Política Quinta-Feira, 30 de Julho de 2020, 06h:51 | - A | + A

Eleição americana

Máscara, polícia e "diabo": a receita de Trump para reverter baixa popularidade

Pedro Pinto de Oliveira

Com BBC Brasil

 

Para qualquer político em campanha correndo atrás nas pesquisas eleitorais chega a hora que bate o desespero e a estratégia muda. O efeito pode ser positivo; pode não alterar a disposição do eleitor ou, o pior, a queda na popularidade pode se tornar ainda mais radical. Essas estratégias não são tomadas num voo cego, costumam ser baseadas em pesquisas qualitativas de precisão. O problema é a leitura da pesquisa e a transformação da ideia em ação.

 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, do partido Republicano, busca novas armas para reverter a baixa popularidade quase às vésperas da eleição de novembro. Em todas as pesquisas ele aparece atrás do rival, o candidato do partido Democrata, Joe Biden, ex-vice-presidente de Barack Obama.

 

Após sete semanas seguidas de más notícias em sua campanha pela reeleição, Trump adotou uma nova estratégia.

 

Três pontos são centrais: 

 

- Ele surgiu de máscara pela primeira vez em público há alguns dias, depois de questionar a eficiência do uso. Negacionista radical, inspirador do presidente Jair Bolsonaro, a mudança é tão drástica quanto improvável de colar junto ao eleitorado, depois de ter passado tanto tempo incentivando seus seguidores fiéis a debochar do coronavírus, a “gripezinha”. Trump e Bolsonaro optaram por não liderar o país no enfrentamento da pandemia. O americano já paga a conta dessa omissão, o brasileiro vai acumulando desgaste.

 

- Aumentou o uso de forças militares federais em cidades ao redor do país, em especial nas cidades e estados governados pelos democratas. A truculência e o gesto autoritário, ao contrário, podem estimular um eleitorado ainda muito impactado pelos protestos populares contra a violência policial que ocuparam as ruas do país.

 

- Por fim, elevou as tensões com a China ao exigir que Pequim feche um consulado no Texas. O velho truque de achar o seu "diabo", um adversário externo para estimular o sentido de coesão nacional e isolacionista, algo que toca a cultura americana.

 

A conferir os resultados da mudança de estratégia. De todo modo, Trump joga com o uso da máquina presidencial, candidato à reeleição, e ainda tem tempo para mudar o jogo, o que depende também da reação do adversário, Joe Biden. O acerto de um também depende do erro do outro.

 

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