Geral Sexta-Feira, 22 de Maio de 2020, 10h:33 | - A | + A

FIOCRUZ

MT é o 3º estado com maior dificuldade no acesso a serviços de saúde, revela estudo

Mais de 888 mil pessoas no estado levam mais quatro horas para chegar a uma unidade de saúde que ofereça atendimento de alta complexidade.

Safira Campos

Da Redação

Christiano Antonucci

Leito hospital metropolitano

 

Uma análise feita por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alerta para a dificuldade de acesso a serviços de saúde interior do país. Mais de 7,8 milhões de brasileiros estão a pelo menos quatro horas de distância de um município que ofereça atendimento de alta complexidade, com Unidade de Terapia Intensiva (UTI), equipamentos e pessoal especializado para doenças respiratórias graves e agudas provocadas pela epidemia de Covid-19. Neste cenário, Mato Grosso desponta com uma das piores situações. 

 

O estudo publicado nesta quinta-feira (21) alerta para o fato de que em Mato Grosso cerca de 888 mil pessoas moram em áreas com até quatro horas de deslocamento para chegar a um município polo com a estrutura necessária para atendimento. O número coloca o estado atrás apenas do Pará, com cerca de 2,3 milhões nesta situação e Amazonas, com 1,3 milhão. 

 

Desse modo, mais de 30% da população em Mato Grosso levará mais 4h para ser atendida, caso precise com urgência. A proporção da população que acessa serviços de saúde dentro do tempo adequado é ainda pior nas regiões Norte e Oeste do estado. Ainda assim, vários municípios de outras regiões são atingidos pelo problema. É o caso da pequena Araguainha (467 km de Cuiabá), na região sudeste do estado. 

 

Gcom-MT/Mayke Toscano

Prefeitura de Araguainha

 

Por lá, a distância entre o município e o leito de UTI mais próximo preocupa. Isso porque a população de Araguainha dispõe apenas de uma Unidade Básica de Saúde (UBS), com estrutura bastante limitada. Em casos de necessidade hospitalar ou de atendimento emergencial, o paciente é encaminhado para Rondonópolis, a mais de 250 km de distância.  

 

O prefeito da cidade, Silvio José de Moraes (PSD), conta ao PNBonline que o Município tem estado alerta para o surgimento de um caso de Covid-19, justamente para falta de estrutura apropriada. “Deus nos livre de acontecer um caso, porque nós não teríamos nem como isolar a pessoa de maneira adequada. Não temos leito ou sala preparada para esse tipo de atendimento, além disso nosso material é muito restrito. É complicado”, relatou. 

 

O estudo da Fiocruz constatou ainda a rapidez da interiorização de Covid-19. Em apenas uma semana (de 9 a 16 de maio), em todo o Brasil, nos municípios com população entre 20 e 50 mil habitantes, a cada dia seis cidades registravam pela primeira vez uma vítima fatal de Covid-19. Entre municípios menores, com população de 10 a 20 mil habitantes, na mesma semana cinco cidades a cada dia entravam na lista de municípios com óbitos por Covid-19.

 

Em Mato Grosso, o novo coronavírus já chegou a mais da metade dos municípios. Em um mês, os municípios atingidos pela doença passaram de cerca 19% para mais de 50%. O que mais chama atenção é a variação cada vez mais acentuada de uma semana para outra. 

 

No dia 23 de abril o vírus já havia chegado a 28 dos 141 municípios do estado. Uma semana depois, em 30 de abril, quatro novos municípios registram casos confirmados, totalizando 32 municípios. No dia 7 de maio, o vírus já havia chegado a 27,65% dos municípios, 39 no total. Na semana seguinte, o número saltou para 53, até chegar esta semana a 71 municípios. 

VOLTAR IMPRIMIR

COMENTÁRIOS

Copyright 2018 PNB ONLINE - Todos os direitos reservados. Logo Trinix Internet