Política Segunda-Feira, 06 de Julho de 2020, 07h:00 | - A | + A

ANTERO PAES DE BARROS

Jornalista analisa o cenário no Brasil e em MT em tempos de pandemia

Em entrevista ao PNB Online, Antero Paes de Barros aborda os principais temas que estão em pauta no país e no território mato-grossense, especialmente, em Cuiabá

Suzi Bonfim e Pedro Pinto de Oliveira

da Redação

Antero Paes de Barros

 

O jornalista e advogado Antero Paes de Barros, 67 anos, dispensa apresentações para a maioria dos mato-grossenses. A atuação diária no Rádio, Televisão e no Site PNB Online, o faz ter uma visão bastante ampla dos principais acontecimentos políticos e socioeconômicos no Estado e no país.

 

As críticas são contundentes principalmente quando se trata de questões ligadas aos governos de Jair Bolsonaro e do prefeito Emanuel Pinheiro, em Cuiabá. Também passa pelo governo de Mauro Mendes e avalia como serão as eleições municipais diferentes de tudo o que viu até agora, além de serem em outra data, de outra forma. 

 

A lucidez da análise de Antero Paes de Barros, em alguns momentos, faz a gente sentir como se tivesse levado um soco no estômago tamanha indignação que as  constatações dele provocam. 

 

Como boa parte das pessoas no mundo, Antero também está entristecido pelo que acontece com a pandemia da covid-19, como perda de amigos e o distanciamento da mãe e dos netos. Mas, no fim das contas, a esperança fala mais alto. Acompanhe os principais trechos da entrevista dividida em tópicos:. 

 

PREFEITO DE CUIABÁ, EMANUEL PINHEIRO

 

PNB Online - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara de Vereadores de Cuiabá, que investiga o recebimento de propina pelo então deputado estadual e atual prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), a chamada CPI do Paletó, deve apresentar o relatório final nesta sexta-feira (10). Entre idas e vindas determinadas por decisões da Justiça de Mato Grosso, são quase três anos que a denúncia se arrasta no parlamento municipal, sem resultados concretos. Por outro lado, também não há uma investigação na Justiça. A que o senhor atribui esta situação?

 

Antero - Neste momento, a não apuração pesa contra o Ministério Público Estadual (MPMT). O Poder Judiciário está de mãos amarradas porque não há sequer a denúncia. Há uma criminosa omissão dos dois ministérios públicos - o Federal (MPF) e o Estadual (MPMT). O MPMT alega que o assunto está com o MPF, mas se está, é indevidamente. Quando não só Emanuel, mas todos os outros parlamentares da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), em fila indiana, indo receber dinheiro de propina do Silval Barbosa (ex-governador), tinha um deputado federal, Ezequiel Fonseca (PP). Então, originalmente, o processo esteve realmente em nível federal porque o maior atrai o menor e todo mundo ficou dependendo do foro por prerrogativa de função do Ezequiel. Mas ele (Ezequiel) perdeu a eleição, então o processo naturalmente tem que vir para o Ministério Pùblico de Mato Grosso, sem foro. Não tem motivo para estar com o MPF. Ainda que esteja, onde está o ofício do MPMT pedindo a baixa do processo junto ao órgão federal? 

Reprodução

emanuel pinheiro paleto

"Não tenho dúvida que [o escândalo do paletó] vai influenciar nas eleições e o senhor Emanuel Pinheiro não se reelege prefeito de Cuiabá".

PNB Online - Nessa dependência que a sociedade fica, do Ministério Público, não há saída?

 

Antero - Eu fui constituinte (deputado federal/Assembleia Nacional Constituinte 1987-1991). Uma das boas coisas que nós fizemos foi dar poder ao Ministério Público, mas também erramos. Erramos no seguinte sentido: a possibilidade da denúncia, não podia ficar exclusivamente com o Ministério Público. Eu acho que poderia ficar com o Ministério Público e com a Polícia Judiciária Civil ou com a Polícia Judiciária Federal. Porque a possibilidade de denúncia exclusiva, se o Ministério Público não quer, senta em cima do processo e o processo não anda. E depois o processo prescreve. É o típico caso dessa questão do Emanuel. O que o Ministério Público está esperando? Está esperando prescrever os processos? São situações inaceitáveis. Ainda mais agora que o Supremo Tribunal Federal acabou de formar maioria, não terminou a votação, mas está 6 votos a 2, estabelecendo o seguinte: casos de improbidade administrativa terão que ter o processo em cinco anos. Se não iniciou o processo neste prazo, é porque prescreveu. Essa recente decisão do Supremo aperta a questão da prescrição e mostra que o Ministério Público não está funcionando. Eu sou admirador da instituição e acho que ela tem grandes nomes em todos os níveis, aqui no Ministério Público Estadual e também no Ministério Público Federal. Mas precisa de ajustes, não pode continuar escolhendo quem denuncia. O crime não tem esta etapa, não deve ter nome. Tem que denunciar o fato independentemente de quem tenha praticado.

 

PNB Online - O senhor acredita que o escândalo do paletó vai interferir se Emanuel Pinheiro for candidato à reeleição nas eleições municipais, este ano? 

 

"O povo julga melhor que a Justiça"

Antero - O escândalo vai contar nas urnas, sim. Não tenho dúvida que vai influenciar nas eleições e o senhor Emanuel Pinheiro não se reelege prefeito de Cuiabá. Ele tem uma candidatura natimorta. Todos os outros deputados flagrados naquele vídeo (veiculado no Jornal Nacional em agosto de 2017) perderam a eleição, com exceção do J.Barreto que faleceu (deputado estadual do PR, Hermínio J. Barreto, que morreu um acidente de carro em maio de 2018). Emanuel vai disputar agora e é evidente que não vai ser o único absolvido daquele vídeo. Traduzindo: o povo julga melhor que a Justiça.

 

PNB Online - Mas, o uso da máquina pública, e o prefeito tem feito isso com intensidade, não pode fazer com que o povo esqueça ou não dê tanta importância ao fato?

 

Antero - Não acredito que isso aconteça em uma campanha majoritária. Se fosse na proporcional, com Emanuel candidato a deputado estadual, eu tenho certeza que poderia ter sucesso usando a máquina da Prefeitura de Cuiabá, como o filho dele teve. A eleição do filho dele (Emanuel Pinheiro Neto, a deputado federal pelo PTB, em 2018) foi resultado da máquina. Mas a eleição majoritária é conceitual e, neste caso, a população brasileira continua contra a corrupção. O item combate à corrupção vai ser pauta na próxima eleição municipal, estadual e federal.

 

PNB Online - Em 23 de junho deste ano, o secretário de educação de Cuiabá, Alex Vieira Passos, foi afastado do cargo. Ele é investigado na operação Overlap feita pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) e pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) por ser dono de uma empresa responsável pela construção de uma creche no município. Isso pode comprometer o prefeito?

 

Antero - Este é o menor dos problemas do Emanuel Pinheiro e o fato precisa ser apurado. O mais grave na administração dele é o que aconteceu e vem acontecendo na área da saúde. A Operação Sangria (processo na Justiça Federal, que investiga fraudes e desvios na saúde na prefeitura de Cuiabá) também tem motivos para levar gente muito importante para a cadeia. Até hoje nada aconteceu. Não sei quais sãos os anjos da guarda que protegem os poderosos da Prefeitura junto aos ministérios públicos estadual e federal, sendo que já houve até delação premiada do secretário Huark, que foi preso naquela operação (ex-secretário de Saúde de Cuiabá, Huark Correia, preso em março de 2019). Emanuel conseguiu muito dinheiro junto ao Governo Federal por meio do Huark, que tem uma relação de parentesco com o Blairo Maggi, ministro do Temer (presidente Michel Temer - agosto de 2016 a janeiro de 2019). Blairo conseguiu liberar os R$ 100 milhões junto com o Temer e veio um monte de dinheiro. Desse dinheiro da Saúde, muita coisa sumiu. Nesta mesma época, foi relatado o episódio de R$ 14 milhões em um motel. Sinceramente não sei por que o Ministério Público está sentado em cima disso, sendo que as provas parecem que são ululantes. Estão saltitantes na frente das autoridades e eles não agem porque não querem.

 

GOVERNO JAIR BOLSONARO 

 

Presidente que não cumpre a lei, recorre pra dizer que não vale pra ele, é um propagador do vírus. Faz uma administração pífia, com algumas conquistas.

PNB Online - Como você avalia o governo Jair Bolsonaro até agora?

 

Antero - O governo não existe mais. O Bolsonaro que se elegeu não é mais o que está aí. Ele se elegeu prometendo fazer o combate à corrupção e abandonou a promessa. Hoje o governo Bolsonaro está insistindo em acabar com a Lava-Jato. O Aras (procurador-geral da República, Augusto Aras) - um Bolsonarista na Procuradoria Geral da República -  resolveu perseguir a operação contra a corrupção e acabar com a independência do Ministério Público, garantida pela força da Constituição Federal, tendo acesso a inquéritos sem cumprir determinados protocolos. Mas é nitidamente uma manobra em que o Aras cumpre desejos (não vou dizer ordens porque elas não existem) do Palácio do Planalto para investigar a Lava-Jato para ver se consegue encontrar algum defeitozinho e comprometer Sérgio Moro (ex-ministro de Justiça). Assim, pode facilitar a disputa em 2022 porque agora Bolsonaro passou a ver Moro como grande inimigo. 

 

Bolsonaro, que se elegeu para combater a corrupção, se transformou em aliado do Centrão, aquele agrupamento que o general Heleno (Augusto Heleno chefe do gabinete Institucional) dizia: ‘se gritar pega Centrão, não fica um meu irmão’ e hoje é aliado para ajudar a governar o Brasil. É um presidente que não sabe administrar e que agora arrumou entrevistas fakes, alugou fotografias, fizeram filmes criando um país como se ele fosse um estadista. Ele está fazendo muito mal ao país. A Europa abriu (pós-pandemia) para visitação a todos os países do mundo, menos para o Brasil. É a maior desmoralização mundial para os brasileiros. Os nossos negócios estão sendo prejudicados, os fundo trilionários internacionais de seis países da Europa, China, EUA e Japão responsáveis por investimentos no mundo inteiro já anunciaram que vão parar de investir no Brasil por causa da celeridade na destruição ambiental e da Amazônia.

 

Antonio Cruz/ Agência Brasil

Natal - Bolsonaro

"O governo dele [Bolsonaro], como ele se elegeu, não existe mais. Agora ele governa para proteger a família e terminar o mandato".

Tá certo, tem que tirar o ministro da Educação (Decotelli) que mentiu no currículo, mas e os outros, não? Ricardo Salles (ministro do Meio Ambiente) porque é branco de olhos azuis; a Damares (ministra da Mulher)  porque é branca e evangélica. Os dois mentiram no currículo. Tem ainda o enfrentamento com os Poderes (Legislativo e Judiciário), querer que a Justiça decida de acordo com a família do Bolsonaro, como no caso do Flávio Bolsonaro, que se devolver para a primeira instância vai desmoralizar o Judiciário. Presidente que não cumpre a lei, recorre pra dizer que não vale pra ele, é um propagador do vírus. Faz uma administração pífia, com algumas conquistas. 

 

Os bolsonaristas dizem que ele concluiu a BR-163 (Cuiabá-Santarém). É verdade, de 1.372 km ele fez 67 km, mas dos 1.372 vem desde a ditadura militar, passa por Fernando Collor/Itamar Franco (1990 a 1994); Fernando Henrique (1995 a 2002), passa por Lula, (2003 a 2011) e passa por Dilma (2011 a  2016) e aí chega no Bolsonaro. Importante que tenha feito em um trecho lá no Pará, ou seja, Mauro Mendes (governador de Mato Grosso) fez mais que ele em um ano e meio. Outra coisa é a canalização do Rio São Francisco. Eles querem homenagear Ciro Gomes, Lula e Dilma porque a obra andou com o Ciro como ministro da Integração Nacional (2003-2006). Bolsonaro concluiu uma parte pequena em relação ao resto que  tinha sido investido. Mas tem que dar continuidade nas obras. O governo dele como ele se elegeu não existe mais. Agora ele governa para proteger a família e terminar o mandato. 

 

PNB Online -  Até que ponto os  filhos de Jair Bolsonaro - Flávio, Carlos e Eduardo são alvos de investigação no Ministério Público Federal- interferem diretamente na gestão do pai? Temos quatro presidentes?

 

Antero - O Brasil votou em Jair Bolsonaro e depois que ele foi eleito o país descobriu que elegeu quatro. Quem tomou posse foram Jair, Carlos, Flávio e Eduardo Bolsonaro. Os filhos influenciam muito e negativamente. Na verdade, os filhos são a síntese dele. 

 

PNB Online - Mas como o então deputado federal Jair Bolsonaro, há 28 anos, conseguiu chegar até aqui. O caráter dele faz diferença?

 

Antero - O grande responsável pela eleição de Jair Bolsonaro foi o PT. O fato de o PT não fazer nenhuma autocrítica, tentar ganhar aquela eleição, continuar com o projeto da roubalheira foi o que levou à vitória de Jair Bolsonaro. Qualquer um que chegasse contra o PT no segundo turno ganharia a eleição. E o Bolsonaro ganhou porque grande parte da população brasileira não votou nele, votou contra PT. 

 

Veja você que pelo menos metade da população brasileira não conhece os horrores de 64 (1964 início da ditadura militar no país), não vivenciou, não participou, apenas leu e soube. Bolsonaro é alguém que faz homenagem aos que praticaram um dos maiores horrores da ditadura, como Carlos Alberto Brilhante Ustra, o primeiro torturador condenado no Brasil. O presidente tem como chefe do gabinete de Segurança Institucional o general Augusto Heleno, que se não fosse incompetente não teria permitido a nomeação do ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli (que apresentou carta de demissão em 30 de junho) porque cabe ao gabinete fazer as avaliações das informações para que cheguem ao presidente da República de forma correta. Além disso, foi chefe de gabinete, o general Silvio Frota, um dos homens mais violentos da época da ditadura e esse cidadão é um dos principais aliados de Bolsonaro. Com tudo isso, com toda esta vocação autoritária do Bolsonaro demonstrada por ele em atos pelo fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal;  o povo brasileiro se manifestou em pesquisa do DataFolha, na semana passada, que 75% são a favor da democracia. E grande parte não conheceu como eu conheci os horrores de 64. Não lutei contra a ditadura, fui sendo criado nesta época e quando cheguei à juventude a ditadura ainda continuava. 

 

PNB Online - O senhor concorda que a condução do presidente Bolsonaro na pandemia foi muito negativa para o país inteiro?

 

Antero - Bolsonaro é um negacionista por excelência. Ele é um cidadão que nega que a Terra é redonda, né. Para ele, a Terra é plana. Entre os seguidores dele têm os terraplanistas, que acreditam que a Terra é plana. Eles negam a ciência. Bolsonaro é a pior administração da pandemia do mundo. Tanto é que estamos indo para o primeiro lugar. Estamos em segundo porque o ídolo dele Trump (Donald Trump, presidente dos EUA) está em primeiro porque a população lá é maior. Mas ainda assim, corre-se o risco do Brasil passar à frente na questão da pandemia e grande parte dos problemas brasileiros, mais da metade do que está aí, é porque o Bolsonaro, e ele tem liderança, não se pode negar isso, usou a liderança dele para dizer o seguinte, 'é uma gripezinha, é uma histeria, pode sair às ruas, não vai acontecer absolutamente nada, nós que somos atletas, etc e tal'. E vamos para 60 mil mortes no Brasil. 

 

PNB Online - Como o senhor vê a condução do governador Mauro Mendes em meio à pandemia?

 

Antero - Eu acho que a situação de Mato Grosso estaria muito mais complicada se não fosse a atuação do governador Mauro Mendes. Não fosse a atuação do secretário de Saúde Gilberto Figueiredo, que faz um bom trabalho à frente da pasta e do governador Mauro Mendes. Mauro teve medidas administrativas absolutamente corretas. Ele aumentou o número de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) em Várzea Grande, construiu o Hospital Metropolitano e o que ninguém fala e é preciso dizer, com a ajuda da Assembleia Legislativa (ALMT), que abriu mão de R$ 10 milhões do seu orçamento para ajudar na construção do Hospital Metropolitano onde foram criados 40 novos leitos de UTI, fez novos leitos no interior e está indiscutivelmente melhorando a infraestrutura da saúde no estado. 

 

Secom-MT

Governador anuncia novos leitos na Santa Casa

"Mauro Mendes deveria fazer aqui o que Bolsonaro não fez em nível federal, liderar os prefeitos para as pessoas ficarem em casa".

Agora, tem uma coisa que não tem como resolver. Porque nos municípios não adianta levar UTI para Ribeirãozinho e São Félix do Araguaia, porque lá não tem um médico intensivista, pessoas qualificadas para trabalhar em uma UTI. Temos uma crise de pessoal inclusive no Brasil. Mas acho que o Mauro Mendes enfrentou bem a saúde e com o descaso total dos prefeitos. Veja bem, o Emanuel até hoje não conseguiu botar uma UTI de pé. O Mauro Mendes já colocou mais de 100. As UTIs que existem em Cuiabá são do tempo dos prefeitos Rodrigues Palma, Dante de Oliveira, Wilson Santos, Chico Galindo e Mauro Mendes. É preciso cobrar que ele participe nisso. 

 

Ele fez a inauguração recente da UPA do Verdão e criminosamente botou equipamentos para tirar fotografia na solenidade e no outro dia tirou. Aí os vereadores foram lá e mostraram a UPA sem utilização. Por que nesta crise ele já não transformou aquela UPA só em UTI? Quer dizer, não há uma ação. É inaceitável que Rondonópolis, que Cuiabá e que Várzea Grande, principalmente estes três municípios, não tenham criado UTIs. Agora, a Lucimar está entregando 10 novas em Várzea Grande. Dez UTIs. E Emanuel não consegue entregar nenhuma. Acho que se os municípios ajudarem um pouco, vai melhorar. Embora, Mauro Mendes deveria fazer aqui o que o Bolsonaro não fez em nível federal, liderar os prefeitos para as pessoas ficarem em casa. Acho que essa falta de insistência nessa orientação é a falha nessa questão da pandemia.

 

Assim, a rede social acaba virando um esgoto da campanha política e até você separar essas coisas, leva tempo. Entretanto, tem como você utilizar bem, falando de proposta e projetos sem atacar os outros candidatos. Até porque a credibilidade da rede social tende a zero. As recentes pesquisas mostram que os sites, jornais, o rádio e a televisão são muito mais acreditados do que as redes sociais, em função do mau uso que fizeram delas nas últimas eleições. Os candidatos vão ter que ter cuidado. Toda vez que eu fiz campanha ou assessorei alguém eu sempre recomendei: comunicação é verdade. Não adianta mentir. Tem que fazer o uso correto das redes sociais.

ELEIÇÕES MUNICIPAIS (15 e 29 de novembro)

 

PNB Online - Qual será a marca destas eleições municipais? Como será a campanha sem o corpo a corpo junto ao eleitor?

 

Antero - As pessoas vão ter que se acostumar a fazer campanha pelas redes sociais, pelo rádio e pela televisão. Ainda assim, tenho esperança que a crise passe e que a partir de setembro as reuniões públicas possam ser realizadas porque são muito importantes, mas se não tiver condição, a campanha pelo rádio e tevê vai ser decisiva mais uma vez. Aliás, sempre foi. Na tevê você consegue fazer um mix trazendo a rua para a tevê, mas do jeito que está não vamos ter estas belíssimas imagens de rua. A pandemia é que vai dizer o que será possível, mas sou a favor das eleições em novembro.

 

PNB Online - O que você espera dessas eleições, porque se a pandemia se estender, talvez não aconteça?

 

Antero - Eleição vai acontecer, precisa acontecer. Eleição é tão essencial quanto você ir ao supermercado e à farmácia, é essencial para manter a democracia. Em um momento que você tem um presidente da República que vai a ato público para fechar o Congresso Nacional, fechar o Supremo Tribunal Federal, deixar de realizar eleição é um passo realmente extraordinário para facilitar este projeto. Eleição tem que ter, as pessoas apenas têm que ser bem orientadas. Até lá, eu prefiro ficar com a esperança de que a pandemia já passou. 

 

PNB Online - A eleição municipal junto com a eleição de senador vai ajudar ou atrapalhar os candidatos entre si?

 

Antero - Vai  fortalecer o poder econômico. O candidato ao senado que tiver mais condições de cooptar mais prefeitos e vereadores, vai estar mais apto a consolidar a sua candidatura. O cargo ao Senado é majoritário e a eleição de senador junto com a de prefeito e vereador, se não for uma campanha muito bem conduzida, é a que o eleitor menos vai prestar atenção. A população está muito envolvida com o buraco da sua rua, com as necessidades da sua cidade. O senador parece ser uma coisa muito distante, então, tanto prefeito, quanto vereador e quanto senador vão ter que fazer uma campanha muito bem articulada e muito profissional do ponto de vista da comunicação, o que vai ser muito valorizado nessas eleições. Ao Senado Federal teremos um número menor de candidatos do que teríamos se fosse em abril, que foi cancelada. Até as convenções partidárias em agosto, o quadro estará definido. Em Cuiabá, a disputa será grande a prefeito e ao Senado

 

DILEMA DEMOCRATAS (DEM)

 

PNB Online - O senhor falou do desempenho do Gilberto Figueiredo à frente da Saúde estadual e ele era um dos prováveis pré-candidatos a prefeito de Cuiabá junto com Fábio Garcia (presidente do diretório estadual do Democratas), Júlio Campos (ex-senador), Mauro Carvalho (secretário da Casa Civil) e agora Eduardo Botelho (presidente da ALMT) também anunciou que pode ser candidato. Como fica o DEM nesse dilema? Qual seria a solução?

 

Antero - Gilberto está fora do páreo, não porque pegou covid, mas é até um paradoxo. Por ter sido exigente na administração da saúde, embora a saúde seja um dos grandes temas na eleição em Cuiabá, o secretário de saúde Gilberto Figueiredo está fora da disputa. É difícil entender essa lógica, porque a crise não passou e ele vai continuar ajudando o Estado a administrar essa crise na saúde. O Mauro Carvalho, que era outro bom nome, resolve não sair da Casa Civil. Essa é praticamente uma decisão que existe. E o Fábio Garcia ainda está naquele processo de consulta família, recebe ou não recebe autorização da família, sai candidato ou não sai candidato. 

 

Fablicio Rodrigues- ALMT

Pres AL- Eduardo Botelho

"Acho que o candidato do Grupo do Mauro Mendes será o Eduardo Botelho"

Se Eduardo Botelho se dispuser a ser candidato, ele tem articulação política suficiente para ser o candidato do DEM. Primeiro, ele teria maioria no diretório do DEM. Segundo, que ninguém vai se contrapor a Eduardo Botelho. Terceiro, que ele teria o apoio quase unânime da Assembleia Legislativa. Enfim, é uma pessoa de grande articulação política, mas tem que ter uma preocupação também, se articular com a sociedade, se articular com a população. Essa articulação só de cúpula não resolve a eleição em Cuiabá porque é uma eleição majoritária. Mas acho que o candidato do Grupo do Mauro Mendes muito provavelmente, se confirmar a intenção, será o Eduardo Botelho. 

 

PNB Online - A comunicação é preponderante, mas as redes sociais serão utilizadas como principal instrumento na campanha eleitoral? 

 

Antero - As redes sociais não são determinantes no processo eleitoral, mas serão importantes. Só que elas estão muito desacreditadas em função desta avalanche de fake news. Há infelizmente pessoas desprovidas de caráter que trabalham com a mentira, fabricam notícias, espalham boatos na campanha eleitoral. Assim, a rede social acaba virando um esgoto da campanha política e até você separar essas coisas, leva tempo. Entretanto, tem como você utilizar bem, falando de proposta e projetos sem atacar os outros candidatos. Até porque a credibilidade da rede social tende a zero. As recentes pesquisas mostram que os sites, jornais, o rádio e a televisão são muito mais acreditados do que as redes sociais, em função do mau uso que fizeram delas nas últimas eleições. Os candidatos vão ter que ter cuidado. Toda vez que eu fiz campanha ou assessorei alguém eu sempre recomendei: comunicação é verdade. Não adianta mentir. Tem que fazer o uso correto das redes sociais. 

 

O Senado Federal está votando um projeto de combate à fake news e espero que não ameace a liberdade de imprensa e a punição de quem passa do limites. 

 

O país tem que pensar em um novo modelo de sala de aula, pensar em financiamento de laptops (notebook) para os alunos da rede pública, porque a rede privada exige que os alunos comprem e ponto final. Na rede pública, o estado, município e a União têm que dar computadores até para que nós tenhamos o adequado número de alunos na sala de aula. A sala de aula virtual será a grande sala de aula do futuro.

PANDEMIA E AS RELAÇOES HUMANAS                                

 

PNB Online - Como o senhor avalia a pandemia, do ponto de vista pessoal, das relações humanas? Pode transformar para melhor o relacionamento entre as pessoas?

 

Antero - A pandemia machuca muito. Perdi vários amigos dos quais eu não pude me despedir, não pude ir ao velório, nem os familiares deles puderam. É uma coisa muito triste. Já estou há algum tempo sem ver a minha mãe, que tem 89 anos. A última vez que a vi foi forçando a barra porque já estávamos em quarentena, e assim mesmo, foi sem beijá-la, sem chegar perto dela, conversando de longe, no dia das mães. Evidente que ela me ama muito e eu também, mas esta separação é terrível. Estou longe dos meus netos e netas e espero que terminando esta pandemia a gente volte ao normal de antigamente: abraçar, beijar, estou morrendo de saudade de tudo isso. Por outro lado, algumas coisas foram antecipadas. 

 

Por exemplo, o Brasil tem que pensar em uma mudança na educação que inclua a educação a distância definitivamente. O país tem que pensar em um novo modelo de sala de aula, pensar em financiamento de laptops (notebook) para os alunos da rede pública, porque a rede privada exige que os alunos comprem e ponto final. Na rede pública, o estado, município e a União têm que dar computadores até para que nós tenhamos o adequado número de alunos na sala de aula. A sala de aula virtual será a grande sala de aula do futuro. 

 

O trabalho home office será instalado no mundo depois desta pandemia. As relações de trabalho serão definitivamente alteradas. A pandemia traz o choque do futuro. Tecnologicamente, ainda vai vir por aí a inteligência artificial, carros sem motoristas que já existem em alguns países, com a possibilidade de reduzir os acidentes de trânsito. Um carro sem motorista tem 99,9% de chances de não acontecer absolutamente nada. A gente vai conviver com as novas tecnologias só que a revolução industrial acaba tirando emprego. As pessoas terão que pensar como fazer renda para sobreviver. Há muitas reflexões a serem feitas com a pandemia.

 

Uma coisa fica patente: nós somos seres de sociabilidade, nós precisamos da convivência. Quer dar um castigo ao homem, lhe dê a solidão. Ninguém suporta. Nós precisamos viver em comunidade, viver em família, em comunhão.

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