jácomo

Da Redação

Gustavo de Oliveira, presidente da Fiemt

 

O presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), Gustavo de Oliveira, classificou como "lamentáveis" as recentes declarações do presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Carlos von Doellinger, que prevê um crescimento interno bruto na ordem de 4% para 2021 além de defender maiores investimentos no setor do agronegócio em detrimento das indústrias do Brasil.

 

Após fechamento de fábricas importantes como a Ford e a Sony no país, que gerou centenas de desempregados, Doellinger defendeu o fortalecimento do agro, da mineração e da energia para impulsionar a economia. Gustavo de Oliveira disse que Doellinger sugere que o Brasil seja transformado em uma “roça”.

 

“Esse senhor, devido ao alto posto que ocupa, parece querer transformar o Brasil na roça do mundo, produzindo minérios de ferro e alimentos. Então, com isso o Brasil se consolida mundialmente como uma roça e não é isso que nós queremos. É lamentável que o presidente do Ipea tenha essa postura diante de um importante setor da economia brasileira, que é a indústria”, disse.

 

Ao PNB Online, Gustavo fez uma alarmante projeção de crise econômica para o ano de 2021. A alta do dólar, cotado em R$ 5,66 nesta quarta-feira, somado à elevação no custo dos alimentos, combustível, energia elétrica e demais bens de consumo causarão forte crise, principalmente às famílias com renda de até cinco salários mínimos.

 

“As pessoas de menor faixa salarial têm dificuldades de manter o padrão de consumo que elas tinham há um ano, no início da pandemia. Além disso, temos que observar que alguns desses itens, como energia elétrica, transporte coletivo e outros que são influenciados pelo efeito cascata desses insumos de produtos, vão ser ainda mais impactados em 2021”, avaliou.

 

Por conta da pandemia do coronavírus, a data de reajuste da energia elétrica foi prorrogada pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). A previsão é que a majoração seja de 6,9% em 8 de abril. A energia mais cara, o combustível sendo reajustado frequentemente e a alta do dólar causam um efeito cascata, aumentando valores dos demais produtos automaticamente, como por exemplo o preço do frete.

 

“O cenário não é bom. A grande massa de trabalhadores terá seu padrão de consumo bastante prejudicado pela corrosão que esses reajustes fazem. Acompanho alguns estudos, como do Ipea, que calculou em pouco mais de 6% o impacto do custo, mas esse impacto é maior e já pode ser percebido nas prateleiras do supermercado e nas compras do mês. Enquanto falamos de aumentar estrutura e competitividade da empresa brasileira, para que a indústria possa produzir bens mais baratos, lamentavelmente o presidente do Ipea entende que o Brasil não deve apoiar a indústria”, completou.

 

Em entrevista ao Valor Econômico, Doellinger ressaltou que o país precisa apostar em suas vantagens comparativas e competitivas, seguindo o exemplo de nações como a Austrália. “Hoje, temos vantagens comparativas naturais de recursos em áreas cultivadas. Nós temos abundância de áreas a serem cultivadas, temos um agro muito forte, temos mineração, energia, podemos ser grandes exportadores. Podemos também investir e melhorar nossa produtividade, sem dúvida; reduzir o custo. Temos um dever de casa muito grande”, concluiu.

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