Política Quinta-Feira, 28 de Maio de 2020, 17h:38 | - A | + A

TROCA DE FARPAS

Mendes diz que Emanuel mente ao cobrar dívida milionária do Estado com a Saúde de Cuiabá

Após diversos embates políticos e pessoais, a nova crise entre Emanuel e Mendes se origina por conta da pandemia do coronavírus

Ana Adélia Jácomo

Da Redação

O governador Mauro Mendes (DEM) reagiu nesta quinta-feira (28.05) às declarações do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) de que o Governo do Estado tem atrapalhado o combate à covid-19 e que se recusa a pagar uma dívida na ordem de R$ 60 milhões com a Saúde municipal.

 

Mendes classificou como “mentira” as afirmações do prefeito e o acusou de receber dinheiro para criação de novas vagas de Unidades de Terapia Intensiva (UTI), mas em seguida teria desabilitado unidades de saúde que seriam utilizadas para tratamento de pacientes infectados pelo novo coronavírus.

 

“Não devemos isso pra ele. Ele está mentindo. Manda mostrar o relatório. Não dá pra levar a sério um prefeito que escreve uma coisa e fala outra. Eles escreveram, assinaram, enviaram para o ministério e para o Governo do Estado um termo de  compromisso dizendo que ele iria limitar todos os leitos do novo Pronto Socorro para a covid, que iria colocar todos os leitos do São Benedito para a covid, que iria colocar todos os leitos do antigo Pronto Socorro para a covid. Recebeu dinheiro para isso e agora desabilita”, disse Mendes.

 

O montante dos repasses a serem feitos pelo Estado à Prefeitura de Cuiabá é divergente entre as partes. Emanuel afirmou em outras oportunidades que foi feita uma renegociação em 2018, na gestão do ex-governador Pedro Taques, e que os repasses em atraso seriam de R$ 56 milhões, referentes a dívidas com serviços de saúde dos anos de 2016 a 2018.

 

“O prefeito fala conversa fiada. Ele tem que falar daquilo que importa. O que importa são os números, mostra que está errado esses números. Vamos fazer um debate com números e verdade, não de ‘trololó’ e de conversa fiada. Com o perdão da palavra, é muito ruim em um momento que as pessoas estão morrendo, ele desabilitar 40 leitos. Olhem a portaria. Nós vamos divulgar isso, vamos colocar para a imprensa e para a sociedade, e já acionamos o Ministério Público para fiscalizar”, afirmou o governador.

 

RELAÇÃO CONTURBADA

 

A relação entre os chefes do Executivo municipal e estadual é tensa, e eles vivem se estranhando e trocando farpas pela imprensa. Após diversos embates políticos e pessoais, a nova crise se origina por conta da pandemia do coronavírus.

 

O Governo do Estado entrou com uma ação nesta quarta-feira (27) para garantir a fiscalização nos hospitais do município que possuam leitos de UTI voltados aos pacientes com coronavírus.

 

A ação, com pedido de liminar e multa diária de R$ 50 mil por descumprimento, foi protocolada pela Procuradoria Geral do Estado (PGE) e tem como argumento o fato de que a entrada das equipes de supervisão hospitalar do Estado foi “impedida sem qualquer motivo plausível”.

 

Emanuel negou que tenha proibido as fiscalizações e classificou uma ação judicial como “leviandade de quem só quer atrapalhar”. Segundo o Estado, a equipe de supervisão hospitalar não conseguiu auditar as unidades, especificamente no Hospital Municipal de Cuiabá, no Hospital São Benedito e no Hospital e Pronto Socorro de Cuiabá.

 

“Entendemos que esse é o momento de unir forças, de somar os governos municipal, estadual e federal, com transparência e seriedade, mas um governo que deve R$ 60 milhões à Saúde de Cuiabá, e em vez de ajudar, quer atrapalhar e vem tecendo críticas, ataques gratuitos, diários, contra a gestão que está fazendo o dever de casa?”, disse Emanuel mais cedo em uma live transmitida em suas redes sociais.

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