Política Segunda-Feira, 12 de Agosto de 2019, 14h:36 | - A | + A

DIRETO DE LISBOA

Greve de caminhoneiros eleva a temperatura da eleição em Portugal

Deflagrada logo no início da campanha, a paralisação preocupa tanto o primeiro-ministro Antonio Costa, do PS, quanto o principal líder da oposição, o presidente do PSD, Rui Rio.

Amauri Teixeira

Amauri Teixeira

Correspondente em Lisboa

 

A greve por tempo indeterminado iniciada por caminhoneiros nesta segunda-feira, 12, aumenta o grau de imprevisibilidade nas eleições portuguesas, marcadas para o dia 6 de outubro. Deflagrada logo no início da campanha, a paralisação preocupa tanto o primeiro-ministro Antonio Costa, do PS, quanto o principal líder da oposição, o presidente do PSD, Rui Rio. Ambos temem que a duração da greve e seus efeitos, com risco de desabastecimento e paralisação de serviços importantes, possa se refletir nas urnas de forma negativa.

 

Em outubro, mais de 9 milhões de eleitores portugueses vão às urnas para eleger os 320 deputados da Assembleia da República, o equivalente à Câmara dos Deputados, no Brasil. O pleito é essencial para a continuidade da atual administração. No sistema semi-presidencialista adotado por Portugal, a formação do governo depende da composição política na Assembleia. 

 

O primeiro-ministro Antonio Costa chegou  ao comando do governo, em 2015, depois que Pedro Passos Coelho, do PSD, não conseguiu formar maioria parlamentar na Assembleia, apesar de seu partido ter se sagrado vencedor nas urnas.

 

Preocupado com o humor dos eleitores, o governo adotou uma série de medidas para reduzir o impacto da greve e garantir a manutenção dos serviços essenciais. Na sexta-feira, foi decretado estado de crise energética, medida que concede poderes extraordinários ao governo, entre elas a exigência para que as empresas de transportes garantam uma frota mínima em circulação. Numa situação extrema, o governo pode recorrer à “requisição civil”, instrumento constitucional que prevê o recrutamento de pessoal e o uso de meios privados, com eventual apoio militar, para garantir a prestação de serviços considerados essenciais. “Temos de esperar o melhor, mas estar preparados para o pior”, afirmou o primeiro-ministro.

 

A oposição identificou falta de empenho do governo para evitar a paralisação. Rui Rio desconfia que o PS poderá se aproveitar da greve e criar um ambiente de indignação, levando a população a condenar o movimento grevista e manifestar seu repúdio dando apoio ao governo nas urnas. Em sua conta no Twiter, Rio chegou a sugerir que a greve fosse adiada para depois das eleições. 

 

Analistas políticos portugueses acreditam que as providências adotadas e a forma como o governo vem tratando a greve podem mesmo receber o apoio da opinião pública, diante da segunda paralisação promovida pelos caminhoneiros este ano. Em abril, em apenas dois dias de greve, metade dos postos do país ficou sem combustíveis.

 

Os caminhoneiros portugueses reivindicam das empresas de transportes reajustes salariais anuais escalonados, nos próximos três anos. O aumento seria de 11% a partir de janeiro de 2020, o que elevaria o salário-base da categoria de 630 euros para 700 euros. Pela proposta dos sindicatos do setor, os valores passariam para 800 euros em 2021 e para 900 euros em 2022.

No final da tarde de ontem, depois de uma avaliação da greve com o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro-ministro Antonio Costa anunciou a disposição de recorrer à “requisição civil” e convocou uma reunião do Conselho de Ministros. Os caminhoneiros não estariam mantendo uma frota  mínima em circulação para o abastecimento de produtos essenciais. Mais de 460 postos de combustíveis em todo o país e o aeroporto internacional Humberto Delgado, em Lisboa, estariam ameaçados de desabastecimento. Para garantir os serviços, Costa determinou que a distribuição de combustíveis e de produtos passe a ser feita pela Guarda Nacional Republicana e pela Polícia de Segurança Pública. 

 

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