Geral Quinta-Feira, 06 de Agosto de 2020, 16h:21 | - A | + A

MEIO AMBIENTE

Em relatório, Greenpeace Internacional cita MT e pede boicote à carne produzida no Brasil

Publicação aponta fazendas de Mato Grosso como exemplos de violação de direitos humanos e leis ambientais.

Safira Campos

Da Redação

Ednilson Aguiar / Greenpeace

fazenda gado mato grosso.jpg

 

Em um relatório publicado nesta quarta-feira (05) pela organização não governamental Greenpeace Internacional, a JBS, empresa brasileira de produção de carne, é acusada de descumprir acordo ambiental de proteção de áreas de conservação da Amazônia do Cerrado. O documento, que pede que empresas da União Europeia deixem de comprar carne brasileira fruto de desmatamento, cita fazendas de Mato Grosso como exemplos de violação de direitos humanos e leis ambientais. 

 

No relatório, intitulado “How JBS is still slaughtering the Amazon” (Como a JBS continua devorando a Amazônia, ainda sem tradução para o português), a organização aponta que a JBS, atualmente uma das maiores empresas de alimentos do mundo, ainda mantém invasores e desmatadores em seu ciclo de produção de carne bovina, desrespeitando um acordo internacional assinado 2009. 

 

O documento avalia o impacto que tem a manutenção desse tipo de produção para o meio ambiente e consequentemente para os seres humanos. A intenção da publicação é pressionar para que grandes redes de supermercados de países europeus deixem de comprar carne bovina de empresas envolvidas em casos de devastação ambiental. 

 

“A demanda de carne industrial e de alimentos utilizados para criar esses animais afeta a proteção ambiental e causa impactos sociais. É essencial que os países que importam essa carne usem seu poder comercial e de compra para ouvir o interesse público. A indústria global de carne não sacrifica apenas a vida das pessoas hoje, mas sacrifica o futuro”, traz um trecho da publicação. 

 

Christian Braga/Greenpeace

60e2cd00-greenpeace_stillslaughtering_pages-1_page-0001 (1).jpg

9 de julho em Alta Floresta (MT)

A organização ainda cita a falta de transparência de agências sanitárias estaduais como o Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (INDEA) em dados relacionados a violações ambientais e embargos em fazendas; trabalho escravo; invasão de terras indígenas, Unidades de Conservação (UC) e outras terras públicas. A última vez que esses dados foram compilados e divulgados pelo INDEA foi em 2015. 

 

Fazendas fornecedoras da JBL em Mato Grosso  

 

O relatório aponta ainda um estudo realizado por um grupo de cientistas internacionais que constatou que cerca de 1/5  de toda a carne bovina e da soja exportada do Brasil para a União Europeia em 2017 pode ter sido produzida em terras desmatadas da Amazônia ou do Cerrado. Dentro dos estados do Pará e de Mato Grosso, neste mesmo ano, cerca de 60% do gado fornecido aos matadouros veio provenientes de propriedades rurais suspeitas de envolvimento com desmatamento. 

 

Entre as fazendas citadas pela publicação está a Barra Mansa, em Nova Lacerda (a 541 km de Cuiabá), que pertence  Marcos Antonio Assi Tozzati, sócio do chefe da Casa Civil do governo Michel Temer, Eliseu Padilha. A propriedade forneceu pelo menos 6.000 cabeças de gado à JBS entre janeiro de 2018 e junho de 2019. Tozzati é acusado pelo Ministério Público de Mato Grosso de ter limpado ilegalmente pelo menos 2.097 hectares no Parque Estadual Ricardo Franco, considerado uma Unidade de Conservação com alto valor de biodiversidade. 

 

VOLTAR IMPRIMIR

COMENTÁRIOS

Copyright 2018 PNB ONLINE - Todos os direitos reservados. Logo Trinix Internet