Política Terça-Feira, 23 de Junho de 2020, 11h:30 | - A | + A

INVESTIGAÇÃO

Ex-diretor de trânsito depõe em CPI e diz que semáforos inteligentes não funcionam

O engenheiro Rafael Detoni prestou depoimento à CPI da Câmara de Vereadores de Cuiabá que investiga o contrato e instalação de equipamentos de R$ 15 milhões.

Suzi Bonfim

com assessoria

Assessoria/Prefeitura de Cuiabá

Semáforo no trânsito em Cuiabá

 

A investigação do contrato de compra e instalação de semáforos inteligentes por R$ 15 milhões feito pela Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) de Cuiabá, na Câmara de Vereadores da capital, apontou que o investimento não gerou resultados práticos para o trânsito na cidade. Em depoimento, por meio de videoconferência, o ex-diretor de Trânsito da Semob, Rafael Detoni, afirmou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que os semáforos inteligentes não funcionam como deveriam. Detoni também apresentou um estudo sobre o trânsito e fez colocações sobre a má qualidade do material instalado na cidade.

 

De acordo com o engenheiro, a centralização atual do sistema é inoperante e o controle de qualidade dos equipamentos implantados em tempo real (Inteligência) ineficiente. Rafael Detoni apresentou fotos de vários pontos da cidade que mostram focos luminosos de LED para pedestres e para veículos, inativos. “Cadê a certificação de qualidade do produto? Há uma ausência de laudos do Inmetro sobre a qualidade dos LEDs”, constatou o engenheiro de trânsito. 

 

Rafael Detoni foi diretor de Trânsito na Semob entre 2006 e 2007 e, segundo ele, houve um processo de atualização do sistema semafórico, em Cuiabá, no último ano em que esteve à frente da diretoria. A informação contraria a justificativa da Prefeitura de Cuiabá, em 2018, para a contratação de novos semáforos de que há 30 anos o sistema não era renovado. “Em 2007 tinha um sistema atualizado. A alegação de que havia um parque semafórico deteriorado e defasado não condiz com a realidade e o próprio relatório do Tribunal de Contas apresenta isso”, garantiu o engenheiro, lembrando que foram mantidos em Cuiabá os semáforos usados nas obras da Copa deixados pelo governo do Estado. 

 

Outro argumento para aquisição de novos equipamentos contestado pelo engenheiro de trânsito é sobre a quebra constante dos aparelhos, o que de acordo com Detoni não é verdade. Ele citou um relatório apresentado pela própria secretaria que, em um mês, registrou apenas 10 chamados para manutenção dos semáforos.

 

O ex-diretor da Semob afirmou à CPI que a compra de 60 controladores de 10 fases e 30 controladores de 16 fases feita pela prefeitura foi “um exagero” já que a capital não tem cruzamentos com níveis de complexidade que demandem tantas fases para um controlador. “Em um dos cruzamentos mais complexos da cidade é utilizado um controlador de oito fases. Essas quantidade de controladores despertam um pouco de cuidado”. 

 

Quanto ao equipamento instalado, o engenheiro de trânsito considerou que o modelo do equipamento não é adequado e faz com que o poder público fique refém de um único fornecedor em situações que demandem troca de poste, além do excesso de porta-focos veiculares sem demonstração da real necessidade. “Mesmo avenidas mais largas, não justifica a implantação de três porta-focos. Não encontra amparo legal apesar da Semob justificar que seria usado para cada faixa, é visível que não é aplicado”, afirmou Detoni.

 

A CPI da Câmara de Vereadores ainda deve convocar o empresário Maxtunay Ferreira França, da empresa mexicana Semex S.A., contratada por meio de pregão eletrônico por R$ 15 milhões para fornecer e instalar os semáforos na capital. Já em relação a outro ponto da investigação, a apreensão de veículos multados pela prefeitura, sob a responsabilidade a empresa Rodando Legal, deve ser convocado o empresário Carlos de Mello Logulo. As data ainda não foram confirmadas. Os vereadores Diego Guimarães (Cidadania), Lilo Pinheiro (PDT) e Wilson Kero Kero (Podemos), que integram a comissão instalada no início de maio deste ano, já ouviram o ex-procurador-geral do município Nestor Fidélis, que confirmou ter emitido um parecer parcialmente favorável à contratação dos equipamentos. Foram solicitados à Delegacia Fazendária (Defaz), o compartilhamento de documentos do processo que investiga a licitação dos equipamentos e o relatório de auditoria do Contrato nº 258/2017 elaborado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) que trata da contratação do sistema semafórico na cidade.

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