Geral Terça-Feira, 13 de Agosto de 2019, 11h:33 | - A | + A

PERINATAL

O trabalho da psicologia e o auxílio nas transformações trazidas pela maternidade

Novo ramo da psicologia tem como objetivo ajudar pais e mães a lidar com os desafios da chegada de uma criança à família.

Safira Campos

DA REDAÇÃO

Agência Brasil

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Quase uma unanimidade: a maternidade é vista como uma das mais fortes transformações que pode ocorrer na vida de uma mulher. Seja pela adoção ou após um parto, a chegada de uma criança à uma família modifica o dia-a-dia e altera muitos dos papéis com os quais havia identificação anteriormente, em especial para a mulher que se torna mãe. Esse é um dos pontos tratados pela psicologia perinatal, que visa auxiliar no processo de maternidade e paternidade. 

 

Umas das primeiras readequações a serem pensadas é a profissional, que muitas vezes é interrompida ou momentaneamente suspensa para que a mulher se dedique à criança. Esse é caso de Zenilda Virgínio Antônio, que era empregada doméstica quando teve seus dois filhos. Zenilda lembra que, à época, levava as crianças para o ambiente de trabalho na tentativa de permanecer no mercado. A conciliação, entretanto, não foi possível por muito tempo e ela teve que abrir mão do trabalho para cuidar dos filhos. 

 

“Eu sempre trabalhei muito e quando tive meus filhos tentei não parar. Na época eu era empregada doméstica e levava meus meninos para o trabalho. Mas uma hora não foi mais possível, pois eu não conseguir lidar com os afazeres do trabalho ao mesmo tempo que cuidava deles, que ainda eram bebês. Era realmente muito difícil”, relembra.  

 

Para a psicóloga perinatal Deise Vilani Neumann, é necessário que os pais dêem especial atenção a essas mudanças e um acompanhamento profissional é de grande auxílio: “Assim que a gravidez é descoberta, a mulher já começa a pensar em uma série de mudanças que podem acontecer. Quando a criança nasce, é comum que você repense sua vida profissional, afinal você passa a ter total responsabilidade sobre a vida de outra pessoa. Além de todos os outros papéis que são modificados, que precisam de uma reinvenção, como é o caso do próprio relacionamento dos pais”.

 

Há casos em que a adaptação ao novo membro da família é mais difícil. De acordo com a American Pregnancy Association, entre 70% a 80% das mães experimentam algum tipo de sentimento negativo ou mudança de humor após o nascimento do bebê. Em alguns casos, podem ocorrer o estado de baby blues ou a mãe desenvolver depressão pós-parto. 

 

De acordo com Neumann, o baby blues é muito comum e caracteriza-se por um estado melancólico em que a mãe apresenta sinais de irritabilidade, sensibilidade, constante vontade de chorar, insônia ou ansiedade. A depressão pós-parto é algo mais grave e se manifesta de forma mais intensa,  chegando ao ponto da mãe não querer qualquer contato com a criança. 

 

“É preciso estar atento aos sinais. As transformações são muito intensas e o transtorno pode se manifestar em qualquer mãe. Mas a depressão pós-parto costuma acontecer quando a mãe já possui histórico de depressão durante a gravidez ou em outros momentos da vida”, alerta a especialista. 

 

PSICOLOGIA PERINATAL 

 

Essas e outras questões são trabalhadas pela psicologia perinatal, um ramo da psicologia estuda e auxilia na saúde mental e emocional de toda a família desde a concepção até a criação dos filhos. A especialidade dedica-se também a ajudar casais que estão em processo de tentativa de gestação ou que passaram por episódios traumáticos em gestações. Além disso, auxilia mulheres com o medo do parto, problemas de aleitamento ligados à emoção e adaptação em geral à maternidade e à paternidade.

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