icon clock h

Quinta-Feira, 25 de Fevereiro de 2021, 11h:06 | - A | + A

CIÊNCIA

Publicação internacional alerta para a possibilidade do Pantanal deixar de existir

Se as tendências atuais de clima e gestão da terra persistirem, o bioma pode chegar a um quadro de destruição irreversível.

Safira Campos

Da Redação

Christiano Antonucci / Secom-MT

Pantanal

 

Um estudo publicado nesta terça-feira (23.02) na revista científica internacional Frontiers traz alertas em relação às ameaças às quais o Pantanal está sujeito diante do agravamento da seca e das queimadas históricas do ano passado. O estudo assinado por cientistas brasileiros afirma que se as tendências atuais de clima e gestão da terra persistirem, o Pantanal como o conhecemos deixará de existir. 

 

Intitulado “Extreme Drought in the Brazilian Pantanal in 2019–2020: Characterization, Causes, and Impacts” (Seca Extrema no Pantanal Brasileiro em 2019-2020: Caracterização, Causas e Impactos), a pesquisa foi realizada por pesquisadores e bolsistas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e por estudantes do Programa de Pós-graduação em Desastres Naturais da Universidade Estadual Paulista (Unesp). 

 

Na publicação, os cientistas destacam que desde 2019 o Pantanal vem sofrendo uma prolongada seca que culminou na temporada histórica de queimadas ocorrida no ano passado, especialmente entre os meses de agosto e outubro. Os severos incêndios não atingiram apenas o Brasil, havendo registro de consequências para Bolívia, Paraguai e até mesmo Argentina, deixando fauna e flora em situações vulneráveis como nunca antes visto. 

 

“Até 31 de dezembro de 2020, 22.116 incêndios foram registrados no bioma, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Incêndios descontrolados destruíram vastas áreas de vegetação e vida selvagem morta, colocando um dos mais diversos ecossistemas em perigo. A mídia internacional mostrou carcaças carbonizadas de onças espalhadas pelo chão, junto com carcaças queimadas, jacarés e pássaros caídos. Fazendeiros locais lutam para sobreviver. O total anterior recorde foi de agosto de 2005, com 5.993 pontos quentes”, descrevem os pesquisadores. 

 

A pesquisa destaca, entre os principais pontos que causam preocupação, a pressão econômica imposta pelo setor do agronegócio, especialmente fora da região, e a políticas anti-ambientais adotadas até aqui. Nesse sentido, a indicação essencial é que o aumento da agricultura, pecuária, pesca e turismo deve proceder de forma sustentável para que o Pantanal seja preservado. 

 

Além disso,  os estudiosos sugerem a criação de uma rede científica com capacidade colaborativa para gerar ideias e soluções criativas para enfrentar os grandes desafios enfrentados pelo Pantanal. “Com melhor conhecimento das causas e tendências de secas ou inundações, seria possível propor estratégias para reduzir os impactos sobre os sistemas naturais e humanos da região”, alertam. 

 

A pesquisa foi realizada pelos pesquisadores: José Marengo, Ana Paula Cunha, Adriana Cuartas, Karinne Leal, Elisangela Broedel, Marcelo Seluchi e Fabiani Bender e pelos pesquisadores do Programa de Pós-graduação da Unesp-Cemaden: Camila Michelin, Cheila Baião, Eleazar  ngulo, Elton Almeida, Marcos Kasmierczak, Nelson Mateus e Rodrigo C. Silva. 

VOLTAR IMPRIMIR

COMENTÁRIOS




Informe Publicitário






NEWSLETTER

Cadastre-se e fique por dentro dos últimos acontecimentos e relatos do pnbonline.