Política Segunda-Feira, 25 de Maio de 2020, 11h:20 | - A | + A

PLANO DE NAUFRÁGIO

Marina Silva afirma que há farto contexto para impeachment de Bolsonaro

Em reportagem especial ao UOL, a ex-ministra defende a saída de Ricardo Salles do Meio Ambiente

Redação com Ecoa - UOL

Valter Campanato- Agência Brasil

Marina Silva

 

Uma análise do cenário atual no Brasil feita pela ex- senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, do Rede Sustentabilidade, define com clareza os rumos do governo Jair Bolsonaro, considerando as declarações reveladas na semana passada no vídeo da reunião ministerial de 22 de abril. "Estamos sendo atacados pelo coronavírus, pelo corona-grilagem e pelo corona-garimpo", resumiu Marina Silva na reportagem especial, por telefone nos dias 14 e 24 de maio, concedida à plataforma de jornalismo do UOL, Ecoa que apresenta pessoas que se dedicam a construir um mundo melhor. 

 

O que se viu naquela reunião, de acordo com a ex-ministra, seria o suficiente para o impeachment do presidente da República. “Temos um contexto fartamente robusto para a interdição do Bolsonaro, seja por impeachment no Congresso, seja por afastamento via Supremo. Os males que tudo isso vai causar às instituições, com crime de lesa pátria em tudo quanto é área, e nas três áreas mais importantes que estão neste momento sob fogo cruzado: a saúde, a educação e o meio ambiente. Aquela reunião é antirrepublicana, tudo ali atenta contra a instituição Presidência da República, contra a autonomia dos Poderes. A questão da pandemia foi subtraída”, destacou. 

 

Para a ex-ministra, a resposta ao questionamento que levou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello liberar o vídeo praticamente na íntegra, sobre a interferência do presidente da República na Polícia Federal, é positiva. “Sim, ele está se referindo à PF do Rio de Janeiro, com certeza. E ao conjunto. Ele conseguiu tirar o diretor, o superintendente, o ministro. Quer mais prova do que isso? Se as pessoas não se atém ao que é dito, que se atenham pelo menos ao que foi feito. Porque foi dito e feito”, constatou. 

 

Já em relação ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, a ex-gestora da pasta disse que a atitude dele de “uma crueza, uma torpeza indescritível”, não  surpreendeu. Marina defendeu que o partido Rede que já teve um pedido de impeachment de Salles, negado pelo STF, deve reapresentar  a ação diante da confirmação da postura dele na pasta. “Comprovada agora a nossa tese por prevaricação, desvio de função e sabotagem da instituição que ele dirige. É urgente a reapresentação do pedido de impeachment”, constatou a ex-ministra. 

 

Em um contexto mais amplo,  Marina Silva afirmou que o modo de governar de Jair Bolsonaro é a versão à direita do chavismo. “Ele quer armar a população para dar sustentação ao governo dele. Não é para defender a democracia. Chega um momento em que ele diz que quem não for família, Deus, Brasil, armamento, livre mercado, está no governo errado. O que tem a ver Deus com isso?”, questionou ela como evangélica. 

 

Politicamente, a ex-senadora apontou na entrevista ao Ecoa, que está vendo o que ela dizia há algum tempo: "o Brasil estava se afastando do que devia ser uma democracia ocidental. Tem investidor que vê um conjunto de ministros que se dispõe a servir a um governo desses e se pergunta como pode confiar. O que me assusta dessa visão dos agentes econômicos que estão aliviados porque acham que não há materialidade para impeachment é que essa é uma interpretação política, com interesses econômicos, de subtrair o crime de responsabilidade para manter a ‘normalidade’” frisou Marina. 

 

Com a eleição de Bolsonaro, ela apontu que o “recalque”, veio à tona:  “mais de 30% das pessoas aplaudem, concordam, mais de 30% de 220 milhões de brasileiros. O que está acontecendo que a gente está perdendo os referenciais em relação a valores, os valores que defendem a democracia, os direitos humanos, a diversidade cultural, a justiça social? O governo não tem plano de voo para a economia, para a pandemia, para o Brasil. Tem um plano de naufrágio’, considerou. 

 

Por tudo isso, a ex- ministra do Meio Ambiente, disse que tem um projeto maior que não está focado só em 2022. No Rede Sustentabilidade, as articulações estão sendo feitas como o PV, o PSB e o PDT, que de acordo com Marina Silva, “não aceitam aqueles que não querem fazer a autocrítica. Porque, ao não fazer a autocrítica, estão dizendo que se tiverem uma outra chance farão tudo de novo. É uma escolha”, concluiu. 

 

Leia a íntegra da entrevista 

VOLTAR IMPRIMIR

COMENTÁRIOS

Copyright 2018 PNB ONLINE - Todos os direitos reservados. Logo Trinix Internet