Política Quarta-Feira, 03 de Junho de 2020, 13h:38 | - A | + A

CPI DO PALETÓ

Riva fica calado em CPI e diz que só revela esquema se Justiça autorizar

O ex-deputado alegou que está impedido de falar devido ao sigilo imposto por sua delação à Justiça.

Suzi Bonfim

da Redação

Assessoria

José Riva e advogados

 


 

Uma autorização do Tribunal de Justiça de Mato Grosso para falar sobre o pagamento de propina a parlamentares do Poder Legislativo estadual. Esta é a condição apontada pelo ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), ex-deputado estadual José Riva, para prestar depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o recebimento de propina pelo prefeito Emanuel Pinheiro, a CPI do Paletó, na Câmara de Vereadores de Cuiabá. “Se o pleito for feito com assuntos específicos ao relator da delação no Tribunal de Justiça não teria problema nenhum em falar, se for autorizado”, garantiu o ex-deputado nesta quarta-feira (3). 

 

A participação de José Riva na CPI do Paletó despertou muitas expectativas que foram frustradas, assim que começou a reunião virtual. Orientado por seus advogados, Riva que estava no escritório dele, disse que este não é o momento para falar porque pode prejudicar a delação feita por ele à Justiça. “Conversei com meus advogados e todos são unânimes em dizer que este não é o momento de falar. Além da prerrogativa que tenho de ficar em silêncio. Se abrir um precedente, quem firmou uma colaboração pode atrapalhar o trabalho da justiça”, ressaltou José Riva acompanhado pelos advogados Almino Afonso Fernandes e Gustavo Lisboa Fernandes. 

 

A defesa do ex-presidente da ALMT lembrou ainda que o sigilo da delação é necessário até a apresentação de denúncia sobre os fatos relatados. Riva não aceitou a provocação do vereador Felipe Wellaton (Cidadania) sobre notícias na imprensa de que o então deputado Emanuel Pinheiro recebeu R$ 6 milhões de mensalinho, dinheiro que o ex-governador Silval Barbosa repassava aos parlamentares para aprovação de projetos da Copa do Mundo, em 2014. José Riva esteve no legislativo mato-grossense entre 1995 e 2014. “Não vou cair na sua provocação”, disse o ex-parlamentar. 

 

O presidente da CPI do Paletó, Marcelo Bussiki, disse que vai solicitar a autorização para que o ex-deputado possa depor e que o conteúdo da delação relacionado ao esquema de corrupção na Assembleia também seja repassado. “Se não houver informações sobre o pagamento de propina, não há razão para solicitar a delação”, admitiu Bussiki.

 

O acordo de colaboração entre o ex-parlamentar e o Ministério Público foi assinado em dezembro de 2019, com a procuradora Ana Cristina Bardusco e os promotores de Justiça Roberto Turin e Mauro Zaque. 

 

Novos depoimentos

Como o irmão do prefeito Emanuel Pinheiro, Marco Polo, o Popó Pinheiro, não compareceu para depor na Câmara de Vereadores, a CPI requisitou que a esposa dele como sócia na empresa de pesquisas, Bárbara Pinheiro, seja intimada. Também estão na agenda de convocação, o homem identificado apenas como Cleberson, amigo do ex-chefe de gabinete do governo Silval Barbosa, Silvio Corrêa, que teria envolvimento no esquema de gravação da conversa com o então secretário de estado, Alan Zanatta, que também é objeto de investigação por suposta obstrução de Justiça; o Alan Zanatta, que em meados de março deste ano conseguiu um habeas corpus para não depor e o perito Alexandre Peres, que analisou o áudio entre Silvio e Zanatta. O prefeito Emanuel Pinheiro também será convdado para esclarecer os fatos 

 

Em novembro deste ano, a CPI do Paletó completa três anos de instalação com uma série de interrupções pela justiça. O prazo de conclusão formal é de 120 dias e pode ser prorrogado. Assim que elaborado um relatório final, o documento deverá ser colocado para aprovação do plenário da Câmara de Vereadores. 

 

 

 

 

VOLTAR IMPRIMIR

COMENTÁRIOS

Copyright 2018 PNB ONLINE - Todos os direitos reservados. Logo Trinix Internet