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Domingo, 04 de Abril de 2021, 06h:03 | - A | + A

SOPA, NEGACIONISMO E FORÇAS ARMADAS

Bolsonaro usa general para encenar a peça política "O meu Exército"

O passeio presidencial deste sábado teve um simbolismo político. Uma das queixas ao general da reserva Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa até segunda-feira passada, era falta de apoio político a ações e declarações de Bolsonaro.

Pedro Pinto de Oliveira

Reprodução

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O diabo está sentado em cima dos detalhes. Que diabos então faz o novo ministro da Defesa, general Walter Souza Braga Netto, chefe imediato dos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica, servindo de coadjuvante para uma cena populista do presidente Jair Messias Bolsonaro? Fazendo política, simples assim. Bolsonaro, em óbvio, ao contrário do que os crédulos creem, não desistiu da ideia de usar as Forças Armadas como um instrumento político. A entrada em cena do general Braga Netto é o personagem que reforça essa estratégia. Bolsonaro vai insistir em usar “o meu Exército” sempre que lhe for conveniente.

 

Lembra o jornalista Daniel Carvalho, da Folhapress: “depois de trocar toda a cúpula militar por falta de apoio político a suas iniciativas, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) levou o novo ministro da Defesa, o general da reserva Walter Braga Netto, para tomar sopa, na manhã deste sábado (03/04), na região administrativa de Itapoã, no Distrito Federal, a 15 km de Brasília.

 

Bolsonaro, Braga Netto e os seguranças presidenciais eram os únicos visíveis em transmissão ao vivo feita pelo mandatário que não usavam máscara na Associação Beneficente Cristã Casa de Maria – Beth Myriam, conforme relata Daniel Carvalho. 

 

“O passeio presidencial deste sábado tem um simbolismo político. Uma das queixas ao general da reserva Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa até segunda-feira passada (29/03), era falta de apoio político a ações e declarações de Bolsonaro. Novo ocupante do cargo, Braga Netto aparece no vídeo de colete de couro, sem máscara e tomando sopa, a exemplo do presidente”.

 

O presidente, um egoísta militante, só pensa em si e no seu projeto eleitoral, o resto que se exploda. Só os tolos e os crentes coniventes acreditavam que ele fosse mudar o tom do seu discurso belicoso e negacionista. Bolsonaro continua em guerra eleitoral contra a ciência e contra os governadores e prefeitos que defendem o isolamento social. E confessa que sua ideia autoritária se alimenta do confronto, usando, como sempre, o falso dilema entre salvar vidas ou salvar a economia para fustigar os seus adversários:

 

O presidente, um egoísta militante, só pensa em si e no seu projeto eleitoral, o resto que se exploda. [...] Bolsonaro continua em guerra eleitoral contra a ciência e contra os governadores e prefeitos que defendem o isolamento social.

“A guerra, da minha parte, não é política. É uma guerra que, realmente, tem a ver com o futuro de uma nação. Não podemos esquecer a questão do emprego. O vírus, o pessoal sabe que estamos combatendo com vacinações. Apoiamos medidas protetivas, agora, tudo tem um limite”, disse Bolsonaro enquanto tomava da sopa que estava sendo preparada no local para pessoas carentes. O presidente da República omite o fato que resiste: o seu governo foi criminosamente negligente na compra das vacinas no ano passado. O país vive o drama da falta de vacinas por causa do governo Bolsonaro, por causa de um presidente que embaiu os brasileiros gastando tempo fazendo propaganda da cura pela cloroquina.

 

O discurso do presidente, agora com o general político transferido da Casa Civil para a Defesa, vai incorporar cada vez mais a ideia de “o meu Exército”, das Forças Armadas submetidas à sua ordem política e aos seus caprichos pessoais:

 

 “As Forças Armadas estão à disposição para começar também a vacinar, colaborar para vacinar. Praticamente todos os quartéis do Brasil têm esta condição”, disse o presidente.

 

Bolsonaro voltou a se dizer contra a política que ele chama de “fecha tudo” e, sem citar dados, afirmou que “grande parte dos prefeitos querem uma mudança nesta política”. Velho como o diabo, ele sabe como jogar esse jogo de pressão política, sabe que os prefeitos não querem ficar mal com o governo federal, fonte de recursos e apoio político. 

 

 

 

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