Geral Quinta-Feira, 10 de Outubro de 2019, 10h:50 | - A | + A

CIÊNCIA & GEOPOLÍTICA

Semelhanças entre intolerância na Europa e no Brasil são tema de discussão

Em painel do seminário “Cultura e o Outro”, o pesquisador português João Carlos Correia refletiu sobre a onda de autoritarismo que tem ganhado o mundo.

Safira Campos

Da Redação

(Foto: Reprodução Instagram / Rede Multimundos)

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“Até que ponto somos capazes de lidar com o outro?”. Essa foi uma das questões-chave levantadas pelo professor e pesquisador João Carlos Correia, da Universidade Beira Interior (UBI), de Portugal, em participação no seminário “Cultura e o Outro”, promovido na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) pela rede internacional de pesquisa Multimundos. 

 

Na ocasião, o intelectual apresentou o painel “A possibilidade ou impossibilidade do reconhecimento de outrem: Oswald Spengler e Samuel Huntington", em que propôs uma discussão sobre cultura, alteridade e identidade refletindo considerações de filósofos conservadores e defensores do nacionalismo. Alemão, Spengler, por exemplo, demonstrou ao longo da vida certa simpatia pelo nazismo e o britânico Huntington chegou a defender o direito à guerra como forma de preservação de ‘culturas superiores’. 

 

O ressurgimento do nacionalismo pelo mundo foi refletido pelo professor português a partir do cenário de ascensão da ultradireita na Hungria e na Polônia, que contam atualmente com governos que declaram apoio a específicas identidades religiosas e possuem políticas contra imigrantes e refugiados. 

 

Para o professor,  o cenário de ataque violência contra minorias nesses países torna-se combustível para a eleição de candidatos e partidos xenófobos e autoritários graças à pouca disponibilidade dos indivíduos em lidar com a cultura do outro. Correia ainda considera semelhanças entre o quadro europeu e o brasileiro.

 

“Reparem uma coisa: as questões sobre imigração estão hoje no centro de praticamente todas as discussões políticas na Europa e nos EUA, e em certa maneira está muito presente no interior do espaço público brasileiro também. Mas toda a questão vai além da imigração. O fato do convívio entre pessoas que têm culturas e identidades diferentes ser possível tem sido constantemente questionado”, apontou o intelectual. 

 

Intolerância e nostalgia

 

Em continuação, o português considera que para o cenário de intolerância, é necessária a suscitação de um sentimento de nostalgia, levantando questões como “precisamos ser grandes como antes”, justificativa recorrente entre os apoiadores do Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia que carrega consigo razões nacionalistas. No Brasil, a semelhança é guardada no saudosismo de parte da população com relação à Ditadura Militar que ignora a perseguição e os prejuízos causados pelo regime ao país.   

 

João Carlos Correia ainda fez considerações sobre populismo e sobre a ‘diabolização’ de pautas progressistas, caras às minorias. Além disso, refletiu sobre o recorrente ataque à mídia como forma de enfraquecimento das democracias, sobre o alastramento do fenômeno das fake news e sobre o valor e as contribuições dos direitos humanos à sociedade. 

 

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