Geral Sexta-Feira, 31 de Julho de 2020, 17h:11 | - A | + A

CIÊNCIA

Pesquisadores de MT assinam manifesto contra decreto do Governo

Governador determinou que a presidência da Fapemat seja interinamente ocupada por Nilton Borgato, secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Safira Campos

Da Redação

Governo de Mato Grosso

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Nilton Borgato, secretário de Ciências, Tecnologia e Inovação e presidente interino da Fapemat.

Um manifesto contra um decreto assinado por Mauro Mendes (DEM) na semana passada já soma quase 2 mil assinaturas de pessoas relacionadas ao desenvolvimento científico e tecnológico de Mato Grosso. A carta aberta destinada ao governador traz a preocupação com que pesquisadores de todo o estado receberam a informação de que a presidência da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat) seria interinamente ocupada por Nilton Borgato, secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação. 

 

A chefia da fundação estava vaga desde o falecimento de Adriano Silva, no começo de junho. Silva tinha um grande histórico de relação com ciência e pesquisa, chegando a ser reitor da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat). O argumento dos autores da carta é de que a decisão de Mendes é unilateral e fragiliza a autonomia da fundação ao passar sua presidência ao secretário, alguém diretamente ligado ao Executivo. 

 

“O referido decreto passa as responsabilidades do presidente da Fapemat, para a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação. Em geral, a formação dos gestores desta pasta são qualificados na esfera administrativa, o que contempla diretamente a missão desta Secretaria, mas não necessariamente a missão da Fapemat. Historicamente, a FAPEMAT foi gerida por presidentes com atuação direta no cenário científico. Foi no trabalho conjunto dessas duas entidades que vivenciamos os maiores avanços observados, quando o administrativo e o científico puderam aliar seus interesses, em um cenário onde todos são interdependentes”, traz um trecho.

 

Victor Amaral Arias

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Professor Bruno Araújo, coordendor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFMT.

O texto ainda ressalta a relevância do trabalho desenvolvido pela Fapemat até aqui, bem como a importância do fomento e do desenvolvimento científico especialmente em momentos conturbados, como o ocasionado pela pandemia do novo coronavírus. Para o professor e pesquisador Bruno Araújo, coordenador do Programa de Pós-graduação em Comunicação (PPGCom) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e um dos signatários da carta, a divisão de responsabilidades entre o poder público e o campo científico é uma das chaves para o desenvolvimento tecnológico de uma sociedade. 

 

“Uma das questões que caracterizam a ciência é a sua autonomia em relação a outros campos da esfera social, para ela possa avançar na produção do conhecimento. Cada campo possui a sua área de atuação e cabe ao setor público garantir a autonomia e as condições para que a ciência possa continuar a fazer o seu trabalho. Não há saída nem para o país, nem para Mato Grosso sem o investimento maciço e determinado na ciência, tecnologia e inovação. Estamos vivendo um momento agora na pandemia que deixa muito evidente o papel que a ciência tem. Não é uma visão meramente burocrática que vai nos tirar desse contexto de crise, é o trabalho da ciência”, afirma o pesquisador. 

 

Em resposta à comunidade científica mato-grossense, Nilton Borgato afirmou que as atividades já desenvolvidas pela Fapemat não serão alteradas e que os 199 projetos de pesquisa e as 642 bolsas de estudo em andamento serão mantidas com os devidos pagamentos, e não sofrerão descontinuidade. “Continuaremos com a missão da fundação de incentivar o desenvolvimento da pesquisa científica e tecnologia do estado, otimizando e reforçando as demandas em pesquisa para o fortalecimento das políticas públicas”, disse o secretário.

 

UFMT

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Contribuições e perdas no orçamento

 

O órgão de incentivo à ciência é responsável por financiar pesquisas de grande relevância, no desenvolvimento econômico, científico e tecnológico de Mato Grosso. Alguns dos exemplos são o Programa Centelha da Inovação em Mato Grosso e o Programa Centros Nacionais Multiusuários (ambos da Finep); o Programa de Apoio à Pesquisa para o Sistema Único de Saúde (PPSUS-Ministério da Saúde); e, o Programa Ecológico de Longa Duração (PELD-CNPq). 

 

Além do financiamento de pesquisas específicas como a da doutora em Química UFMT, Francine Pazini em conjunto com as pesquisadoras Stela Regina Ferrarini e Cássia Regina Primila Cardoso, que por meio de testes entre 2015 e 2018, descobriram compostos úteis para o tratamento de câncer de mama. A pesquisa o pode resultar em novos remédios para o combate da doença. 

 

No ano passado, um contingenciamento foi responsável pela redução de 65% do orçamento previsto anteriormente para o órgão. O número de editais vem caindo progressivamente. Em 2016, segundo consta no site da Fapemat, foram 19; em 2017, foram três; em 2018, dois.  Esses editais são responsáveis por ajudar no custeio de pesquisas e divulgação de descobertas mato-grossenses em diversos segmentos, como: saúde, educação, desenvolvimento regional e até potencial geológico e de mineração do estado.

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