Geral Quinta-Feira, 04 de Junho de 2020, 12h:01 | - A | + A

SAÚDE PÚBLICA

MP notifica Estado a antecipar período de restrição a queimadas

A recomendação é proibir o uso do fogo a partir desta sexta-feira (05), Dia Internacional do Meio Ambiente, até 30 de outubro

da Redação com assessoria

Secom-MT

Parque Ricardo Franco Queimadas

 

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) notificou o governador do Estado, Mauro Mendes, para antecipar o período de restrição do uso do fogo para esta sexta-feira (05), Dia Internacional do Meio Ambiente, e recomendou que a proibição seja prorrogada até dia 30 de outubro. A notificação levou em consideração a pandemia da Covid-19 e vários fatores, entre eles, estudos que apontam um considerável aumento dos atendimentos ambulatoriais e internações hospitalares em Mato Grosso durante o período de estiagem, agravado pela poluição do ar provocada pelas queimadas. A recomendação antecipa a medida em mais de 30 dias em relação ao ano passado.

 

Em 2019, o Governo do Estado decretou o período proibitivo de queimadas entre os dias 15 de julho e 15 de setembro. Chegou a prorrogar a restrição até 30 de novembro em função do alto índice de queimadas, mas antecipou para o final de outubro a liberação do uso de fogo em áreas rurais para limpeza e manejo durante esses meses, levando em consideração o risco de incêndios florestais de grandes proporções.

 

Na notificação ao Poder Executivo, o Ministério Público ressaltou os danos apontados pelos estudos. “Pesquisas demonstram que o período mais crítico para a saúde pública no estado de Mato Grosso se dá no período de incidência das queimadas, entre os meses de abril e novembro, com um aumento da demanda por atendimento ambulatorial em razão de doenças respiratórias em crianças residentes em municípios ao norte do estado, região do arco do desmatamento na Amazônia brasileira e também, um aumento de internações por asma em idosos”, diz o documento. 

 

A covid-19, apontou o MPMT, compromete as vias respiratórias e pulmonares, quadro que, se associado aos graves impactos trazidos pelas queimadas, poderá provocar o colapso do sistema de saúde público. “A coincidência desses dois grandes impulsos, queimadas e Covid-19, tenderão a aumentar a procura das unidades de saúde e causará prejuízos sociais e econômicos a toda a sociedade, com destaque para os residentes da área rural que habitam assentamentos, unidades de conservação e terras indígenas, exatamente por conta do menor acesso a unidades de saúde e maior exposição à poluição do ar”, reforçou a notificação ao Poder Executivo.

 

Segundos dados oficiais do Deter, no período compreendido entre agosto de 2019 a abril de 2020, Mato Grosso desmatou, com solo exposto, área de 1.264,80 Km², cujos números se mostram 91% superior ao desmatamento ocorrido entre agosto de 2018 a abril de 2019. Isto traz uma grande preocupação, pois logo após o desmatamento, é comum o uso do fogo para limpeza das áreas, o que pode agravar o número de queimadas no Estado. Portanto, caso não sejam adotadas medidas preventivas e repressivas para conter as queimadas, notadamente neste período de pandemia da Covid-19, poderá haver um grande aumento de doenças e mortes causadas por problemas respiratórios, além da sobrecarga do sistema de saúde.

 

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