Economia Segunda-Feira, 23 de Março de 2020, 14h:01 | - A | + A

EFEITO CORONAVÍRUS

Rede hoteleira tem mais de 90% dos leitos desocupados; setor começa a fechar as portas

Mesmo que ainda não haja um levantamento do prejuízo causado pelos cancelamentos de hospedagens, empresários do setor buscam alternativas para evitar a falência.

Ana Adélia Jácomo

Da Redação

Divulgação

Hotel

 

Com um número de trabalhadores diretos e indiretos na ordem de 60 mil pessoas, o setor hoteleiro de Mato Grosso já sente os impactos do isolamento social impostos pelos governos para evitar a disseminação da pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

 

Mesmo que ainda não haja um levantamento do prejuízo causado pelos cancelamentos de mais de 90% das reservas e hospedagens, os empresários do setor buscam alternativas para evitar a falência. Existem no Estado mais de 650 hotéis, pousadas, resort e parques temáticos.

 

De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Mato Grosso (ABIH-MT), Jack Joseph Abboudi, até esta segunda-feira (23) as reservas e hospedagens foram praticamente zeradas. Além disso, hotéis já começam a fechar as portas e anunciar suspensão dos atendimentos.

 

“Da segunda-feira passada para hoje, as reservas e hospedagens caíram em torno de 90%. Hoje, os melhores hotéis estão trabalhando com apenas 10% do fluxo, quando o aceitável é em torno de 60% e, na melhor hipótese, com 90%”, avaliou.

 

Um dos exemplos é o maior resort do Estado, o Malai Manso, que anunciou nesta segunda-feira (23) a suspensão temporária das suas atividades até o dia 12 de abril. Essa data, no entanto, pode ser alterada caso a pandemia continue em crescimento. “O Malai teve acima de 90% de cancelamentos, então acharam melhor fechar”, disse Jack.

 

O Hotel Sesc Porto Cercado também anunciou a suspensão das atividades, que pode durar até 31 de maio. Serão quase dois meses de fechamento, com reembolso integral aos clientes que haviam feito pagamentos antecipados.

 

“Está todo mundo em desespero e o Governo Federal tem buscado saídas para evitar as demissões em massa. Já tem hotéis que vão fechar em Cuiabá e Várzea Grande, mas ainda não existe o cálculo em relação a prejuízos da rede hoteleira. Esses números devem ser levantados nos próximos dias”, disse Jack.

 

Ao PNB Online, ele afirma que nesta terça-feira (24) será realizada uma videoconferência com todos os 50 representantes de hotéis no Estado que são filiados à associação. O objetivo é realizar troca de informações sobre ações que têm sido tomadas em cada unidade.

 

“Existem muitas dúvidas em relação a como agir com os funcionários, se concedem férias, dispensa, sobre as camareiras, o que fazer com o estoque da geladeira, frigobar, sala de eventos. De repente, uma dica de um hotel pode ajudar outros”, avaliou o presidente.

 

PRESSÃO DO SETOR

 

A rede hoteleira em Cuiabá conta atualmente com 12 mil leitos. A ABIH-MT cobra do Governo Federal, por meio da Ministério da Economia, ações no sentido de amparar os cerca de 15 mil trabalhadores que terão seus contratos suspensos até que a pandemia seja declarada extinta.

 

“Estamos nesse exato momento cobrando ações do Ministério da Economia quanto à conversão dos contratos de trabalho. Porque uma empresa, seja no ramo da hotelaria ou qualquer outro tipo de atividade, sem receita, não vai pagar os funcionários. Não seria demissão. Seria suspensão. Os trabalhadores ficam em casa, mas sem receber os salários. A esperança é que o Governo garanta algum pagamento para os funcionários. Seja por meio do INSS, Seguro Desemprego ou FGTS”.

 

O vírus, que já matou mais de 17 mil pessoas pelo mundo, pode ter infectado ao menos 183 pessoas em Mato Grosso. Esse é o número de casos suspeitos. Foram confirmados dois, até o momento. O isolamento social é uma recomendação do Ministério da Saúde e da OMS - Organização Mundial de Saúde.

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