Geral Quinta-Feira, 26 de Março de 2020, 08h:11 | - A | + A

CUIDADOS

Técnica em enfermagem relata rotina de apreensão dos profissionais da saúde

Na linha de frente de combate à pandemia de coronavírus, enfermeiros, técnicos e médicos adotam medidas para evitar contágio em suas próprias casas.

Safira Campos

Da Redação

(Foto: Reprodução / Jcomp)

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Ana Júlia*, de 21 anos, é, assim como milhares de brasileiros, uma profissional do Sistema Único de Saúde (SUS). Técnica em enfermagem, trabalha em uma das Unidades de Pronto Atendimento (UPA) do município de Várzea Grande. Por lá, a rotina dos profissionais de saúde é de apreensão e cuidados. O contato com pessoas com sintomas de Covid-19 os coloca entre os grupos de maior risco de contágio. 

 

A profissional, que vive com os avós de 63 e 72 anos, relata o sentimento de preocupação com o qual convive diariamente desde que a pandemia do novo coronavírus chegou ao Brasil. Assim como ela, muitos enfermeiros, técnicos e médicos têm seguido protocolos rigorosos para diminuir a possibilidade de contágio em suas próprias famílias. No seu caso, por morar com idosos, os cuidados tiveram que ser redobrados. 

 

“Estamos todos muito apreensivos. Eu mais ainda porque eu tenho dois idosos em casa, meus avós. Eles estão realmente preocupados. Já fiz um bloqueio por aqui e já ajo como se estivesse com o vírus. Como o meu quarto fica nos fundos, nós fizemos uma barreira e não tenho acesso à casa. Chego do trabalho e vou direto para o meu quarto pelo corredor. Não resta muito o que fazer”, conta. 

 

Os avós têm cumprido rigorosamente a quarentena recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e autoridades sanitárias, e somente a neta vai às compras em mercados e farmácias. O objetivo é seguir todas a precauções necessárias e diminuir a possibilidade de serem infectados. “Eles estão tomando todos os cuidados. Então, se eu passasse a doença para eles, não me perdoaria. Eu que trabalho na área, sei como é complicado contar com o sistema de saúde, porque não tem estrutura, ainda mais num possível cenário de sobrecarga”, afirma.

 

No local de trabalho, os cuidados também são intensos. “Eu uso uma calça e uma camiseta normais. Por cima, eu uso uma outra camiseta e uma outra calça, ambas de setor fechado, mais o jaleco. Recentemente eu mesma comprei um avental que uso também. Quando eu vou embora, eu tiro o jaleco e a roupa de setor fechado e guardo numa sacola. Eu tomo banho e visto a muda de roupa limpa que eu levo na mochila. Quando eu chego em casa, todas as minhas roupas são lavadas separadamente. Muitos dos meus colegas têm feito o mesmo”.  

 

Denúncias de falta de insumos e racionamento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) nas unidades de saúde de Cuiabá e Várzea Grande que chegam a entidades representativas como Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) e Sindicato dos Profissionais de Enfermagem de Mato Grosso (Sinpen-MT) também preocupam. Apesar disso, as Prefeituras de Várzea Grande e Cuiabá afirmam que as unidades já estão abastecidas.  

 

*Nome fictício, profissional preferiu não se identificar. 

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