Sexta-Feira, 19 de Fevereiro de 2021, 07h04
CELULARES NA CELA
Deputado preso queima a imagem da Polícia Federal
Policiais não podem ter "presos-amigos", parceiros, com tratamento diferente dado aos outros presos.

Da Redação

O episódio da prisão do deputado federal bolsonarista Daniel Silveira demostrou que o parlamentar tem, talvez, mais amigos na polícia do que na Câmara.

 

O jornal O Globo revelou que dois celulares escondidos por Daniel Silveira foram encontrados em uma bolsa, onde o deputado guardava suas roupas, na cela onde está preso.

 

A avaliação de investigadores e também de membros do STF é que o fato pode atrapalhar o relaxamento da prisão de Silveira.

 

Para além desse aspecto jurídico, a descoberta de dois celulares na cela do preso, um ex-policial, sugere uma perigosa simpatia dos policiais com o colega e com as ideias truculentas do bolsonarismo.

 

As cenas da prisão são a prova dessa relação amistosa demais. O deputado foi preso na residência dele, foi colocado no carro da PF e pode carregar o celular, fazendo transmissões à vontade no trajeto entre a casa e a cadeia.

 

O deputado preso no fim da noite de terça-feira (16),apareceu em um vídeo usando palavrões ao se dirigir a uma funcionária do Instituto Médico Legal (IML), que pediu que ele colocasse máscara antes de realizar o exame de corpo e delito.

 

Ele chegou ao local sem máscara e um homem com distintivo entregou o equipamento ao parlamentar, que respondeu que tem "dispensa" de utilizá-lo.

 

"Aqui dentro não tem dispensa", responde uma mulher. "Olha só, para a nossa proteção e para a sua, mas aqui dentro tem que usar máscara", continua ela.

 

O pior da cena no IML: o delegado da PF teve uma atitude de completa mansidão e de nenhuma ação, sem reagir à truculência do preso. Uma atitude que envergonha a categoria dos delegados federais.

 

Os celulares encontrados na cela e as cenas de cumplicidade amistosa dos policiais que prenderam o parlamentar devem ser, também, objeto de investigação e punição. Policiais não podem ter "presos-amigos", parceiros ideológicos, com tratamento diferente dado aos outros presos. 

 

Em tempo: o deputado foi preso em flagrante após divulgar um vídeo no qual faz apologia ao AI-5, instrumento de repressão mais duro da ditadura militar, e defender a destituição de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o que é inconstitucional.

 

 


Fonte: Notícias | PNB Online
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