Política Domingo, 12 de Julho de 2020, 07h:29 | - A | + A

EGOÍSTA MILITANTE

Bolsonaro reduz pandemia a guerra política e cultural

Pedro Pinto de Oliveira

Com New Yorker

Antonio Cruz/ Agência Brasil

Natal - Bolsonaro

 

Desde  que o coronavírus se instalou neste país, o presidente Jair Bolsonaro, tal qual faz o seu ídolo, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump, promove a ideia de que a crise pode ser tratada apenas como um problema político ou um problema cultural. O pior da tragédia da pandemia é que muitas pessoas em cidades afetadas acreditam nele, para além dos seus fiéis seguidores, que se ajoelham aos pés do mito. A vitima é a maior parte da população que sofre com a desinformação sistemática. 

 

Bolsonaro colocou a questão da pandemia como um embate político contra governadores e prefeitos. Disse que os mortos vítimas da covid seriam apenas responsabilidade dos outros agentes políticos. Usou a decisão do STF, que definiu que governadores e prefeitos tinham autonomia em tomar as decisões locais que julgassem pertinentes. Mas, em óbvio, a decisão do STF nunca significou que Bolsonaro não tivesse a responsabilidade de liderar o país, de coordenar as ações dos governadores. Essa omissão foi o seu primeiro crime político. 

 

"O país continua a enfrentar a pandemia sem um presidente que lidere, que seja um gestor com alma"

No plano do embate cultural, o seu filho, Eduardo Bolsonaro e o seu ex-ministro da Educação, promoveram uma cruzada ideológica contra a China, com ataques racistas ao pior estilo do bolsonarismo: o deboche agressivo. Mais recentemente, causou polêmica a frase atribuída a Jair Bolsonaro de que usar máscara seria "coisa de viado". Mais um lance na pandemia reduzida a guerra cultural. A frase atribuída foi duramente criticada pelo movimento LGBT por usar linguagem homofóbica para zombar do uso do equipamento de proteção. Nas redes sociais, a declaração atribuída ao presidente provocou debate sobre homofobia e padrões de masculinidade. Atribuída ou legítima, a frase conseguiu o efeito esperado de diversionismo, provocando uma discussão cultural que anima os seus seguidores radicais, estimula o confronto e reduz a pandemia a um tema lateral.

 

Bolsonaro é um egoísta militante que cuida de si e dos seus filhos. E ponto. O resto da população é dividida por ele, e pelos filhos, entre os fiéis seguidores alimentados pela sua agressividade e deboche e aqueles brasileiros, os outros, que não querem se submeter à sua ideia única. Esse caráter se expressa na condução da crise. Os mortos sempre foram apenas um estorvo para seu projeto político. Nenhuma demonstração de humanidade e de respeito à dor alheia.

 

O país continua a enfrentar a pandemia sem um presidente que lidere, que seja um gestor com alma. O presidente fez a opção sincera e cínica por ser, na presidência, o que foi na vida militar: um oficial de baixa patente que nunca comandou nada. Ele limita-se a exibir o seu pior com denodo: o exercício diário da política da desinformação e do confronto. 

 

O presidente militante egoísta só pensa no seu projeto de reeleição em 2022. Bolsonaro acredita que não terá que prestar contas aos mortos e das mortes, nem agora e nem depois. Não adianta exibir números do dinheiro, os recursos liberados para os estados durante a pandemia. Faltou a postura de estadista e sobrou o número da vergonha, a quantidade de palavras usadas para confundir e dividir os brasileiros durante a crise. 

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