Geral Sábado, 24 de Outubro de 2020, 13h:32 | - A | + A

PANTANAL

Chuvas diminuem focos de incêndio mas ainda faltam alimentos para animais

Voluntários se disponibilizam a recuperar donativos na casa dos doadores e em seguida levam as arrecadações para as cidades pantaneiras.

Analu Melo Ferreira

Da Redação

Sema-MT

Frutas para animais no Pantanal

Grupos de voluntários trabalham para levar alimentos para animais no Pantanal

As chuvas chegaram e o ecossistema pantaneiro pode ter um breve descanso das chamas. A água da chuva acalmou os ânimos e levou esperança para aqueles que viram a destruição de perto - sem muito poder fazer, a não ser salvar o que fosse possível. Com a descida da água, os focos de incêndio diminuíram, mas o pouco que restou, dos mais de 4 milhões de hectares queimados, ainda precisa de auxílio. Neste momento, o mais importante é encontrar maneiras de lidar com o estrago deixado pelo fogo.

 

Magnus Olzon foi um dos voluntários que dedicou seu tempo e energia no combate aos incêndios do Pantanal mato-grossense. O agente de turismo decidiu, em setembro, que faria algo para salvar os animais que estavam feridos e sem comer, bem como os brigadistas que se arriscavam nos combates às chamas. Desde o mês passado ele recolhe, em Cuiabá, doações de frutas, medicamentos e dinheiro e leva o arrecadado para os municípios pantaneiros. A iniciativa de Magnus veio, sobretudo, pela necessidade de ajudar o bioma que é sua fonte de renda de alguma forma.

 

Questionado sobre o atual cenário, Magnus se mostra aliviado com a chegada das chuvas e o fim das queimadas. Porém, o contexto pós-incêndio, de acordo com ele, é devastador, especialmente para os bichos que sobreviveram. "O fogo acabou, só que agora há uma grande questão: como queimou tudo, não há alimentos. Estamos em uma batalha, carregando alguns carros com comida para mandar para o Pantanal". Os veículos usados no transporte são caminhonetes, caminhões e vans cedidos por empresas. O combustível também vem de doações.

 

"Recebemos muitos chamados de animais feridos. Estamos com um grupo de voluntários que são veterinários e biólogos. Ontem fizemos dois resgates com a ajuda do Exército Brasileiro, que nos emprestou o helicóptero para podermos transportar duas antas". Por outro lado, alguns animais já curados das queimaduras, graças ao trabalho dos profissionais que atuaram ativamente para protegê-los, são devolvidos, pouco a pouco, ao seu habitat natural. Esse é o caso da onça-pintada "Ousado", que foi liberada na natureza, na última terça-feira (20.10), após 40 dias de tratamento.

 

Para os grupos que ainda estão no território, um restaurante se ofereceu para fornecer as refeições do dia. Dessa forma, parte do valor arrecadado é usado na compra de alimentos que compõem a lancheira das equipes. "O que precisamos é comprar barras de cereais para montar o lunch box para aqueles que saem em campo para recuperar os animais. Não é sempre que dá para voltar para o almoço", aponta.

 

Apesar da chegada do período chuvoso, Magnus conta que há, todavia, fumaça. "Está estranho, está tudo queimado, por mais que esteja chovendo esses dias, essas chuvas são muito isoladas. Há locais em que não choveu, não vemos nem brotos no chão. Em outros, que já choveu, os brotos estão grandes. Ao mesmo tempo é tristeza e alívio", confessa. Segundo ele, o sentimento que predomina é o de raiva, porque os culpados não foram punidos. "Todos os incêndios foram criminosos e até agora, nada", conclui.

 

Interessados em colaborar com o trabalho dos voluntários podem doar para a vaquinha "Somos Todos Pantanal"

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