Política Terça-Feira, 30 de Junho de 2020, 07h:29 | - A | + A

MINISTRO DA EDUCAÇÃO

Decoteli "ensina" ao presidente sobre como não informar a verdade

Pedro Pinto de Oliveira

Com Agência Estado -  Por Mateus Vargas

 

O novo ministro da Educação do governo Bolsonaro, Carlos Alberto Decoteli, exercita uma fórmula canhestra de dar explicações: respostas a esmo sem responder as perguntas que precisam ser respondidas. O Currículo Lattes do CNPq é uma ferramenta que se baseia na informação do autor, na verdade que expressa e que precisa estar devidamente documentada, caso seja cobrado sobre sua veracidade. O novo ministro mentiu, simples assim. Mentiu sobre ter concluído o doutorado na Argentina. Mentiu sobre o pós-doutorado na Alemanha. A mentira não é detalhe, a mentira está no centro do debate. O país pode ter um novo ministro da Educação que mentiu sobre a sua formação acadêmica? Qual autoridade dele junto aos estudantes, professores e pesquisadores?

 

A ameaça de que sem Decotelli, indicado pela ala militar do governo Bolsonaro, o MEC deverá ser mantido nas mãos da ala ideológica do bolsonarismo agrava a situação. O novo ministro que mentiu e não se explicou sobre a mentira no seu Lattes não pode ser aceito apenas por ser "um mal menor". A mentira será, sempre, um mal do mesmo tamanho da ignorância.

 

Decoteli foi nesta segunda-feira (29/6) dar explicações ao presidente da República. Bolsonaro chamou a mentira do ministro de "equívoco". Se vai manter o ministro depois da não-explicação sobre o porquê manter um currículo mentiroso no Lattes é um problema dele. Vai passar por um presidente que engole fácil falsas explicações. A postura de Decoteli não ajuda. Aos jornalistas disse: "Sou ministro!", um equivalente ao grito inócuo de Bolsonaro, o "Acabou, porra!". Não acabou nada, essa mentira vai assombrar a gestão do novo ministro, vide a enxurrada de memes que inunda as redes sociais.

 

Seguem as explicações tortas do ainda ministro da Educação que não explica porque mentiu:

 

1) Decotelli deixou de afirmar na segunda-feira, 29, no currículo que fez pós-doutorado na Universidade de Wuppertal (Alemanha). A instituição informou à reportagem que ele teve estadia de pesquisa de três meses, mas não tem um título. O ministro dizia ser pós-doutor pela universidade. Ser pós-doutor não é considerado título, mas exige conclusão de doutorado. Um programa do tipo, voltado para pesquisa, costuma durar ao menos 6 meses. A universidade não informou se a pesquisa de Decotelli era vinculada a um programa de pós-doutorado. Não explicou porque mentiu, porque disse que tinha feito um pós-doutorado sabendo que é um não-doutor. 

 

2) Ele disse ter finalizado a pesquisa de doutorado. "Na hora em que foi concluído o trabalho, tinha de ser registrado num cartório acadêmico. E no cartório tem lá a pesquisa completa registrada." Sobre a acusação no mestrado, admitiu uma "distração". "Você lê muito, tem de obrigatoriamente ter disciplina mental para escrever, revisar e o que citar tem de mencionar." Mas disse que plágio só ocorre quando há "CtrlC+CtrlV". "Não foi isso." Quanto ao doutorado na Argentina, desmentido pela universidade, reiterou ter concluído os créditos, mas não teve condição de voltar ao país para apresentar a tese após adequação sugerida pela banca. Responde alho sem responder ao bugalho que interessa: porque mentiu no Lattes? Sem tese, defendida e aprovada, ninguém pode se declarar doutor, uma lição acadêmica simples e objetiva.

 

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