Geral Terça-Feira, 07 de Julho de 2020, 11h:53 | - A | + A

CORONAVÍRUS

Com morte de Domingos Mahoro, povo Xavante perde importante liderança

Cacique morre aos 60 anos, após 11 dias de luta contra a covid-19.

Safira Campos

Da Redação

Antônio Banavita

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Faleceu em Cuiabá nesta segunda-feira (06), Domingos Mahoro, cacique da Terra Indígena Sangradouro, da etnia Xavante. Aos 60 anos, o cacique não resistiu às complicações causadas pelo novo coronavírus. Maharo estava internado desde o mês passado em Primavera do Leste, mas havia sido transferido horas antes de seu falecimento para uma UTI do Hospital Estadual Santa Casa, em Cuiabá. 

 

A perda de Mahalo causa grande comoção. Ele era uma importante figura do ativismo indígena e um nome de destaque entre as lideranças Xavante. No ano passado, esteve à frente do projeto "Independência Indígena", que ofereceu capacitação para agricultura nas aldeias. Este ano, colaborou nos esforços para combate à disseminação do vírus entre comunidades indígenas, especialmente aquelas de sua etnia, que vem sendo fortemente atingida pela pandemia. 

 

Nas redes sociais, diversas ongs e entidades manifestaram apoio aos familiares. Ativistas da causa indígena e amigos do cacique lamentaram sua perda. “Dia muito difícil, perdi um grande amigo, um irmão, o xavante Domingos Mãhörö eo, amizade de mais de 20 anos. O povo Xavante perde um grande líder, um diplomata, um ser humano conciliador, educado, inteligente, um grande orador, um defensor e divulgador da sua cultura, conheceu vários países, mas nunca saiu da sua aldeia, saia para as viagens na busca de fortalecer o seu povo, sua cultura, voltava para a sua aldeia, sempre”, escreveu o fotógrafo e publicitário Antônio Banavita. 

 

O número de mortes entre o povo Xavante vem crescendo rapidamente. Entre outras razões, estão  grande proporção de indígenas com comorbidades, deficiência no serviço de saúde oferecido às comunidades e o modo como se organizam as aldeias, com casas muito próximas umas das outras, somada à quantidade elevada de pessoas por habitação, o que facilita a propagação do coronavírus.

 

De acordo com dados do Comitê Nacional Pela Vida e Memória Indígena, formado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), já foram contabilizados 11.640 casos de infecção e 435 mortes entre indígenas, e 124 povos já foram atingidos pela doença até esta segunda-feira (06) em todo o Brasil. O número de infectados cresceu cerca de 361% e o de óbitos cresceu 81%, se comparados os dados de 06 de junho. Até o momento, Mato Grosso é o quarto estado com maior número de mortes (40), ficando atrás apenas de Roraima (45), Pará (75) e Amazonas (165). 

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