Esportes Quinta-Feira, 19 de Setembro de 2019, 10h:35 | - A | + A

ARENA-SERASA

Justiça acata pedido da Caixa Econômica e nome da Arena Corinthians vai parar no Serasa

A Justiça acatou o pedido da Caixa Econômica para incluir o nome da Arena Itaquera S/A no Serasa

ESTADÃO CONTEÚDO

A Justiça acatou o pedido da Caixa Econômica Federal para incluir o nome da Arena Itaquera S/A, que administra o estádio do Corinthians, no Serasa. O despacho é do dia 27 de agosto de 2019, mas até agora o nome da empresa não apareceu como inadimplente.

 

No processo, o banco informa que o Corinthians não paga as parcelas do financiamento da arena desde março e por isso cobra uma multa no valor de R$ 48,7 milhões. O presidente Andrés Sanchez concedeu coletiva na última sexta-feira e informou que apenas dois meses estavam atrasados. No entanto, lembrou que caso a Caixa não estivesse contando o período de um acordo verbal, esse atraso contaria desde março.

Reprodução/ Facebook Corinthians

Arena Serasa

A Justiça acatou o pedido da Caixa Econômica para incluir o nome da Arena Itaquera S/A no Serasa.

 

O clube havia acordado verbalmente com a gestão anterior da Caixa novo parcelamento da dívida que, segundo o banco, é de R$ 536 milhões. Desde o ano passado, existe um acordo entre as partes. Esse acerto de boca só não foi sacramentado até agora, segundo explicações do Corinthians, pela "perspectiva da iminente troca de comando da Instituição financeira".

 

A reportagem do Estado já detalhou em reportagem anterior que o acerto prévio teria validade até 2028. O clube pagaria parcelas mensais de R$ 6 milhões, de março a outubro de cada temporada, e R$ 2,5 milhões entre novembro e fevereiro, período em que há um menor número de jogos no calendário do futebol brasileiro. No começo do ano, os times estão se preparando para a temporada e no fim, quem não tiver outros competições, só disputam o Brasileirão, pelo calendário atual.

 

A Caixa emprestou inicialmente R$ 400 milhões ao Corinthians para a construção do estádio. Desde o início do financiamento, em 2014, o clube pagou cerca de R$ 160 milhões, sendo R$ 80 milhões de fevereiro de 2018 até agora. Mas como corre juros mensais, a dívida atual, segundo o Corinthians está na casa dos R$ 470 milhões. De acordo com a Caixa, R$ 536 milhões.

 

O imbróglio acontece no momento em que o Corinthians encaminhou acerto também com a Odebrecht. Além dos 400 milhões de dívida com a Caixa, o clube havia se comprometido a pagar R$ 420 milhões para a construtora. Esse valor viria por meio dos CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento), da Prefeitura de São Paulo.

 

Corinthians quer encerrar pendência e renegociar contrato com a Caixa

 

O Corinthians espera ainda neste mês encerrar a pendência jurídica com a Caixa Econômica Federal e acertar, por meio de contrato assinado pelas partes, a renegociação do financiamento da arena em Itaquera. O clube alega que tem condições de cumprir a previsão orçamentária e encerrar 2019 em dia com a dívida que tem com o banco.

 

O diretor financeiro do Corinthians, Mátias Romano Ávila, informou ao Estado que o dinheiro utilizado para pagar o financiamento vem das bilheterias e, caso não seja suficiente para saldar a dívida em alguns dos meses, há a possibilidade de incluir os valores de shows. Segundo ele, a previsão é de acontecer 20 eventos além do futebol no estádio.

 

"O que está previsto em nosso orçamento é transferir R$ 75 milhões de bilheteria neste ano para pagamento dessa dívida. É isso que pretendemos cumprir", comentou o diretor. O dirigente negou que o clube possa usar a eventual venda de jogadores para ajudar a amortizar a dívida com a Caixa, tampouco corre risco de ter suas garantias penhoradas. O banco informou no processo que o clube deve R$ 536 milhões. O Corinthians diz que a dívida é de R$ 470 milhões, porque não inclui multa por atraso. "Em nosso orçamento há a previsão de usar até R$ 6 milhões de outras áreas além da bilheteria da arena. Pretendemos usar até R$ 4 milhões "

 

A execução judicial da Caixa não preocupa o Corinthians, de acordo com seu dirigente. O departamento jurídico tem 15 dias úteis para responder à citação do juiz que foi recebida na sexta-feira. Segundo o Estado apurou, o clube responderá à intimação, enquanto renegocia com a diretoria do banco. "Queremos cumprir o acordo feito verbalmente com a gestão anterior da Caixa, que é pagar R$ 6 milhões por oito meses do ano e R$ 2,5 milhões nos outros quatro, quando diminui nossa arrecadação no estádio."

 

Se essas contas forem aprovadas pela Caixa, o Corinthians teria despesa anual de R$ 58 milhões com o financiamento da arena em parcelas até 2028. Ou seja, se a partir de 2020 pagar corretamente o que foi proposto, o banco receberá nos próximos oito anos R$ 464 milhões, valor que o clube alega dever. O problema é que o Corinthians tem enfrentado dificuldades para honrar seus boletos.

 

A DÍVIDA - No planejamento financeiro do Corinthians, ainda consta que a meta para 2019 era fechar no azul em R$ 650 mil. Passados nove meses do ano, o presidente Andrés Sanchez admitiu que o 

clube tem déficit de R$ 100 milhões. O alto valor deve diminuir porque boa parte da receita com a TV entrará no fim do ano. Mesmo assim, o mandatário alvinegro já sinaliza que será difícil o clube ter lucro nesta temporada.

 

Soma-se a isso a pendência financeira com a Caixa. Apesar de se mostrar tranquilo com a questão judicial, o Corinthians precisa pagar sua dívida, com o risco de ter o nome no Serasa. A planilha apresentada pela Caixa na ação diz que o Corinthians deixou de pagar, entre março e agosto deste ano, R$ 33,7 milhões em parcelas. Segundo o banco, o clube pagou só R$ 13 milhões.

 

A multa pelo atraso nos pagamentos é de R$ 48,7 milhões e o valor total da execução é de R$ 536 milhões. O diretor financeiro do Corinthians alega que os valores estão distorcidos, porque o clube vinha pagando o que tinha sido combinado verbalmente desde o fim do ano passado. Ou seja, em novembro, dezembro, janeiro e fevereiro desembolsou apenas R$ 2,5 milhões por mês.

 

A Caixa só deu baixa quando a soma dos valores atingiu a parcela prevista em contrato. "Queremos esclarecer o mais rapidamente possível essa pendência, e de forma transparente. Espero que encontremos um acordo neste mês ainda. Quanto mais rápido, mais transparente, melhor para nós e para a Caixa", diz Ávila.

 

A Caixa emprestou R$ 400 milhões ao Corinthians para a construção do estádio. Desde o início do financiamento, em 2014, o clube pagou cerca de R$ 170 milhões, sendo R$ 80 milhões de fevereiro de 2018 até agora. Mas como correm juros mensais, a dívida beira os R$ 536 milhões, segundo o banco.

 

MULTA - O Corinthians entrou com mandado de segurança para tentar suspender multa de R$ 800 mil aplicada pela Justiça referente ao terreno onde foi construído o Itaquerão. O processo movido pela Prefeitura de São Paulo foi revelado pelo Estado em julho. O departamento jurídico considera a ação arbitrária e pede o cancelamento ou que a multa seja reduzida ao porcentual mínimo previsto no Código de Processo Civil: 1% do valor da causa.

 

A multa foi aplicada em maio após o clube não ter respondido por três vezes à intimação do Ministério Público sobre andamento das contrapartidas sociais. O Corinthians se comprometeu a investir R$ 12 milhões em projetos para ter a concessão do terreno.

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