Polícia Terça-Feira, 24 de Março de 2020, 16h:23 | - A | + A

NOVA ROTINA

Policiais relatam cotidiano do trabalho durante o enfrentamento da pandemia de coronavírus

Reportagem do PNB Online ouviu uma policial militar da capital e outra do interior e mostra as semelhanças e diferenças na mudança de rotina estabelecida por conta da pandemia de coronavírus.

Hallef Oliveira

Da redação

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Um dos serviços essenciais à população, a segurança pública não pode parar mesmo em tempos de pandemia. Por conta disso, o Comando-Geral da Polícia Militar publicou uma portaria na última semana com decisões estabelecendo medidas de prevenção dos policiais militares que trabalham nas ruas. As medidas seguem o decreto do Governo de Mato Grosso, que atribuem à PMMT o trabalho de agente fiscalizador para que a população cumpra corretamente as ordens estabelecidas para o combate do coronavírus.

 

Com isso, muda-se a rotina de trabalho dos policiais militares, que agora devem dispensar tempo para a correta higienização de viaturas e equipamentos utilizados em serviço, além da prevenção particular contra a doença. A reportagem do PNB Online conversou com duas sargentos que trabalham em cidades diferentes, que detalharam o impacto causado dentro do serviço da PM nas ruas. As policiais militares ouvidas pela reportagem optaram por não se identificarem na reportagem por entenderem que estão transmitindo opiniões individuais, que não necessariamente representam a opinião das corporações para qual se apresentam em serviço.

 

Entre as obrigações estabelecidas na portaria estão a utilização de máscaras e luvas de proteção no serviço das ruas e na abordagem de pessoas, sendo suspeitas ou não. Nesse sentido, uma sargento da PM de Cuiabá elogia as medidas estipuladas pelo Comando-Geral e ressalta que os cuidados são feitos, mas que futuramente situações poderão fugir da competência da PM, como a falta de materiais.

 

“Se houver (falta de materiais), não é uma questão de responsabilidade direta da Polícia Militar, mas sim dos órgãos do Governo e até mesmo do Ministério da Saúde. Estamos vivenciando uma situação nova, inesperada e complicada. Até mesmo profissionais da saúde estão sofrendo com a falta de materiais”, afirma.

 

Em relação aos materiais, a outra sargento ouvida pela reportagem, que trabalha no interior, no município de Cáceres (250 km de Cuiabá), também demonstra certa apreensão sobre a distribuição e duração dos materiais. “(O material) está disponível no batalhão e por enquanto não tem risco de falta, mas é sim uma preocupação pois não sabemos quanto tempo essa doença vai durar”, destaca.

 

A portaria da PM orienta que os oficiais sejam os meios de orientação das equipes sobre a maneira correta em que a higienização deve ser feita. As policiais ouvidas afirmaram que em todos os batalhões e destacamentos, os comandantes explicam passo a passo, pessoalmente ou por meio de vídeos, os procedimentos de limpeza adequada dos materiais.

 

Outra medida estabelecida pela portaria do Comando-Geral e no decreto do Governo do Estado torna obrigatório às forças de segurança pública prestar apoio aos órgãos fiscalizadores (Vigilância Sanitária, Procon e outros) para a regulação dos comércios e para conter a aglomeração e circulação de pessoas nos municípios.

 

Para a sargento da PM de Cuiabá, esse trabalho na capital deve ganhar maior foco nos bairros periféricos. “É necessário dar atenção à circulação de pessoas nesses bairros, especialmente ao comerciante local que insiste em deixar o comércio aberto. Explicar para essas pessoas a importância de ficar em casa durante esse período, em proteção para eles mesmos”, argumenta a militar.

 

Já em uma cidade de fronteira com outro país, como é o caso de Cáceres, que faz fronteira com a Bolívia, os cuidados devem ser redobrados pelo fato do grande número de pessoas que circulam na região, muitas vezes apenas de passagem.

 

“Atualmente as fronteiras estão fechadas, mas antes disso muita gente ficou indo e vindo. E mesmo assim, ainda existem muitos pontos onde as pessoas conseguem passar de um país para o outro sem fiscalização. Cáceres é uma cidade pólo e universitária, então pessoas de várias cidades pequenas dependem de vir aqui para resolver coisas e é um trabalho maior evitar a circulação de pessoas”, enfatiza.

 

Além disso, as policiais destacam que o cotidiano dos profissionais não envolve apenas lidar com o perigo de transmissão da doença nas ruas, mas também como cuidar disso dentro de casa. A policial da corporação da capital diz não ter medo da doença e acredita que as precauções são maneiras essenciais para conter o vírus.

 

“Criei uma área dentro de casa que apenas eu circulo. Quando chego do serviço coloco minha farda e calçado para lavar e só depois de tomar banho que tenho contato com meus familiares”, explica a policial. “A minha parte estou fazendo, tomando cuidado comigo e todos os meus familiares”.

 

Já a sargento que atua em Cáceres admite sentir medo e acrescenta que é fundamental aos colegas de profissão terem cuidados com a saúde mental. “É uma via de mão dupla, pois deixo todos em casa e na cidade em segurança, mas ao retornar (para casa) sou o motivo de insegurança dos meus familiares, pois posso trazer algo lá de fora. Isso pode abalar bastante o psicológico se não tivermos o cuidado adequado”, finaliza.

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