Política Quinta-Feira, 11 de Julho de 2019, 11h:06 | - A | + A

OAB X NACOS

MPE não quer delações de militares envolvidos na "Grampolândia"

As delações foram rejeitadas na última segunda-feira (8) e os depoimentos foram realizados no Naco, por conta da citação de pessoas com foro privilegiado.

Da Redação

Reprodução

Leonardo Campos e Savio

 

O Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), do Ministério Público Estadual (MPE), rejeitou as delações dos Policiais Miltares, o ex-comandante da PM de MT, Cel. Zaqueu Barbosa, do Cel. Evandro Lesco e do Cabo Gerson Corrêa, investigados no esquema da Grampolândia. As delações foram rejeitadas na última segunda-feira (8) e os depoimentos foram realizados no Naco, por conta da citação de pessoas com foro privilegiado. Além do ex-governador Pedro Taques (PSDB), do ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, pelo menos 5 promotores de Justiça foram citados pelos militares.


De acordo com o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Mato Grosso (OAB-MT), Leonardo Campos, entrevistado nesta quinta-feira (11) na Rádio Capital FM, o Ministério Público precisa dizer o porquê dos investigados dos grampos tentarem a delação e o procurador de Justiça Domingos Sávio, coordenador do Naco, não ter aceitado.


Por telefone, ainda no programa desta quinta-feira na Rádio Capital FM, o coordenador do Naco, procurador de Justiça Domingos Sávio, garantiu que não pode falar sobre o tema por conta do sigilo. Porém, afirmou que os militares são os protagonistas das interceptações telefônicas clandestinas, e que, por isso, estariam tentando uma delação para fugir da condenação, pois todos já confessaram os crimes.


"Eles já estão prestes a serem sentenciados. E o que o eles têm falado, não existe nada de novo. Estes fatos já foram citados", afirmou o procurador.
De acordo com o procurador, o MPE vai recorrer da decisão do desembargador Orlando Perri, que negou um pedido seu, para excluir a OAB de três procedimentos investigatórios criminais relativos ao esquema de grampos. Os procedimentos apuram o suposto envolvimento de promotores de Justiça nas irregularidades. Na decisão, Orlando Perri ainda determinou que o Naco conclua as investigações em 30 dias.

OAB-MT X NACO

Sobre o pedido de exclusão da OAB/MT dos processos da 'Grampolândia', o procurador explicou que a decisão tem o próposito de "fazer com que a Constituição e a legislação processual sejam respeitadas". E disse que na decisão, a exclusão da participação da OAB nas investigações tem o objetivo final de arquivar os procedimentos. 


Sobre esse arquivamento, a OAB reafirmou a legitimidade da instituição em acompanhar de perto e cobrar celeridade nas investigações, principalmente no tocante às questões que também respingam em alguns membros do Ministério Público.

Os grampos

Reportagem do programa “Fantástico”, da Rede Globo, revelou na noite de 14 de maio de 2017 que a Polícia Militar em Mato Grosso “grampeou” de maneira irregular uma lista de pessoas que não eram investigadas por crime.


A matéria destacou como vítimas a deputada estadual Janaína Riva (MDB), o advogado José do Patrocínio e o jornalista José Marcondes, conhecido como Muvuca. Eles são apenas alguns dos “monitorados”.


O esquema de “arapongagem” já havia vazado na imprensa local após o início da apuração de Fantástico.


Os grampos foram conseguidos na modalidade “barriga de aluguel”, quando investigadores solicitam à Justiça acesso aos telefonemas de determinadas pessoas envolvidas em crimes e no meio dos nomes inserem contatos de não investigados.


No processo da Justiça Militar, são réus os coronéis Zaqueu Barbosa, Evandro Alexandre Ferraz Lesco, Ronelson Jorge de Barros, o tenente-coronel Januário Antônio Batista e o cabo Gerson Luiz Ferreira Corrêa Júnior.

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