Geral Sábado, 24 de Outubro de 2020, 07h:00 | - A | + A

AUDIOVISUAL CIENTÍFICO

Pesquisadores encontram no cinema uma nova forma de comunicar ciência

Em parceria internacional, professores da UFMT trabalham na criação de uma revista científica audiovisual.

Safira Campos

Da Redação

Reprodução

Pedro Pinto de Oliveira e Dielcio Moreira Audiovisual Científico.jpg

 

Para além dos artigos acadêmicos, divulgados em congressos, revistas e livros científicos dos mais diversos campos do conhecimento, pesquisadores têm investigado e refletido novas formas de fazer e divulgar ciência. Tendo em vista tornar o que é feito dentro da academia e dos laboratórios algo mais acessível, professores e pesquisadores estão encontrando no cinema uma nova forma de compartilhar conhecimento com seus pares e com a sociedade em geral. 

 

Dois professores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) têm concentrado esforços sobre o tema. Dielcio Moreira, doutor em Educação pela Universitat Gesamthochschule Siegen (Alemanha), e Pedro Pinto de Oliveira, doutor em Comunicação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), têm estudado a experiência de ensaios científicos no audiovisual. Os docentes participam neste mês do I Encontro da Rede de Pesquisadores em Comunicação Multiplataforma, organizado pela plataforma RedCom, uma rede que reúne investigadores de várias nacionalidades e de diversos campos de estudos da comunicação e do audiovisual.

 

Por lá, os professores apresentam o filme “Novas formas de comunicar ciência: a experiência do ensaio científico audiovisual”, no formato de texto audiovisual científico. Em entrevista ao PNB Online, Dielcio Moreira explica que a ideia partiu de um questionamento: “não seria oportuno comunicar ciência para cientistas além do papel?”. O professor defende que a linguagem extremamente técnica e por vezes rebuscada distancia as descobertas científicas da população. Nesse sentido, o audiovisual pode ser uma ferramenta importante para diminuir o muro criado.

 

“Começamos a discutir, a pensar sobre isso e nós concluímos que é importante que o cientista prepare a descoberta dele, a pesquisa dele, não apenas no texto escrito. Com o suporte de profissionais de comunicação, transformando em audiovisual, ele não só comunica para outros cientistas, como se aproxima da população. O alcance é maior”, explica o professor. 

 

No audiovisual científico nada é deixado para trás. Todas as etapas que fazem parte de uma pesquisa acadêmica estão presentes: problema de pesquisa, objeto de análise, hipótese, metodologia, resultados, etc. Por isso, os professores defendem a autossuficiência do formato, sem deixar de reconhecer a importância do registro escrito. A intenção é que o audiovisual ganhe espaço e seja utilizado na democratização do conhecimento científico. 

 

“O audiovisual científico amplia o diálogo com outros pesquisadores e aproxima a população do cientista e da ciência. As universidades precisam encontrar formatos e jeitos de se aproximar do público. Ela presta muitas serviços à população, em vários campos, mas estabelece-se um muro que faz parecer que a universidade está em uma redoma, quando na verdade não está. Aqui na UFMT há dezenas de projetos que atendem a população das mais diversas formas”, pontua Moreira. 

 

O professor conta ainda que o objetivo a partir de agora é que a ideia atraia mais cientistas. Além da participação no evento marcado para este mês, os pesquisadores planejam lançar em breve uma revista audiovisual. “Em 2019 estivemos em Portugal ministrando um curso na Universidade da Beira Interior (UBI) para alunos de cinema sobre o tema. Diante da resposta que tivemos lá, eu e o professor Pedro Pinto de Oliveira estamos trabalhando numa parceria internacional. Trata-se da criação de uma Revista Sobre Materialidades Cinematográficas e Ensaios Audiovisuais Acadêmicos, em parceria com a professora Ana Catarina Pereira, da UBI, com a investigadora integrada do Instituto de História Contemporânea da NOVA FCSH, Caterina Cucinotta, e com  Madalena Miranda, cineasta em Lisboa”. 

 

Confira na íntegra ‘Novas formas de comunicar ciência: a experiência do ensaio científico audiovisual’: 

 

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