Política Segunda-Feira, 19 de Agosto de 2019, 06h:05 | - A | + A

Sucessão de Emanuel

"Entre Colunas": a falta que fazem para Niuan o discurso e o gesto

Um vice que rompe é um candidato com os porquês na ponta da língua, ou é alguém marcado pela tentação oportunista.

Pedro Pinto de Oliveira

Da Redação

A expressão “Entre Colunas” no dialeto da Maçonaria, segundo Raymundo D’Elia Júnior, tem diversos significados, mas um deles é útil para ilustrar o momento político que vive hoje o vice-prefeito de Cuiabá, Niuan Ribeiro, recém filiado ao Podemos, em franca movimentação para se lançar candidato a prefeito. O que significa aqui a expressão: colocar um aprendiz da maçonaria “Entre Colunas” para que ele apresente uma Peça de Arquitetura. É exatamente o que falta hoje a Niuan. Ele não tem uma peça de arquitetura do seu projeto para disputar a eleição, falta-lhe em especial o discurso.

 

Do que decorre  a falta de um discurso político? Respostas às questões que se impõem: será candidato contra o atual prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) para que? Qual é a distinção entre o vice e o prefeito? Por que escolher o vice e não o prefeito? Mesmo ainda no período de articulações de bastidores, ao projetar a luz da mídia sobre suas intenções, o vice-prefeito já deveria estar com esse discurso esboçado nas suas entrevistas.

 

Outro problema foi apontado de imediato pela singela truculência do vereador Chico 2000, da Base de apoio de Emanuel. O nobre vereador foi curto e grosso:

 

"Se ele pretende disputar a eleição municipal, é excelente, é direito dele, é direito de qualquer outro que esteja habilitado para isso. No entanto, solta a teta, porque não é justo continuar usufruindo da estrutura do Executivo municipal  e falando mal pelos cantos, dando declarações maldosas nos cantos. Faça isso, mas larga a teta”, pediu o vereador em um discurso inflamado, durante sessão ordinária na Câmara.

 

Os problemas de uma candidatura de Niuan Ribeiro estão postos. 

 

1) Falta um discurso que indique de saída qual é a distinção entre ele e Emanuel, e nesse quesito será preciso impor diferenças de ordem ética. Ou seja: Niuan terá que incorporar ao discurso a crítica pública, que ainda não fez, sobre o escândalo do paletó. Emanuel foi filmado pela turma de Silval Barbosa enchendo os bolsos do paletó quando era deputado estadual. O prefeito até hoje não deu uma explicação pública à sociedade, com a desculpa de que é um caso para a Justiça. É um caso de Justiça e do Ministério Público, mas é, em óbvio, um caso de política: Emanuel deve, ainda, explicações públicas. Niuan precisa cobrá-las publicamente. Ou vai encarar o eleitorado cuiabano com um estridente silêncio sobre o tema de fundo ético?

 

2) Ao estar ainda ocupando a cadeira de vice-prefeito em plena movimentação de uma eventual candidatura fica na mira das críticas do tipo Chico 2000. Desocupar a cadeira e "largar a teta" são imposições que a escolha política exige. Se desistir do projeto, só restará o descrédito pela manobra de alto risco estando no exercício de mandato de vice. 

 

A situação é cristalina, ao fim e ao cabo, para Niuan Ribeiro. Precisa marcar a diferença entre ele e Emanuel, deixar o cargo e pontuar sua crítica à gestão atual e ao escândalo sem explicação. Ou corre o risco de fazer uma campanha insossa de um outro vice. O ex-vice-governador Carlos Fávaro, candidato a Senador em 2018. Fávaro achava que poderia ser candidato sem dizer uma única palavra contra o então governador Pedro Taques. Um vice que rompe é um candidato com os porquês na ponta da língua, ou é alguém marcado pela tentação oportunista.

 

O projeto de arquitetura do aprendiz de candidato a prefeito começa pelo discurso “Entre Colunas”

 

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