Geral Quarta-Feira, 16 de Setembro de 2020, 09h:50 | - A | + A

EDUCAÇÃO

Redes estadual e privada de Mato Grosso recuam no Ideb 2019

Secretária de Educação cita greve dos professores e dívidas da gestão anterior como motivos para resultados ruins na rede pública.

Safira Campos

Da Redação

Haillyn Heiviny/ GCOM-MT

Escola Estadual Liceu Cuiabano

 

Mato Grosso registrou pela primeira vez recuo na Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), do Ministério da Educação (MEC). O índice foi criado em 2007 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), formulado para medir a qualidade do aprendizado nacional e estabelecer metas para a melhoria do ensino. Na edição de 2019, Mato Grosso perdeu pontuação tanto na rede pública, quanto na privada. 

 

Levando-se em consideração o Ensino Fundamental I, com o novo resultado, divulgado nesta terça-feira (15), a rede estadual voltou aos patamares de 2015, quando registrou 5.6 no índice. Em 2017, as escolas estaduais haviam alcançado a nota 5.8 no indicador, que é medido a cada dois anos. Em meta estabelecida pelo MEC, espera-se que Mato Grosso recomponha esta nota até 2021. 

 

Também houve recuo para o Ensino Fundamental II, que passou de 4.6 em 2017, para 4.5 em 2019. Já o Ensino Médio, registrou crescimento no indicador, mas ainda está muito distante da meta projetada pelo MEC. Em 2017, o índice foi de 3.2, passando para 3.4 em 2019. A meta para o último ano era que as escolas estaduais alcançassem 4.2 no índice. 

 

Cenário muito parecido foi percebido na rede privada de ensino. Do mesmo modo que as escolas estaduais, as particulares voltaram à nota de 2015, quando alcançaram 7.1 no índice para Ensino Fundamental I. Em 2017, o índice foi de 7.3. Para o Ensino Fundamental II, o índice manteve-se estável entre as últimas duas edições, registrando 6.5. Para o Ensino Médio, houve o crescimento de 5.6 para 6.1, mas a meta, que era de 6.6, também não foi atingida.

 

PNB Online

ideb em MT.png

Dados: Índice de Desevolvimento da Educação Básica (Inep - MEC)

Em nota, a Secretaria de Educação do Estado de Mato Grosso (Seduc-MT) reconheceu que os resultados obtidos pela rede pública estadual não foram satisfatórios, mas atribuiu os recuos aos percalços do ano de 2019, dando destaque à maior greve da educação da história do estado e a dívidas que teriam sido deixadas pela gestão anterior. 

 

“Em 2019, a atual gestão recebeu uma Secretaria com R$ 636,8 milhões de restos a pagar de exercícios anteriores, incluindo encargos e pessoal e despesas correntes, o que impossibilitou a capacidade de investimentos naquele ano. No entanto, em dezembro de 2019, já havia pago R$ 430,9 milhões do total de restos a pagar”, disse a secretária de Educação, Marioneide Kliemaschewsk. 

 

A promessa é de que agora, com as dívidas pagas, haja investimentos tanto na área pedagógica, como na infraestrutura. “Com isso, a Seduc agora passa por uma reformulação e em breve Mato Grosso terá uma grande virada na Educação.Entre as ações da Seduc está o reordenamento e redimensionamento da rede, visando otimizar espaços físicos e os recursos financeiros e melhorar o atendimento da demanda nas unidades educacionais”, traz o texto divulgado pelo Governo. 

 

Cuiabá supera metas

 

Já a rede pública municipal de Cuiabá superou as metas estabelecidas pelo MEC tanto para o Ensino Fundamental I, quanto para o Ensino Fundamental II. Registrando avanços, o índice passou de 5.7 em 2017, para 5.8 em 2019, para o Fundamental I. A meta era 5.6. Já para o Fundamental II, o índice passou de 4.6 para 5.0, entre 2017 e 2019. A meta neste caso era 4.9. 

 

O prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) comemorou os resultados pelas redes sociais. “Passando pra compartilhar uma excelente notícia com vocês. Cuiabá superou as projeções no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) 2019, indicador que mede a qualidade de ensino das escolas públicas. Desde 2017 nossa gestão trabalha para garantir uma escola pública de qualidade para nossas crianças”, disse. 

 

Mais sobre o Ideb

 

O Ideb funciona como um indicador nacional que possibilita o monitoramento da qualidade da Educação pela população por meio de dados concretos. Para tanto, o Ideb é calculado a partir de dois componentes: a taxa de rendimento escolar (aprovação) e as médias de desempenho nos exames aplicados pelo Inep. Os índices de aprovação são obtidos a partir do Censo Escolar, realizado anualmente.

 

As médias de desempenho utilizadas são as da Prova Brasil, para escolas e municípios, e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), para os estados e o País, realizados a cada dois anos. As metas estabelecidas pelo Ideb são diferenciadas para cada escola e rede de ensino, com o objetivo único de alcançar 6 pontos até 2022, média correspondente ao sistema educacional dos países desenvolvidos.

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