Geral Sexta-Feira, 16 de Outubro de 2020, 15h:22 | - A | + A

RIO CUIABÁ

Pesquisadores analisam as consequências das queimadas históricas no Pantanal este ano

Preocupação agora é que as cinzas deixadas pelos incêndios afetem a vida nos rios.

Da Redação

Com assessoria

UFMT

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Um estudo está sendo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) com o objetivo de analisar possíveis sequelas ambientais deixadas pela temporada histórica de queimadas no Pantanal mato-grossense este ano. O foco da pesquisa é avaliar o impacto dos incêndios sobre a qualidade da água do Rio Cuiabá. O estudo visa analisar a situação da estrutura e composição dos microrganismos fitoplâncton e zooplanctônicos, base da cadeia alimentar dos peixes.

 

A preocupação maior neste momento é que as cinzas deixadas pelas queimadas afetem a vida nos rios. Segundo a coordenadora do projeto e professora do Instituto de Biociências, Márcia Teixeira Oliveira, o longo período de estiagem e as queimadas durante o ano fazem com que materiais poluentes fiquem acumulados no solo e, com o início das chuvas, sejam levados ao rio.

 

“Este material é composto principalmente por matéria orgânica, cinzas e lixo. Com as primeiras chuvas fortes, será transportado pela enxurrada para o rio, onde vão retirar o oxigênio da água. Esta situação se agrava nos locais onde a mata ciliar foi desmatada anteriormente ou foi queimada este ano, como observamos ao longo do Rio Cuiabá”, explica.

 

A docente destaca que o estudo contribui para a gestão de recursos hídricos e pesqueiros no Pantanal, além da proposição de ações de prevenção e manejo do fogo e para as mudanças climáticas na região. “Este ano é difícil reverter esta situação, a não ser com as ações emergenciais que estão sendo adotadas. Como a estimativa é de que nos próximos 4 ou 5 anos ocorrerão fortes estiagens na nossa região, podemos nos preparar melhor para reduzir este cenário negativo”, afirma.

 

As coletas estão sendo realizadas em um trecho de 440 quilômetros do Rio Cuiabá, entre o município de Cuiabá e a localidade de Porto Jofre.

 

Para a coordenadora do projeto, é fundamental que a elaboração e execução dos projetos e programas para os próximos anos envolvam a sociedade. “No Pantanal é importante a participação dos três principais segmentos que vivem e dependem deste local, os pecuaristas tradicionais, os agentes e empresas de turismo e as comunidades tradicionais e indígenas”, finaliza.

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