Geral Quarta-Feira, 22 de Janeiro de 2020, 10h:41 | - A | + A

SUICÍDIO

Psicóloga faz alertas após casos recorrentes no ‘Portão do Inferno’

Especialista diz que mudanças de comportamento e humor podem ser sinal de sofrimento mental. Ajuda profissional pode evitar situações extremas.

Safira Campos

Da Redação

(Foto: Reprodução)

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Em ação voluntária na semana passada, faixa foi amarrada no 'Portão do Inferno', com a intenção de desmotivar o suicídio.

No último sábado (18), um homem foi salvo por um motociclista durante uma tentativa de suicídio no Portão do Inferno, ponto turístico de Chapada dos Guimarães (a 58 km de Cuiabá). Não fosse a ação rápida do empresário Thulio Prates, que viralizou nas redes sociais, o caso teria somado-se ao crescente número de suicídios no local. Diante do quadro, a psicóloga Sani Neves traz alertas de como tratar do assunto. 

 

Em entrevista à Rádio Capital nesta quarta-feira (22), Neves afirmou que é necessário que  familiares e amigos estejam atentos a mudanças de comportamento de entes queridos. Alguns sinais podem ser avisos de que a pessoa passa por algum sofrimento mental e precisa de ajuda. 

 

“Choro sem motivo, desmotivação para o trabalho e estudos, mudança de comportamento, tristeza que não passa, mudança na vida social, etc. Por exemplo, se o jovem saia normalmente todo final de semana ou com um determinado grupo de amigos e deixa de fazer isso, isolando-se. O mesmo pode acontecer com adultos e idosos, cada um em seu próprio contexto. Todos esses são indícios que demandam atenção”, pontuou. 

 

A profissional também ressalta que um comportamento acusatório pode ser extremamente prejudicial para a recuperação de pessoas que sofrem com transtornos mentais que podem levar ao suicídio. O problema também não pode ser encarado como falta de espiritualidade, mas como uma condição clínica, já que diversas questões somam-se causando sofrimento.  

 

“Precisamos levar a sério a depressão, que é a principal causa do suicídio. Encará-la de forma muito séria. Não é falta de de Deus, como muitas pessoas ainda falam e acreditam. O caminho é sempre buscar o diálogo aberto, sem julgamento. Falas do tipo ‘você precisa sair dessa cama’, ‘sai logo desse quarto’, ‘você é um inútil, precisa fazer alguma coisa’, também não são bem-vindas. Uma pessoa saudável não fica isolada um longo tempo no quarto porque quer”, ressalta. 

 

Dados da OMS

 

Segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio no mundo. A organização ainda aponta que suicídio atualmente é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos em todo o mundo. Nacionalmente, o cenário é igualmente preocupante. No Brasil, a cada 100 pessoas, 17 pensam seriamente em cometer suicídio e cinco chegam a elaborar um plano. Entretanto, estima-se que 90% dos casos poderiam ser evitados com conversas e acolhimento.

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